Uma abelha de 100 milhões de anos
Encontrado o mais antigo fóssil desse tipo de inseto
O mais antigo fóssil de abelha já descoberto está preservado em âmbar.
Cientistas anunciaram a descoberta do mais antigo fóssil de abelha já encontrado. Preservado em âmbar, ele tem 100 milhões de anos e mede apenas 2,95 milímetros. Quarenta milhões de anos mais antigo do que outros fósseis de abelha já encontrados, esse incrível vestígio do passado foi descoberto em Burma, um país do sudeste da Ásia. Em homenagem ao local em que foi achada, a espécie de abelha que por tanto tempo ficou preservada foi batizada pelos cientistas de Melittosphex burmensis .
O fóssil recém-descoberto mostra que, mesmo há cem milhões de anos, as abelhas já tinham desenvolvido importantes características apresentadas por elas atualmente. Um exemplo são os pêlos presentes nas pernas, que, acreditam os cientistas, são importantes para coletar o pólen das flores, que as abelhas comem ou levam para suas larvas nas colméias.
Ao visitar diferentes flores, as abelhas acabam carregando o pólen de uma para outra, auxiliando a reprodução das plantas. No fóssil de cem milhões de anos foram encontrados diversos grãos de pólen e acredita-se que a origem das abelhas contribuiu para a rápida diversificação das angiospermas – plantas com flores – do início até a metade do período conhecido como Cretáceo, que vai de 145 a 65 milhões de anos atrás, aproximadamente.
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A invasão dos dinossauros
Exposição volta ao tempo dos grandes répteis para contar a história do vôo
Dinossauros em um lago, dinossauros se alimentando, dinossauros em todo canto. O que é isso? Entramos em uma máquina do tempo? Não! Na verdade, invadimos o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Réplicas de dinossauros tomaram conta do espaço e prometem encantar os visitantes.
O titanossauro vivia em uma área repleta de campos alagadiços e árvores. Crédito da imagem: Mauricio Candido.
Os répteis pré-históricos fazem parte do novo módulo da exposição permanente do museu. Chamado A evolução do vôo, ele pretende contar como o vôo surgiu e se desenvolveu na natureza. Os primeiros a voar foram os insetos. Depois, o vôo surgiu em outros grupos de animais, de maneira independente: primeiro, com os pterossauros, que são parentes dos dinossauros; depois, com as aves; por último, com os mamíferos, como os morcegos.
E o que os dinossauros, que nunca voaram, têm a ver com isso? Foi de um grupo específico de dinossauros – os terópodos – que as aves se originaram.“Hoje a ciência já considera as aves verdadeiros dinossauros. Elas representam o grupo de dinossauros que levantou vôo, e são a prova viva de que os dinossauros não se extinguiram por completo”, esclarece Hussam Zaher, zoólogo do museu.
A grande atração da exposição promete ser uma réplica do esqueleto do carnotauro, vinda da Argentina. Pudera: ela é enorme! Tem quase quatro metros de altura e sete metros de comprimento. Já a escultura do velocirraptor tem um metro de altura, mostrando como ele era pequeno na vida real.
À exceção do carnotauro, todas as outras réplicas são de dinossauros brasileiros. O titanossauro, por exemplo, conhecido por seu pescoço longo, vivia em São Paulo, em uma área repleta de campos alagadiços e árvores, representada em um cenário.
No alto, está o carnotauro e logo abaixo, o velocirraptor. Créditos: Jorge Blanco e Ronaldo Aguiar.
Do Ceará, Pernambuco e Piauí, por sua vez, vieram os fósseis – vestígios como ossos e dentes, que ficaram preservados em rochas – que deram origem às réplicas do Anhanguera, um dos pterossauros brasileiros. Parentes dos dinossauros, os pterossauros foram os primeiros animais a levantar vôo após os insetos. Na exposição, há dois pterossauros no teto, que parecem voar!
Completa a mostra uma escultura do arqueopterix. Esse animal tinha dentes e cauda longa, como os répteis, mas penas no corpo todo, uma característica das aves. “O arqueopterix foi muito estudado pelos cientistas e serve para exemplificar como as aves teriam se originado dos dinossauros”, explica Hussam. “Ele era capaz até de fazer vôos curtos!”
Saber como são feitas as réplicas desses bichos, aliás, é tão interessante quanto vê-las. “Tudo começa com os fósseis”, explica Mirian Marques, diretora da Divisão de Difusão Cultural do Museu. “A partir deles, os cientistas buscam entender como era o corpo do animal, como ele vivia, quais eram seus hábitos, entre outras informações.”
É preciso estudar muito para realizar esse trabalho. “Para fazer uma réplica do esqueleto de um dinossauro, temos de saber quais eram as proporções entre seus membros, quais eram suas articulações, onde estavam, como se mexiam”, conta Mirian. “Para fazer esculturas como as do velocirraptor e do arqueopterix, precisamos da ajuda de um artista plástico que, supervisionado por um cientista, molda os músculos, a pele e os olhos do dinossauro.” Assim, as obras ficam parecidas com o animal que existiu.
Até o final do ano a exposição do Museu de Zoologia estará completa. Mas você já pode fazer uma visita ao museu e conferir de perto o que ele tem a oferecer: muitas informações sobre os seres que habitavam o nosso planeta há milhões de anos!
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Caçadores de fósseis de dinossauro
Conheça a expedição de pesquisadores em busca de répteis extintos no Nordeste!
Já pensou se existisse uma máquina do tempo que pudesse nos levar até a época dos dinossauros? Poderíamos fazer uma expedição, reunindo um monte de amigos para vermos juntos esses enormes reptéis ao vivo. Não iria ser o máximo? Bom, a máquina do tempo não existe, mas cerca de vinte pessoas acabam de partir em busca dos dinossauros. Como assim? Eles são pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e acabam de viajar para o Nordeste do Brasil à procura de fósseis de dinossauros, como ossos, pegadas e dentes.
O percurso dos pesquisadores começou no dia 3 de fevereiro e inclui a Chapada do Araripe, no Ceará; Sousa, na Paraíba; e a Ilha do Cajual, no Maranhão. Esses locais foram escolhidos porque têm grande número de fósseis. No passado, eles apresentavam condições ideais para a preservação dos vestígios deixados pelos animais, como pouco oxigênio - que dificulta a ação de organismos decompositores - e o soterramento rápido.
A Chapada do Araripe, por exemplo, era uma grande laguna onde o material ficava depositado no fundo. Foi nessa região que os pesquisadores do Museu Nacional encontraram o fóssil do Santanaraptor placidus, um dinossauro carnívoro e muito ágil que viveu no local há 110 milhões de anos. Em Sousa, já foram encontradas pegadas de dinossauro e, na Ilha do Cajual, um dente de espinossauro, uma espécie de dinossauro carnívoro de grande porte que tinha espinhos nas costas e cujo crânio lembra o de um crocodilo.
Esqueleto reconstituído do Santanaraptor placidus
A viagem promete ser emocionante, mas com pouco conforto. Não pense que os pesquisadores foram de avião! Eles viajaram de jipe, pegando poeira na estrada. Além disso, ficarão acampados, pois não há pousadas por perto. Na bagagem, além do material de pesquisa - como picaretas e marretas -, estão levando câmeras, guindastes e holofotes para fazerem um documentário e um livro infantil sobre a expedição. Ah! A mala também foi cheia de repelente, pois lá os mosquitos são tão comuns quanto os fósseis.
No final da expedição, que tem previsão de terminar logo após o Carnaval, os pesquisadores pretendem trazer para o Rio de Janeiro um pedaço de uma tonelada da laje do Coringa, que se encontra na Ilha do Cajual e é rica em fósseis. Chama-se de laje a crosta de terra ou calcário endurecida e plana. "A maré no Maranhão chega a subir sete metros, uma das maiores do mundo. Como a laje fica dois metros embaixo d'água com a maré alta, só podemos trabalhar durante seis horas, quando a maré está baixa", conta Helder de Paula Silva, estudante de biologia da Universidade do Grande Rio, que participa da expedição. "Além disso, a mudança de maré causa erosão, que pode destruir a laje. Por isso é importante trazer um pedaço dela para ficar exposto no Museu."
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O dino mais velho do mundo?
Cientistas afirmam ter descoberto um fóssil de dinossauro com 228 milhões de anos
Extra! Extra! Achado um fóssil de dinossauro que, segundo seus descobridores, possui cerca de... 228 milhões de anos! Caso a teoria dos cientistas que o descobriram seja comprovada, o fóssil desse réptil é o mais antigo encontrado no mundo. E mais: dessa espécie de dinossauro teriam evoluído todos os que nasceram depois dele.
Com 50 centímetros de altura, o Ulbra era um caçador cursorial, ou seja, não pegava suas presas em emboscadas mas, sim, corria atrás delas.
Tudo começou há dois anos. Em 2004, numa escavação para buscar restos mortais de animais pré-históricos, pesquisadores da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) descobriram o tal fóssil enterrado no município de Agudo, região central do Rio Grande do Sul. Entre os ossos encontrados está uma boa parte do crânio, a mandíbula com dentes, vértebras de todas as partes do tronco e da cauda, e patas da frente e de trás.
Com base nesses ossos, os pesquisadores traçaram um perfil do vovô-dinossauro. “Observando os dentes sabemos que ele era carnívoro e provavelmente se alimentava de pequenos anfíbios, rincossauros e cinodontes (répteis ancestrais dos mamíferos)”, conta o paleontólogo Sérgio Furtado Cabreira, que comandou a descoberta. O dinossauro em questão era bípede – isto é, andava sobre duas pernas –, possuía aproximadamente 50 centímetros de altura, 1,5 metro da cabeça até a cauda e pesava cerca de 12 quilos. Além disso, possuía um pequeno chifre sobre o osso nasal, o que sugere que esse animal tinha vida social intensa. “Esse chifre poderia ser usado pelos animais para disputar a liderança do grupo, constituir bandos ou paquerar as fêmeas”, conta Sérgio.
Aí está a mandíbula do Ulbra. Os dentes serrilhados sugerem que ele era carnívoro.
Já o nome do novo dinossauro, bom... O réptil por enquanto é chamado de ULBRA PVT016, que parece mais nome de robô do que de dinossauro, mas é apenas temporário. Nele está presente a abreviação do nome da universidade dos pesquisadores que o descobriram (ULBRA); PVT, que é uma sigla para paleovertebrados (setor do departamento de paleontologia ao qual pertencem os pesquisadores), e o 016, já que esse é o 16° fóssil a ser registrado pela universidade. Captou? O nome definitivo será dado daqui a cerca de cinco anos. Esse é o tempo estimado para que os cientistas façam comparações com outros ‘dinos’ da época, para só então determinar a qual família o animal recém-descoberto pertence e descrevê-lo com mais precisão.
Agora fique bem atento para entender a polêmica que envolve essa nova descoberta. Os dinossauros conhecidos até agora da era Triássica – ou seja, que viveram de 251 milhões de anos a 199 milhões e 600 mil anos atrás – possuem apenas três vértebras sacrais – isto é, localizadas na região da pélvis. Já o Ulbra possui cinco vértebras sacrais, exatamente como os dinossauros mais modernos, que viveram no Jurássico, período que vai de 199 milhões e 600 mil anos atrás a 145 milhões e 500 mil anos atrás. Essa constatação leva os pesquisadores que o descobriram a teorizar que todos os dinossauros bípedes do período jurássico evoluíram do Ulbra, ou seja, que ele seria uma espécie de ‘pai’ dos dinossauros que vieram depois dele.
De qualquer maneira, uma descoberta tão importante como essa precisa ser publicada numa revista científica para ser reconhecida pelos outros pesquisadores, o que levará cerca de cinco anos, tempo que durarão as pesquisas com o fóssil. “Quando é submetida a uma revista especializada, a pesquisa é analisada por cientistas renomados que revisam o trabalho em busca de possíveis falhas”, conta Átila da Rosa, paleontólogo da Universidade Federal de Santa Maria. “É mais sensato esperar a publicação, mas se a tese do grupo da Ulbra for confirmada, eles têm nas mãos um grande tesouro
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Dragões no céu do Brasil
Saiba mais sobre os pterossauros, animais que voavam por aqui na Pré-História
De uma ponta a outra da asa, alguns mediam até dez metros de comprimento. Na cabeça, havia os que levavam cristas gigantescas. Um quarto dedo desenvolvido sustentava a pele que lhes servia de asa. Assim eram os pterossauros, animais que, por essas e outras características, eram diferentes de qualquer outro existente hoje.
Reconstituição de pterossauro que ilustra a contracapa do livro Pterossauros - os senhores do céu do Brasil.
Bichos fascinantes, parentes dos dinossauros, mas nada parecidos com eles, os pterossauros viveram entre 228 milhões e 65 milhões de anos atrás, quando, por fim, desapareceram. Por apresentarem características incomuns, esses répteis voadores povoam o imaginário das pessoas e rendem grandes histórias de ficção. Na vida real, no entanto, um livro convida todos a conhecer a ciência dos pterossauros e saber, de fato, como eles eram e de que maneira viviam.
O convite vem de Alexander Kellner, paleontólogo há 25 anos e especialista em pterossauros. Ele já viajou por diversas partes do mundo, procurando e estudando formas de vida do passado. Com isso, reuniu informações suficientes para escrever o livro sobre os dragões voadores, como também são conhecidos os pterossauros.
Pterossauros – os senhores do céu do Brasil dá atenção especial aos pterossauros brasileiros, que são muitos. Se você não sabe, já foram identificadas no país 24 espécies, sendo 23 delas só na Bacia do Araripe, que ocupa parte dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Além disso, Kellner fala de como começou na sua profissão e o seu fascínio pelos pterossauros. Explica as características desses animais, seus hábitos e costumes e as novas descobertas sobre as espécies.
Para incentivar você a mergulhar nessa obra, a CHC selecionou um trecho do livro e conversou com Alexander Kellner sobre o trabalho de escrever essa obra e a profissão de paleontólogo. Confira a seguir o trecho do livro e clique no link a seguir para ler a entrevista com o autor.
Cathia Abreu
Ciência Hoje das Crianças
11/04/2006
Confira um trecho de Pterossauros – os senhores do céu do Brasil
“A laguna com águas calmas refletem o céu azul. Poucas nuvens e calor! A vegetação é esparsa, formada por alguns arbustos deixando a terra, de coloração amarronzada, à vista. Nas margens desta laguna, um dinossauro Santanaraptor tranqüilamente alimenta-se de uma carcaça do peixe Vinctifer trazida pelas ondas. Dois Caririsuchus – parentes distantes dos crocodilos – estão se esquentando ao sol ao lado de um grupo de tartarugas Cearachelys. O som dos grilos e de outros insetos podem ser ouvidos no fundo.
De repente, um estranho barulho vem do céu – surdo com o bater de asas! Uma sombra surge e passa sobre a cabeça daqueles animais. Os grilos silenciam. Santanaraptor assusta-se e foge procurando abrigo debaixo de arbusto de Brachyphylum. Os Caririsuchus – em movimentos bruscos e rápidos – correm para a água, desaparecendo no fundo. Apenas as tartarugas ficam paradas, alheias ao perigo em potencial.
A sombra, que agora é refletida na água, pertence a um animal maior do que uma asa-delta. As asas – que de ponta a ponta atingem mais de quatro metros – são revestidas por uma pele fina e os pêlos são esparsos lembrando os de um morcego. Mas essa criatura é bem diferente: possui o pescoço e a cabeça bem grandes, maiores do que o restante do corpo. Entretanto, o que mais chama a atenção é a imensa crista de cor avermelhada! E, quando menos se espera, esse animal alado – o pterossauro Thalassodromeus – num vôo rasante, rasga a água com a mandíbula, captura um peixe e com um bater de asas recupera a altura, e voa para bem longe dali...”
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Preguiças gigantescas
Descubra animais fantásticos que habitaram o Brasil há 12.000 anos
Quando a gente ouve falar de preguiça, pensa logo naquela moleza que nos deixa sem ânimo para estudar e brincar. Mas deixe essa sensação de lado, pois a preguiça aqui é outra. Trata-se de um animal que tem pêlos longos e grossos, patas muito desenvolvidas e cauda, chamado assim por causa de seus movimentos lentos. Juntamente com os tatus e os tamanduás, as preguiças são mamíferos que fazem parte da ordem Xenarthra. Hoje, as preguiças vivem no alto de árvores, como muitos macacos. Porém, há aproximadamente 12 mil anos, existiam, no Brasil, preguiças enormes, que chegavam a ter o tamanho de um elefante. Elas são chamadas preguiças terrícolas, porque, ao contrário das que restaram (denominadas arborícolas), viviam na terra.
Reconstrução de uma preguiça da espécie Nothrotherium maquinense
O primeiro esqueleto de preguiça terrícola foi encontrado em 1787, na cidade argentina de Luján e mandado para a Espanha, onde havia sido construído um novo museu: o Real Gabinete de História Natural de Madri. Diante do tamanho dos ossos, os espanhóis concluíram que o animal só poderia ser um elefante sul-americano. Mas eles estavam enganados... Mais tarde, o anatomista francês Georges Cuvier, diretor do Museu de História Natural de Paris, identificou o esqueleto como o de uma preguiça, que recebeu o nome científico de Megatherium americanum (grande animal selvagem americano). A partir daí, espécies de vários tamanhos foram descobertas, inclusive pelo importante naturalista inglês Charles Darwin.
Esqueleto de uma preguiça terrícola
As espécies de preguiças terrícolas conhecidas são agrupadas em três famílias: megaterídeos, milodontídeos e megaloniquídeos. Os megaterídeos eram as preguiças gigantes - o tal "elefante sul-americano", que não era elefante. Os milodontídeos eram um pouco menores que os megaterídeos. Já os megaloniquídeos foram as menores preguiças encontradas.
No Brasil, os primeiros achados de esqueletos de preguiças foram feitos em 1835 na Gruta de Maquiné, em Cordisburgo (MG). Eram poucas peças da menor preguiça da família dos megaloniquídeos, que tinha o tamanho de uma ovelha. Hoje, já foram identificadas no país 13 espécies de preguiças terrícolas. Dessas, nove viveram no cerrado brasileiro, onde a vegetação é caracterizada por árvores baixas e retorcidas. Apesar de dividirem o território, essas espécies não competiam diretamente pelo mesmo alimento. Seus vários tamanhos e características faziam com que tivessem diferentes hábitos alimentares. Mas, como os dinossauros, as preguiças terrícolas se extingüiram. Hoje, só podemos observar seus esqueletos em museus e, com base em algumas informações dos pesquisadores, usar a criatividade para imaginar como eram esses animais gigantes.
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Um tesouro no lugar mais chuvoso do Brasil
Em Calçoene, no Amapá, existe um sítio arqueológico que desperta a curiosidade dos cientistas
Detalhe do sítio arqueológico de Calçoene, no Amapá. (Foto: Mariana Petry Cabral)
Calçoene não é só o lugar mais chuvoso do Brasil. É também o local onde se encontra um sítio arqueológico muito especial. Formado por grandes blocos de granito – alguns com quatro metros de comprimento! – dispostos de forma alinhada ou em círculos, ele aparentemente era, no passado, uma área onde os índios realizavam rituais, como o enterro dos mortos.
Não se sabe ainda quando a construção foi erguida. “Recolhemos material para definir a data, mas esse trabalho ainda não está pronto. Acreditamos que o sítio tenha sido erguido antes da chegada dos europeus à região e temos certeza de que ele foi construído por indígenas por conta da cerâmica encontrada no local, que tem uma decoração característica da região Amazônica, que representa bichos e seres humanos”, explica a pesquisadora Mariana Petry Cabral, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA).
No sítio arqueológico de Calçoene, há pedras que marcam o solstício de dezembro: o dia mais longo do ano no hemisfério sul e o mais curto no hemisfério norte, que determina ainda o início da estação chuvosa no Amapá. “Há pedras alinhadas onde o sol vai nascer e onde ele irá morrer”, conta Mariana. “Isso leva a crer que se trata de um sítio especial, onde se registravam datas importantes para esse grupo.”
Conhecido pela população local há muito tempo, o sítio arqueológico de Calçoene começou a ser pesquisado pelos cientistas apenas em 2005. Ganhou até mesmo um apelido: Stonehenge do Amapá. Trata-se de uma comparação com o sítio arqueológico Stonehenge, localizado na Inglaterra, que também apresenta blocos de pedra organizados de forma circular e onde se observam marcações do solstício. “Mas é bom salientar que se trata de dois sítios completamente diferentes, por terem sido feitos em épocas e por povos distintos”, salienta Mariana.
De agosto a dezembro de 2006, a pesquisadora e seu colega João Saldanha, também do IEPA, fizeram as primeiras escavações no sítio arqueológico de Calçoene. Quer saber o que ela achou do lugar mais chuvoso do Brasil? “Quando chove, lá chove muito. Parece que se abre uma torneira: os rios sobem rapidamente e a paisagem se transforma. Porém, como acontece na Amazônia, chove todos os dias, mas sempre aparece o sol.”
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Uma rã de 70 milhões de anos
Fóssil de uma provável nova espécie de anfíbio é encontrado no Brasil
O estudo dos seres vivos pré-históricos é uma caixinha de surpresas. Em 2002, cientistas do Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price, localizado no bairro de Peirópolis, em Uberaba, Minas Gerais, encontraram um osso de titanossauro em uma rocha. Porém, durante análise feita em laboratório, não foram os vestígios de um dos maiores dinossauros do Brasil o que chamou a atenção dos pesquisadores, mas, sim, algo bem menor: um fóssil de uma rã, com cerca de sete centímetros de comprimento e aproximadamente 70 milhões de anos de idade, também presente na rocha.
O fóssil da pequena rã de 70 milhões de anos de idade. (Crédito: Luiz Carlos Ribeiro).
Como em paleontologia – ciência que estuda dos seres vivos que habitaram a Terra há milhões de anos – tamanho não é documento, os cientistas logo perceberam a importância da descoberta. Tratava-se do terceiro fóssil de anfíbio do período Cretáceo – que vai de 145 a 65 milhões de anos atrás – já encontrado no Brasil.
Mas não é que o fóssil teve que esperar cinco anos para ser estudado? Tudo porque o coordenador geral do Centro Paleontológico Price e Museu dos Dinossauros, Luiz Carlos Borges Ribeiro, precisava conseguir a parceira ideal para estudá-lo profundamente. Essa pessoa veio do Museu Argentino de Ciências Naturais. Seu nome: Ana Maria Baez, uma especialista em anfíbios.
As primeiras observações feitas pelos pesquisadores os levaram a acreditar que o fóssil de rã era mais um exemplar da espécie Baurubatrachus pricei , descoberta também em Peirópolis e descrita em 1989. Entretanto, um olhar mais cuidadoso revelou características únicas no crânio e nas vértebras. Os traços inéditos posicionam a rã, então, apenas no amplo grupo dos Neobatrachus , do qual descende a grande maioria das espécies de sapos e rãs de hoje em dia. Ou seja: se a descoberta for confirmada pela comunidade científica internacional, será preciso criar um novo gênero e uma nova espécie para classificar a rã, que poderá ser reconhecida como uma possível tatatatataravó das rãs atuais.
A pequena e delicada ossada desse animal tem ossos milimétricos e articulados, com quase metade do esqueleto preservado. Isso indica que quase não houve movimentação depois da morte da rã e que, provavelmente, ela, assim como os paleontólogos, foi pega de surpresa. “Há 70 milhões de anos, o clima na região de Uberaba era muito árido, com temperaturas que poderiam atingir até cinqüenta graus centígrados. A vegetação era rasteira e se limitava às proximidades dos rios e lagos e as rochas ficavam expostas na superfície, assim como os ossos dos animais mortos. As chuvas eram raras, mas quando chovia eram verdadeiros temporais. Assim sendo, as águas da chuva carregadas de lama podem ter arrastado os ossos dos animais mortos para os lagos e rios, prendendo a rã no fundo e causando a sua morte”, sugere Luiz Carlos Borges Ribeiro.
Não se sabe ainda ao certo que tipo de informações o estudo mais detalhado do fóssil pode trazer para os cientistas. Mas, com tantas surpresas, essa pode ser uma ótima oportunidade para a ciência entender um pouco mais sobre os mistérios do fim do cretáceo, quando cerca de 70 em cada 100 espécies de seres vivos da Terra foram extintos, inclusive os dinossauros.
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Uma rã de 70 milhões de anos
Fóssil de uma provável nova espécie de anfíbio é encontrado no Brasil
O estudo dos seres vivos pré-históricos é uma caixinha de surpresas. Em 2002, cientistas do Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price, localizado no bairro de Peirópolis, em Uberaba, Minas Gerais, encontraram um osso de titanossauro em uma rocha. Porém, durante análise feita em laboratório, não foram os vestígios de um dos maiores dinossauros do Brasil o que chamou a atenção dos pesquisadores, mas, sim, algo bem menor: um fóssil de uma rã, com cerca de sete centímetros de comprimento e aproximadamente 70 milhões de anos de idade, também presente na rocha.
O fóssil da pequena rã de 70 milhões de anos de idade. (Crédito: Luiz Carlos Ribeiro).
Como em paleontologia – ciência que estuda dos seres vivos que habitaram a Terra há milhões de anos – tamanho não é documento, os cientistas logo perceberam a importância da descoberta. Tratava-se do terceiro fóssil de anfíbio do período Cretáceo – que vai de 145 a 65 milhões de anos atrás – já encontrado no Brasil.
Mas não é que o fóssil teve que esperar cinco anos para ser estudado? Tudo porque o coordenador geral do Centro Paleontológico Price e Museu dos Dinossauros, Luiz Carlos Borges Ribeiro, precisava conseguir a parceira ideal para estudá-lo profundamente. Essa pessoa veio do Museu Argentino de Ciências Naturais. Seu nome: Ana Maria Baez, uma especialista em anfíbios.
As primeiras observações feitas pelos pesquisadores os levaram a acreditar que o fóssil de rã era mais um exemplar da espécie Baurubatrachus pricei , descoberta também em Peirópolis e descrita em 1989. Entretanto, um olhar mais cuidadoso revelou características únicas no crânio e nas vértebras. Os traços inéditos posicionam a rã, então, apenas no amplo grupo dos Neobatrachus , do qual descende a grande maioria das espécies de sapos e rãs de hoje em dia. Ou seja: se a descoberta for confirmada pela comunidade científica internacional, será preciso criar um novo gênero e uma nova espécie para classificar a rã, que poderá ser reconhecida como uma possível tatatatataravó das rãs atuais.
A pequena e delicada ossada desse animal tem ossos milimétricos e articulados, com quase metade do esqueleto preservado. Isso indica que quase não houve movimentação depois da morte da rã e que, provavelmente, ela, assim como os paleontólogos, foi pega de surpresa. “Há 70 milhões de anos, o clima na região de Uberaba era muito árido, com temperaturas que poderiam atingir até cinqüenta graus centígrados. A vegetação era rasteira e se limitava às proximidades dos rios e lagos e as rochas ficavam expostas na superfície, assim como os ossos dos animais mortos. As chuvas eram raras, mas quando chovia eram verdadeiros temporais. Assim sendo, as águas da chuva carregadas de lama podem ter arrastado os ossos dos animais mortos para os lagos e rios, prendendo a rã no fundo e causando a sua morte”, sugere Luiz Carlos Borges Ribeiro.
Não se sabe ainda ao certo que tipo de informações o estudo mais detalhado do fóssil pode trazer para os cientistas. Mas, com tantas surpresas, essa pode ser uma ótima oportunidade para a ciência entender um pouco mais sobre os mistérios do fim do cretáceo, quando cerca de 70 em cada 100 espécies de seres vivos da Terra foram extintos, inclusive os dinossauros.
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Viagem para a pré-história
Numa exposição que está em cartaz em São Paulo, você fica cara a cara com seres que viveram há milhões de anos!
Já tirou foto ao lado de um dinossauro ou chegou bem pertinho de um pterossauro? Se você acha que para ter feito isso é preciso estar com mais de 100 milhões de anos de idade, pode mudar de idéia! Está em cartaz, em São Paulo, uma exposição sobre animais que viveram na pré-história: são dinossauros, aves, peixes, crocodilos e muito mais!
Mas como seres tão velhinhos chegaram ao século 21 em plena forma? “As peças expostas são fósseis, réplicas deles, ou esculturas que mostram os animais como se eles estivessem vivos”, diz Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo – especialista em animais antigos – que organizou as atrações da exposição Dinos na Oca e outros animais pré-históricos.
Anelli explicou à CHC-Online que algumas das peças expostas não são as originais encontradas na natureza, e deu o exemplo do Jobaria, que vivia em bosques africanos há 135 milhões de anos. “Os fósseis dos ossos desse dinossauro pesam, ao todo, 20 toneladas”, conta ele. Imagine o esforço para transportar para exposições esse esqueleto gigante!
Portanto, foi construída uma réplica do animal, exatamente do mesmo tamanho que o esqueleto original, só que composta por um plástico bem mais leve do que os minerais presentes nos fósseis. Mesmo assim, você poderá conferir um osso original do Jobaria: é o fêmur, que faz parte da sua perna e mede “apenas” um metro e meio. Para você ter uma idéia, o fêmur também pode ser encontrado no corpo humano, com cerca de 40 centímetros, nos adultos! E é o nosso maior osso...
Além de reproduções perfeitas do Jobaria e de outros dinossauros, você poderá conferir partes de seus corpos, como a cabeça do Carcharodontosaurus, que parece real. Mas os dinossauros não são as únicas estrelas dessa exposição, cujo acervo vem de vários museus do Brasil, da Argentina, da China e dos Estados Unidos. Há animais como a ave carnívora gigante Paraphysornis, os crocodilos primitivos achados na cidade paulista de Marília, os pterossauros descobertos no Ceará, esqueletos de peixes e muitas pegadas e rastros de seres pré-históricos – entre eles, até o registro do xixi de um dinossauro! Ao todo, são mais de 400 objetos, não apenas para ver, mas para tocar e tirar fotos também. A única coisa que não dá para fazer é filmar. Mas nem precisa: você já vai se sentir dentro de um filme de verdade!