A arte fantástica do surrealismo
Conheça o movimento que levou o universo dos sonhos aos museus
Triiiim, triiiim, triiiim. Toca o telefone e Madame Pontual corre para atendê-lo. No lugar do gancho, uma lagosta. A senhora não fica contente com a notícia que recebe e seus ponteiros começam a rodar rápido. Ponteiros? Sim! O rosto de Madame Pontual é um belo relógio! Ela precisa correr porque os fósforos de sua filha estão em chamas, e, por isso, aproveita para pegar carona em uma árvore-pássaro que vai passando...
O surrealismo é caracterizado por imagens absurdas - como os tigres
saídos da boca de um peixe, pintados pelo espanhol Salvador Dalí
Surreal essa história, não é mesmo? Mas você saberia dizer porque o termo surreal é usado para designar coisas malucas e absurdas? Quem pensou em Surrealismo acertou! Esse movimento artístico surgiu na França, no início da década de 1920. As telas produzidas pelos pintores surrealistas parecem sonhos fotografados. Mas por que pintar coisas sem sentido? De onde veio a idéia de começar um movimento assim? Qual era o objetivo desses artistas?
Para compreendermos o Surrealismo é preciso entender a vida na Europa após 1918, quando acabou a Primeira Guerra Mundial. Esse conflito resultou em um grande número de mortos, não só de combatentes, como de cidadãos comuns. Cidades inteiras foram destruídas e a Europa acabou perdendo o domínio econômico sobre os demais países do mundo. Os Estados Unidos, que só haviam aderido à guerra em abril de 1917, se tornaram então a grande potência mundial.
Com essa triste situação, surgiu um movimento artístico chamado Dadaísmo. Os dadaístas contestavam, ironizavam e desmistificavam os valores da sociedade européia, a começar pela própria arte. Esse movimento serviu de inspiração ao Surrealismo. Porém, os surrealistas propunham uma ação coletiva para tornar o ser humano mais livre e criativo. Eles tentavam compreender o mundo com outro sentido, buscando tornar real o que antes era apresentado como irreal.
Em 1924, foi publicado o Primeiro Manifesto do Surrealismo -- manifesto nada mais é do que um texto que explica os propósitos de uma ação --, escrito pelo poeta francês André Breton, mentor do movimento. Até então, só havia escritores no grupo. Mais tarde, após a publicação do ensaio "O surrealismo na pintura", pintores aderiram ao movimento. O surrealismo também abrangeu o cinema, a fotografia e as artes plásticas.
O surrealismo chegou também ao cinema: acima, cena do filme
A idade de ouro, dos espanhóis Salvador Dalí e Luís Buñuel
Mas o grupo surrealista rapidamente se rompeu. Em 1929, Breton publicou o "Segundo Manifesto do Surrealismo" e aqueles artistas que não agiam nem compartilhavam com as idéias do poeta foram expulsos do movimento. Breton achava que o artista não poderia deixar de ser racional apenas em sua arte, mas deveria agir assim em todas as circunstâncias.
Até o fim da Segunda Guerra Mundial, o surrealismo foi considerado pela opinião pública um "acidente" sem importância. Mas, por volta de 1950, constatou-se que o movimento marcou profundamente, não só a poesia, mas o romance, o teatro, as artes plásticas e o cinema. Os maiores expoentes do movimento foram Salvador Dalí, Max Ernst e René Magritte na pintura, Man Ray na fotografia e Luís Buñuel no cinema.
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A Turma do Sítio do Pica-pau Amarelo
Conheça os mais famosos personagens da literatura infantil brasileira e seu criador!
Imagine você agora em um sítio, longe da poluição e da correria das cidades grandes. Lá, você vai ouvir as fabulosas histórias de Dona Benta, uma velhinha simpática, e brincar com seus netos, Pedrinho e Narizinho. Não se assuste se uma boneca de pano passar correndo e gritando ao seu lado: é só a Emília, fazendo mais uma de suas travessuras. Nesse sítio, tudo é possível: os animais falam e tem até o Visconde de Sabugosa, um sabugo de milho que é cientista!
E aí, conseguiu imaginar? Pois esse lugar existe e chama-se Sítio do Pica-pau Amarelo. Para ir lá não precisa sair de casa: basta abrir os livros de Monteiro Lobato, o maior escritor de histórias infantis que o Brasil já teve. Seus livros encantam crianças há cerca de 70 anos. Pergunte a seus pais: com certeza, eles cresceram ouvindo essas histórias. Hoje, mais de 50 anos depois de sua morte, os personagens que ele criou e o sítio onde eles moravam continuam vivos na memória de muita gente.
Nos livros de Monteiro Lobato, há uma fascinante mistura do folclore brasileiro com o de outros povos. Com a turma do Sítio do Pica-pau Amarelo, você fica conhecendo não só as curiosas criaturas que habitam nossas florestas, mas também personagens da mitologia grega, como Hércules. E ainda encontra velhos conhecidos seus, como Peter Pan, Popeye e o Gato Félix.
Entre uma aventura e outra, você descobre mundos incríveis, graças ao pozinho mágico de pirlimpimpim, fabricado pelo Visconde. Com uma pitada desse pó, você pode ir a Hollywood, a terra do cinema, ou conhecer a Grécia Antiga e encontrar o Minotauro, criatura mitológica que é metade homem e metade touro. É pouco? Que tal então ir à Lua e ver que a Terra é mesmo azul ou diminuir de tamanho até ficar da altura de um inseto? Parece ficção científica!
Além de divertidas, as histórias de Monteiro Lobato são instrutivas, recheadas de informação: a viagem à Lua é uma aula de astronomia; enquanto você conhece a Grécia, descobre a História. Com a turma do Sítio, aprender é uma aventura. Experimente, por exemplo, A Geografia de Dona Benta ou Emília no País da Gramática.
Monteiro Lobato ficou muito famoso pelas histórias que escreveu, mas fez também livros para adultos. Em um deles, inventou Jeca-Tatu, um caipira sem instrução. Com ele, o escritor tentava chamar a atenção das pessoas para as más condições de vida de grande parte da população brasileira.
O autor também traduzia histórias de escritores estrangeiros, como Alice no País das Maravilhas, As Viagens de Gulliver e Robinson Crusoé. Além de escritor e tradutor, Monteiro Lobato foi diplomata, jornalista, advogado e fazendeiro (ufa!). Ele nasceu em 1882, em Taubaté (São Paulo) e até que morresse, em 1948, se preocupou muito com os problemas do Brasil. Foi uma das primeiras pessoas a se engajar na preservação da natureza e lutava para que as pessoas tivessem saúde, educação e uma vida mais digna.
O programa Sítio do Pica-pau Amarelo fez enorme sucesso na década de 1980 entre adultos e crianças. Agora você pode conferir a nova versão do Sítio de segunda a sexta, às 11h30, no programa Bambuluá, da Rede Globo de Televisão. É diversão garantida!