Diretamente de Marte para você
Há novidades sobre o planeta vermelho. Vamos conhecê-las?
Em Marte, existe água, assim como uma substância que, na Terra, é consumida por plantas e microrganismos (foto: Wikipedia).
Extra! Extra! As descobertas mais recentes feitas no planeta Marte comprovam: há água no solo marciano, além de uma substância que também existe aqui na Terra em alguns desertos.
Em maio, pousou em Marte a sonda Phoenix: uma nave sem tripulação enviada pela agência espacial americana (a Nasa). Em julho, em uma amostra de solo marciano coletada por ela, os cientistas descobriram água. Um achado importante, já que a água, em estado líquido, é essencial para a manutenção da vida em todas as formas que conhecemos na Terra.
As descobertas, porém, não pararam por aí. Em agosto, sais de perclorato foram identificados no solo do planeta vermelho. Essa substância – que também está presente na Terra, em lugares como o deserto do Atacama, no Chile – é absorvida, em nosso planeta, como fonte de energia por organismos que vivem em condições extremas.
“Algumas plantas, como cactos e arbustos, por exemplo, absorvem essa substância. Alguns microrganismos também consomem o perclorato no solo, que pode ser utilizado até em fogos de artifício e em combustível para foguetes”, conta Eder Cassola Molina, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, da Universidade de São Paulo.
Análises de solo feitas pela sonda Phoenix trouxeram novidades a respeito do planeta vermelho (foto: Nasa).
A localização de água e de sais de perclorato em amostras de solo marciano aumentou a curiosidade dos cientistas sobre a possibilidade de existência de vida no planeta vermelho. Sabe por quê? “Na busca por condições de vida extraterrestre, estas descobertas são muito importantes e podem reavivar a possibilidade da existência de algum tipo de vida em algum momento na história de outro planeta”, explica Eder Molina.
As análises do solo marciano, porém, ainda não terminaram. Os cientistas responsáveis pela missão em Marte resolveram divulgar informações – como a descoberta do sal de perclorato – assim que as receberam, mesmo antes de confirmá-las por outros métodos de pesquisa. Uma maneira de fazer o público acompanhar passo a passo o desenvolvimento das descobertas científicas.
Vale, porém, o alerta: as amostras do solo marciano analisadas são mais ou menos do tamanho de uma colher de café, coletadas de uma região específica onde a Phoenix pousou. Muito mais pode haver em outros locais. Por isso, as amostras não representam Marte por completo. Mas a missão continua e até lá outras novidades podem surgir. Portanto, fique atento às notícias sobre Marte!
Física e Química
Plásticos do futuro
Eles se desintegram facilmente na natureza e podem ser feitos até de mandioca
Este é o filme plástico feito com mandioca. (Fotos cedidas pelas pesquisadoras)
Já parou para pensar quantos objetos são feitos de plástico? Há brinquedos, copos, pratos, garrafas, mesas, cadeiras e tantos outros que é impossível listar todos. Apesar de útil, o plástico não é o melhor amigo da natureza. Feito de petróleo, ele demora muito tempo para se decompor, pode levar até 100 anos. Enquanto isso prejudica o meio ambiente. Atentos à importância desse material, mas também à quantidade de lixo que ele pode gerar, os cientistas estão produzindo plásticos a partir de matéria-prima biodegradável – isto é, que desaparece rapidamente na natureza. Esses novos plásticos podem ser reciclados e – acredite! – até mesmo ingeridos, sem fazer mal.
Um plástico feito de mandioca
Ele foi desenvolvido para servir de embalagem para alimentos como bombons, balas, sanduíches e biscoitos, podendo até ser mastigado junto com o produto. É, esse plástico você pode comer! Isso porque ele é feito a partir da mandioca.
Para produzi-lo, amido da mandioca, açúcares e outros componentes são misturados com água. Esse mingau é então aquecido, espalhado em placas e colocado em estufa para secar. O resultado é um plástico bem fininho, chamado de filme.
Livre de micróbios
Se a receita do plástico de mandioca incluir cravo, canela, pimenta, café, óleo de laranja, mel ou própolis, a embalagem feita com esse material será capaz de retardar o crescimento de microrganismos que fazem o alimento estragar. Isso porque esses ingredientes combatem naturalmente os micróbios.
Foi a engenheira de alimentos Pricila Veiga dos Santos, da Universidade Estadual de Campinas, quem teve a idéia de criar um plástico desse tipo. “O Brasil é o segundo produtor mundial de mandioca. O plástico feito com este produto é biodegradável, o que ajudaria a reduzir o impacto ambiental causado pelas embalagens plásticas convencionais”, explica a engenheira química Cynthia Ditchfield, do Laboratório de Engenharia de Alimentos do Departamento de Engenharia Química da Universidade de São Paulo, que há um ano assumiu a pesquisa iniciada por Priscila.
Uma embalagem feita de plástico comum demora cerca de um século para se decompor, já a que é feita à base de mandioca e açúcares leva apenas alguns meses, reduzindo o impacto ambiental causado pelas embalagens atuais. O plástico de mandioca tem ainda outros encantos. De acordo com os ingredientes adicionados em sua receita, ele pode adquirir propriedades que ajudam na conservação dos alimentos ou mesmo mostrar quando eles estão estragados (leia os boxes Livre de micróbios e A cor da saúde ). Só não há ainda previsão de quando ele poderá chegar ao mercado.
A cor da saúde
Adicionando-se extrato de uva ou de repolho roxo à receita do plástico de mandioca, a embalagem feita com esse material pode revelar se o produto que ela contém está estragado. Isso porque a uva e o repolho roxo são alimentos ricos em pigmentos que mudam de cor com a acidez. E como a acidez de um alimento se altera quando ele estraga... A embalagem em contato com ele mudaria sua cor (veja a foto).
De plástico se faz plástico... biodegradável
O plástico comum leva até um século para desaparecer da natureza. Porém, cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e da Universidade da Região de Joinville, em Santa Catarina, criaram uma variação que se decompõe entre 45 dias e sete meses. A base desse novo plástico é plástico também, mais especificamente o de garrafas PET – aquelas usadas para embalar refrigerantes.
Os pesquisadores lavam e cortam as garrafas e, em seguida, colocam-nas, junto com substâncias biodegradáveis, em um equipamento chamado reator. “O reator é aquecido em alta temperatura e pressão e um novo plástico é produzido. Ele terá em sua estrutura partes do plástico PET e partes das substâncias biodegradáveis”, diz a química Ana Paula Testa Pezzin, da Universidade de Joinville, coordenadora de projeto.
As amostras de plástico são, então, enterradas no solo, para se observar o tempo que levam para se decompor. Comprovou-se que o plástico produzido se deteriora mais facilmente na natureza, graças à ação dos microrganismos. “Eles assimilam o plástico como alimento até que ele desaparece, deixando apenas resíduos, que são seguros e não tóxicos ao ambiente”, conta Ana Paula.
Veja (no alto) como ficou o plástico biodegradável após 45 dias enterrado no solo.
As pesquisas com o plástico biodegradável ainda estão em andamento. Mas o consumo das garrafas PET no mundo continua sendo de milhões de toneladas. Então, imagine todo esse lixo levando centenas de anos para desaparecer. É ou não é um problema a se resolver?
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Química da digestão
Para viver, entre outras coisas, precisamos de energia. Essa energia usada pelo nosso organismo vem das reações químicas que acontecem nas nossas células.
Podemos nos comparar a uma fábrica que funciona 24 horas por dia. Vivemos fazendo e refazendo os materiais de nossas células. Quando andamos, cantamos, pensamos, trabalhamos ou brincamos, estamos consumindo energia química gerada pelo nosso próprio organismo. E o nosso combustível vem dos alimentos que comemos.
No motor do carro, por exemplo, a gasolina ou o álcool misturam-se com o ar, produzindo a combustão, que é uma reação química entre o combustível e o oxigênio do ar. Do mesmo modo, nas células do nosso organismo, os alimentos reagem com o oxigênio para produzir energia.
No nosso corpo, os alimentos são transformados nos seus componentes mais simples, equivalentes à gasolina ou ao álcool, e, portanto, mais fáceis de queimar. O processo se faz através de um grande número de reações químicas que começam a se produzir na boca, seguem no estômago e acabam nos intestinos. Daí, esses componentes são transportados pelo sangue até as células. Tudo isso também consome energia.
A energia necessária para todas essas transformações é produzida pela reação química entre esses componentes mais simples, que são o nosso combustível, e o oxigênio do ar. Essa é uma verdadeira combustão, mas uma combustão sem chamas, que se faz dentro de pequenas formações que existem nas células, as mitocôndrias, que são nossas verdadeiras usinas de energia.
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Ciência para fazer bolo
Três xícaras de farinha de trigo, três xícaras de açúcar, três ovos, um copo de leite, uma colher de manteiga e uma colher de fermento. Bata a manteiga com o açúcar até formar uma pasta. Depois, acrescente as gemas. Vá adicionando a farinha, o fermento e o leite sem parar de mexer. Como última etapa, bata as claras em neve e misture tudo. Coloque a massa em um tabuleiro e leve-a ao forno pré-aquecido. Em alguns minutos você poderá saborear um apetitoso bolo! Mas como foi que aquela massa viscosa mudou de aparência, transformando-se numa delícia de dar água na boca?
O fermento é o principal elemento da transformação. É ele o responsável pelo o aumento do volume do bolo, que acontece assim: a temperatura alta faz com que o fermento libere gás carbônico (o mesmo das bolhinhas de refrigerante). Esse gás se expande e faz o bolo crescer. O único problema é que, depois de um tempo, o gás carbônico escapa (como no refrigerante) e, sem ele, o bolo murcha. Mas isso não acontece graças aos outros ingredientes.
A própria mistura (e também as claras em neve!) possui pequenas bolhas de ar que ajudam a dar sustentação à massa. Depois, o calor do forno colabora com essa sustentação na medida em que vai solidificando à massa. Nessa passagem para o estado sólido, os ovos se ligam ao leite, formando filamentos (fios muito finos). E a farinha de trigo absorve o líquido, transformando-se em uma substância parecida com a gelatina. Tudo isso ajuda a manter o bolo de pé, mesmo depois de o gás carbônico escapar.
Sei não, mas acho que esse papo de química da culinária dá uma fome!
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O balão que não estoura
Surpreenda seus amigos com um incrível experimento!
Era um dia daqueles deliciosos para ler na rede. Mas a Diná, que adora provocar o Rex, veio acabar com o sossego: "Duvido de que você consiga furar um balão de aniversário com uma agulha e ele ficar inteiro!" Nosso pequeno dinossauro bem tentou, mas só foi descobrir que mágica é essa depois de encher uma sala com pedaços de nosso balão!
Se quer aprender com o Rex, é fácil: pegue um balão, encha bem e depois pegue durex e faça uma cruz de fita adesiva num lado do balão. Faça uma outra cruz do lado oposto. Em seguida, arrume uma agulha bem longa e afiada ou então enfie a ponta de um fio de arame, reto, com uma lima. Outra opção é fazer uma vareta pontuda de bambu ou madeira.
Tome coragem (!) e enfie a agulha (ou arame, ou vareta...) pelo centro da cruz de durex. Você consegue atravessar o balão e fazer a agulha sair pelo outro lado sem estourá-lo!
Mas por que não estoura? Em ciência, muitas vezes é interessante inverter uma pergunta, para se chegar a uma resposta razoável. Podemos perguntar: Por que nosso balão deveria estourar? Ou melhor: por que estouram os balões quando são furados? Em seguida, podemos ver o que nosso balão tem para não estourar.
Quando furamos um balão surge um buraco ao redor da agulha, rodeado por pequenas fendas, como mostra o desenho abaixo (1). Cada uma dessas fendas sofre a ação de tensões que tendem a abri-las cada vez mais. No desenho (2), mostramos o detalhe do buraco e uma fenda, indicando por setas as forças que tendem a abri-la. Elas funcionam como alavancas que forçam a abertura: elas rasgam a borracha do balão.
A fenda mais comprida acaba abrindo cada vez mais até dividir o balão. Quer uma prova de que isso é verdade? É só analisar um balão (sem durex!) que estourou: são sempre dois pedaços, formados pela maior fenda ao redor do buraco que a agulha fez e não muitos como a gente poderia pensar. Tudo isso acontece muito rápido e o ar dentro do balão, que estava numa pressão mais alta, expande-se de repente. Isso gera uma onda de choque no ambiente que chega ao nosso ouvido e dá uma sensação de um estouro.
E o que fez a fita adesiva no nosso balão? Ora, ela simplesmente compensou as forças e impediu que as pequenas fendas ao redor do buraco se abrissem mais e... o balão continuou inteiro!
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Para fugir dos raios
Pesquisadores mapearam os estados do Brasil mais atingidos por descargas elétricas
CABRUMMMM! Quando se aproximam as nuvens escuras, teremos vento e chuva na certa. Além, é claro, daqueles clarões que riscam o céu e fazem o maior barulhão: os raios! Para muitos, os raios são um maravilhoso espetáculo da natureza, mas há quem se estremeça, ao menor sinal de tempestade, com medo de ser atingido por eles. Para estes, aí vai uma notícia: pesquisadores localizaram as regiões do Brasil onde caem mais raios.
A idéia de registrar os lugares que recebem mais descargas elétricas surgiu em 1980 e foi conduzida por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), em São Paulo. Para fazer a pesquisa, eles utilizaram a “Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas” (RINDAT), uma rede de sensores – aparelhos que percebem os raios – que permitiu mapear as áreas mais afetadas por eles.
O RINDAT possui, hoje, 26 sensores distribuídos em sete estados do Brasil, que captam onde e quando os raios caem. Osmar Pinto Júnior, pesquisador do INPE e coordenador do trabalho, conta que em todas as regiões do país, com exceção do Nordeste, há uma grande ocorrência de raios. “O conhecimento das áreas afetadas pelos raios permite que a comunidade se proteja de forma mais adequada nestas regiões diminuindo, assim, os danos causados pelas descargas elétricas”, diz ele.
O mapa acima mostra as regiões com maior incidência de raios em alguns estados. Clique na imagem para ampliá-la.
Mas afinal, o que são raios? São descargas ou faíscas elétricas intensas que ocorrem na atmosfera. Eles são semelhantes às correntes elétricas que fazem funcionar os eletrodomésticos em nossa casa. Mas são muito mais fortes, por isso, quando caem, costumam causar grandes estragos. Ao contrário do que muitos pensam, o raio não é causado pelo choque das nuvens, mas originado dentro delas. No interior das nuvens existem partículas de gelo que se chocam e ficam carregadas de eletricidade.
Sempre que roncar trovoada, é bom se proteger. Elas indicam que os raios estão próximos. Além de causar danos materiais, como afetar a estrutura dos lugares onde caem, se um raio atingir uma pessoa diretamente, na maioria das vezes, ela morre. Por isso, todo cuidado é pouco. Mesmo que sua região não seja a preferida dos raios, é sempre bom tomar algumas precauções. Se possível, não saia na rua durante uma tempestade. Se for pego de surpresa por ela, procure abrigo em casas, prédios ou automóveis. Dê preferência às construções que tenham proteção contra raios, os famosos pára-raios – aparelhos que contém uma haste metálica ligada a terra, que atrai os raios e evita que eles se espalhem e causem danos.
Com todo esse papo, seu interesse por essa história de raios deve ter aumentado. Quer saber mais sobre o assunto? Então, visite o site do INPE (www.cea.inpe.br/elat) e acesse o link “prevenções”. Lá você fica por dentro do que fazer quando vier um temporal. Afinal, a melhor maneira de se proteger é estando bem informado!
Eles se desintegram facilmente na natureza e podem ser feitos até de mandioca
Este é o filme plástico feito com mandioca. (Fotos cedidas pelas pesquisadoras)
Já parou para pensar quantos objetos são feitos de plástico? Há brinquedos, copos, pratos, garrafas, mesas, cadeiras e tantos outros que é impossível listar todos. Apesar de útil, o plástico não é o melhor amigo da natureza. Feito de petróleo, ele demora muito tempo para se decompor, pode levar até 100 anos. Enquanto isso prejudica o meio ambiente. Atentos à importância desse material, mas também à quantidade de lixo que ele pode gerar, os cientistas estão produzindo plásticos a partir de matéria-prima biodegradável – isto é, que desaparece rapidamente na natureza. Esses novos plásticos podem ser reciclados e – acredite! – até mesmo ingeridos, sem fazer mal.
Um plástico feito de mandioca
Ele foi desenvolvido para servir de embalagem para alimentos como bombons, balas, sanduíches e biscoitos, podendo até ser mastigado junto com o produto. É, esse plástico você pode comer! Isso porque ele é feito a partir da mandioca.
Para produzi-lo, amido da mandioca, açúcares e outros componentes são misturados com água. Esse mingau é então aquecido, espalhado em placas e colocado em estufa para secar. O resultado é um plástico bem fininho, chamado de filme.
Livre de micróbios
Se a receita do plástico de mandioca incluir cravo, canela, pimenta, café, óleo de laranja, mel ou própolis, a embalagem feita com esse material será capaz de retardar o crescimento de microrganismos que fazem o alimento estragar. Isso porque esses ingredientes combatem naturalmente os micróbios.
Foi a engenheira de alimentos Pricila Veiga dos Santos, da Universidade Estadual de Campinas, quem teve a idéia de criar um plástico desse tipo. “O Brasil é o segundo produtor mundial de mandioca. O plástico feito com este produto é biodegradável, o que ajudaria a reduzir o impacto ambiental causado pelas embalagens plásticas convencionais”, explica a engenheira química Cynthia Ditchfield, do Laboratório de Engenharia de Alimentos do Departamento de Engenharia Química da Universidade de São Paulo, que há um ano assumiu a pesquisa iniciada por Priscila.
Uma embalagem feita de plástico comum demora cerca de um século para se decompor, já a que é feita à base de mandioca e açúcares leva apenas alguns meses, reduzindo o impacto ambiental causado pelas embalagens atuais. O plástico de mandioca tem ainda outros encantos. De acordo com os ingredientes adicionados em sua receita, ele pode adquirir propriedades que ajudam na conservação dos alimentos ou mesmo mostrar quando eles estão estragados (leia os boxes Livre de micróbios e A cor da saúde ). Só não há ainda previsão de quando ele poderá chegar ao mercado.
A cor da saúde
Adicionando-se extrato de uva ou de repolho roxo à receita do plástico de mandioca, a embalagem feita com esse material pode revelar se o produto que ela contém está estragado. Isso porque a uva e o repolho roxo são alimentos ricos em pigmentos que mudam de cor com a acidez. E como a acidez de um alimento se altera quando ele estraga... A embalagem em contato com ele mudaria sua cor (veja a foto).
De plástico se faz plástico... biodegradável
O plástico comum leva até um século para desaparecer da natureza. Porém, cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e da Universidade da Região de Joinville, em Santa Catarina, criaram uma variação que se decompõe entre 45 dias e sete meses. A base desse novo plástico é plástico também, mais especificamente o de garrafas PET – aquelas usadas para embalar refrigerantes.
Os pesquisadores lavam e cortam as garrafas e, em seguida, colocam-nas, junto com substâncias biodegradáveis, em um equipamento chamado reator. “O reator é aquecido em alta temperatura e pressão e um novo plástico é produzido. Ele terá em sua estrutura partes do plástico PET e partes das substâncias biodegradáveis”, diz a química Ana Paula Testa Pezzin, da Universidade de Joinville, coordenadora de projeto.
As amostras de plástico são, então, enterradas no solo, para se observar o tempo que levam para se decompor. Comprovou-se que o plástico produzido se deteriora mais facilmente na natureza, graças à ação dos microrganismos. “Eles assimilam o plástico como alimento até que ele desaparece, deixando apenas resíduos, que são seguros e não tóxicos ao ambiente”, conta Ana Paula.
Veja (no alto) como ficou o plástico biodegradável após 45 dias enterrado no solo.
As pesquisas com o plástico biodegradável ainda estão em andamento. Mas o consumo das garrafas PET no mundo continua sendo de milhões de toneladas. Então, imagine todo esse lixo levando centenas de anos para desaparecer. É ou não é um problema a se resolver?
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Química da digestão
Para viver, entre outras coisas, precisamos de energia. Essa energia usada pelo nosso organismo vem das reações químicas que acontecem nas nossas células.
Podemos nos comparar a uma fábrica que funciona 24 horas por dia. Vivemos fazendo e refazendo os materiais de nossas células. Quando andamos, cantamos, pensamos, trabalhamos ou brincamos, estamos consumindo energia química gerada pelo nosso próprio organismo. E o nosso combustível vem dos alimentos que comemos.
No motor do carro, por exemplo, a gasolina ou o álcool misturam-se com o ar, produzindo a combustão, que é uma reação química entre o combustível e o oxigênio do ar. Do mesmo modo, nas células do nosso organismo, os alimentos reagem com o oxigênio para produzir energia.
No nosso corpo, os alimentos são transformados nos seus componentes mais simples, equivalentes à gasolina ou ao álcool, e, portanto, mais fáceis de queimar. O processo se faz através de um grande número de reações químicas que começam a se produzir na boca, seguem no estômago e acabam nos intestinos. Daí, esses componentes são transportados pelo sangue até as células. Tudo isso também consome energia.
A energia necessária para todas essas transformações é produzida pela reação química entre esses componentes mais simples, que são o nosso combustível, e o oxigênio do ar. Essa é uma verdadeira combustão, mas uma combustão sem chamas, que se faz dentro de pequenas formações que existem nas células, as mitocôndrias, que são nossas verdadeiras usinas de energia.
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Ciência para fazer bolo
Três xícaras de farinha de trigo, três xícaras de açúcar, três ovos, um copo de leite, uma colher de manteiga e uma colher de fermento. Bata a manteiga com o açúcar até formar uma pasta. Depois, acrescente as gemas. Vá adicionando a farinha, o fermento e o leite sem parar de mexer. Como última etapa, bata as claras em neve e misture tudo. Coloque a massa em um tabuleiro e leve-a ao forno pré-aquecido. Em alguns minutos você poderá saborear um apetitoso bolo! Mas como foi que aquela massa viscosa mudou de aparência, transformando-se numa delícia de dar água na boca?
O fermento é o principal elemento da transformação. É ele o responsável pelo o aumento do volume do bolo, que acontece assim: a temperatura alta faz com que o fermento libere gás carbônico (o mesmo das bolhinhas de refrigerante). Esse gás se expande e faz o bolo crescer. O único problema é que, depois de um tempo, o gás carbônico escapa (como no refrigerante) e, sem ele, o bolo murcha. Mas isso não acontece graças aos outros ingredientes.
A própria mistura (e também as claras em neve!) possui pequenas bolhas de ar que ajudam a dar sustentação à massa. Depois, o calor do forno colabora com essa sustentação na medida em que vai solidificando à massa. Nessa passagem para o estado sólido, os ovos se ligam ao leite, formando filamentos (fios muito finos). E a farinha de trigo absorve o líquido, transformando-se em uma substância parecida com a gelatina. Tudo isso ajuda a manter o bolo de pé, mesmo depois de o gás carbônico escapar.
Sei não, mas acho que esse papo de química da culinária dá uma fome!
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O balão que não estoura
Surpreenda seus amigos com um incrível experimento!
Era um dia daqueles deliciosos para ler na rede. Mas a Diná, que adora provocar o Rex, veio acabar com o sossego: "Duvido de que você consiga furar um balão de aniversário com uma agulha e ele ficar inteiro!" Nosso pequeno dinossauro bem tentou, mas só foi descobrir que mágica é essa depois de encher uma sala com pedaços de nosso balão!
Se quer aprender com o Rex, é fácil: pegue um balão, encha bem e depois pegue durex e faça uma cruz de fita adesiva num lado do balão. Faça uma outra cruz do lado oposto. Em seguida, arrume uma agulha bem longa e afiada ou então enfie a ponta de um fio de arame, reto, com uma lima. Outra opção é fazer uma vareta pontuda de bambu ou madeira.
Tome coragem (!) e enfie a agulha (ou arame, ou vareta...) pelo centro da cruz de durex. Você consegue atravessar o balão e fazer a agulha sair pelo outro lado sem estourá-lo!
Mas por que não estoura? Em ciência, muitas vezes é interessante inverter uma pergunta, para se chegar a uma resposta razoável. Podemos perguntar: Por que nosso balão deveria estourar? Ou melhor: por que estouram os balões quando são furados? Em seguida, podemos ver o que nosso balão tem para não estourar.
Quando furamos um balão surge um buraco ao redor da agulha, rodeado por pequenas fendas, como mostra o desenho abaixo (1). Cada uma dessas fendas sofre a ação de tensões que tendem a abri-las cada vez mais. No desenho (2), mostramos o detalhe do buraco e uma fenda, indicando por setas as forças que tendem a abri-la. Elas funcionam como alavancas que forçam a abertura: elas rasgam a borracha do balão.
A fenda mais comprida acaba abrindo cada vez mais até dividir o balão. Quer uma prova de que isso é verdade? É só analisar um balão (sem durex!) que estourou: são sempre dois pedaços, formados pela maior fenda ao redor do buraco que a agulha fez e não muitos como a gente poderia pensar. Tudo isso acontece muito rápido e o ar dentro do balão, que estava numa pressão mais alta, expande-se de repente. Isso gera uma onda de choque no ambiente que chega ao nosso ouvido e dá uma sensação de um estouro.
E o que fez a fita adesiva no nosso balão? Ora, ela simplesmente compensou as forças e impediu que as pequenas fendas ao redor do buraco se abrissem mais e... o balão continuou inteiro!
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Para fugir dos raios
Pesquisadores mapearam os estados do Brasil mais atingidos por descargas elétricas
CABRUMMMM! Quando se aproximam as nuvens escuras, teremos vento e chuva na certa. Além, é claro, daqueles clarões que riscam o céu e fazem o maior barulhão: os raios! Para muitos, os raios são um maravilhoso espetáculo da natureza, mas há quem se estremeça, ao menor sinal de tempestade, com medo de ser atingido por eles. Para estes, aí vai uma notícia: pesquisadores localizaram as regiões do Brasil onde caem mais raios.
A idéia de registrar os lugares que recebem mais descargas elétricas surgiu em 1980 e foi conduzida por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), em São Paulo. Para fazer a pesquisa, eles utilizaram a “Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas” (RINDAT), uma rede de sensores – aparelhos que percebem os raios – que permitiu mapear as áreas mais afetadas por eles.
O RINDAT possui, hoje, 26 sensores distribuídos em sete estados do Brasil, que captam onde e quando os raios caem. Osmar Pinto Júnior, pesquisador do INPE e coordenador do trabalho, conta que em todas as regiões do país, com exceção do Nordeste, há uma grande ocorrência de raios. “O conhecimento das áreas afetadas pelos raios permite que a comunidade se proteja de forma mais adequada nestas regiões diminuindo, assim, os danos causados pelas descargas elétricas”, diz ele.
O mapa acima mostra as regiões com maior incidência de raios em alguns estados. Clique na imagem para ampliá-la.
Mas afinal, o que são raios? São descargas ou faíscas elétricas intensas que ocorrem na atmosfera. Eles são semelhantes às correntes elétricas que fazem funcionar os eletrodomésticos em nossa casa. Mas são muito mais fortes, por isso, quando caem, costumam causar grandes estragos. Ao contrário do que muitos pensam, o raio não é causado pelo choque das nuvens, mas originado dentro delas. No interior das nuvens existem partículas de gelo que se chocam e ficam carregadas de eletricidade.
Sempre que roncar trovoada, é bom se proteger. Elas indicam que os raios estão próximos. Além de causar danos materiais, como afetar a estrutura dos lugares onde caem, se um raio atingir uma pessoa diretamente, na maioria das vezes, ela morre. Por isso, todo cuidado é pouco. Mesmo que sua região não seja a preferida dos raios, é sempre bom tomar algumas precauções. Se possível, não saia na rua durante uma tempestade. Se for pego de surpresa por ela, procure abrigo em casas, prédios ou automóveis. Dê preferência às construções que tenham proteção contra raios, os famosos pára-raios – aparelhos que contém uma haste metálica ligada a terra, que atrai os raios e evita que eles se espalhem e causem danos.
Com todo esse papo, seu interesse por essa história de raios deve ter aumentado. Quer saber mais sobre o assunto? Então, visite o site do INPE (www.cea.inpe.br/elat) e acesse o link “prevenções”. Lá você fica por dentro do que fazer quando vier um temporal. Afinal, a melhor maneira de se proteger é estando bem informado!
Geografia
A vida em alto-mar
Saiba como é o dia-a-dia de quem passa muito tempo a bordo de um barco a vela
Houve um tempo em que, para conhecer outros continentes e viajar por grandes distâncias, existia apenas uma maneira: ir pelo mar. Era a época das grandes navegações, período em que vários povos, sobretudo os europeus, realizaram longas viagens marítimas e chegaram a terras que, para eles, eram desconhecidas. Hoje grandes distâncias podem ser percorridas de avião, trem, ônibus. Mas há aqueles que ainda buscam navegar os sete mares e viver aventuras nos oceanos, em um barco a vela. Como deve ser o dia-a-dia dessas pessoas, que passam horas, meses ou até anos em alto-mar?
Para responder a essa pergunta, o capitão Paul Cayard conversou com cerca de 500 crianças no Rio de Janeiro, no final de março. Desse assunto ele entende: o norte-americano é heptacampeão de regatas – competições de barcos a velas –, ou seja, já venceu sete vezes esse tipo de campeonato. Agora participa da regata Volvo Ocean Race (em português, algo como Corrida Marítima Volvo), uma competição que acontece de quatro em quatro anos, dá a volta ao mundo e reúne barcos a vela de vários países, inclusive do Brasil.
A bordo do barco The Black Pearl ('A Pérola Negra'), Paul conta com uma tripulação de oito pessoas. Os Piratas do Caribe – como são chamados os tripulantes comandados por Cayard – têm várias funções. Uma delas consiste em ficar junto do mastro, localizado na proa (a parte dianteira da embarcação), para verificar as velas: vistoriar essas peças de tecido que impulsionam a embarcação com a força dos ventos para saber se elas estão em perfeito estado de conservação, por exemplo. Além dos Piratas do Caribe, no entanto, o capitão Paul tem ainda a ajuda de uma outra equipe, que fica em terra firme e é responsável por fazer qualquer reparo que seja necessário no barco.
O capitão Paul Cayard conversa com crianças do Rio de Janeiro sobre a vida em alto-mar.
Na conversa que teve com as crianças brasileiras, Paul Cayard explicou que, para ficar muito tempo no mar e viajar o mundo todo como ele faz, é preciso ser corajoso. Ele e sua tripulação enfrentam muitos perigos como icebergs e tempestades. Para navegar em clima muito frio, eles vestem uma roupa especial que tem três camadas. A primeira é feita de uma malha térmica – parecida com um moletom –, que mantém a temperatura corporal; a segunda é um macacão de material impermeável e a terceira também é uma roupa à prova d’água, porém mais resistente.
Para comer, a tripulação tem à sua disposição produtos congelados e desidratados, como macarrão e picadinhos de carne, que são pré-cozidos. Para prepará-los, basta colocar água fervendo e pronto! A água é esquentada em um fogareiro a gás, bem pequeno, de uma só boca.
Para navegar nos mares gelados, a tripulação precisa de uma roupa especial.
Água a bordo, aliás, deve ser poupada. Assim, tomar banho não é hábito de todos os dias para a tripulação. O líquido é transportado em tanques, que são acoplados de um lado e de outro do barco. Já ir ao banheiro é inevitável, então, existe uma cabine apropriada para as necessidades diárias do pessoal.
Por essas e outras, quem quiser se aventurar no mar deve estar preparado, com uma saúde de ferro e nervos de aço para enfrentar os perigos. Se você ficou enjoado só de ouvir falar no mar, não fique triste: é possível acompanhar as aventuras do comandante Paul Cayard e de outros barcos que participam da Volvo Ocean Race pela internet, na página da competição. Ela está em inglês, mas tenho certeza de que algum amigo que sabe essa língua vai querer navegar com vocês por esse mar de informação!
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Chove chuva, chove sem parar
Sabia que o lugar mais chuvoso do Brasil fica no Amapá?
(Ilustração Maurício Veneza)
De janeiro a junho, chove praticamente todos os dias em um certo município do Amapá. A cada mês são registrados mais de 25 dias chuvosos. Mas não é só isso que impressiona. Anualmente, são, em média, 4.165 milímetros de chuva que caem das nuvens: o equivalente a pouco mais de quatro litros de água. Parece pouco? Então, saiba que, se toda essa chuva não escorresse e nem fosse absorvida pelo solo, o município amapaense se transformaria em uma piscina com quatro metros de profundidade em um ano!
Mas, afinal, qual o nome desse incrível lugar? Meninos e meninas, anotem aí: é Calçoene. Esse município amapaense de cerca de sete mil habitantes acaba de ganhar o título de lugar mais chuvoso do país, desbancando a região da Serra do Mar entre Paranapiacaba e Itapanhaú, em São Paulo, até então apontada como o local onde mais chovia no Brasil, com média anual de 3.600 milímetros de chuva.
O responsável por colocar Calçoene no mapa das chuvas é Daniel Pereira Guimarães, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, de Minas Gerais. Daniel realizou um trabalho e tanto. Ele analisou o que os especialistas chamam de séries históricas de chuvas: isto é, quanto choveu, a cada dia, em determinado lugar do país. O pesquisador analisou os dados coletados por mais de 400 estações meteorológicas da Amazônia e, então, encontrou informações sobre o município amapaense, onde, no ano 2000, chegou a chover sete mil milímetros. Para se ter uma idéia do que isso significa, saiba que a média, no país, é de 1.300 a 1.500 milímetros de chuva por ano.
(Ilustração Alvim)
Mas por que somente agora Calçoene ganhou o merecido título de lugar mais chuvoso do país? Segundo Daniel, o município não aparecia em estudos anteriores por falta de dados confiáveis. “As informações sobre a quantidade de chuva no país estavam dispersas e não seguiam o mesmo padrão”, explica ele. Com a criação da Agência Nacional das Águas, no ano 2000, essa situação mudou. Foram organizados bancos de dados com séries históricas de todos os estados brasileiros, que têm informações consideradas confiáveis, por terem sido coletadas ao longo de, pelo menos, trinta anos.
Além de colocar o município de Calçoene no topo do ranking dos lugares mais chuvosos do Brasil, o trabalho do pesquisador da Embrapa mostrou ainda que existem áreas na Amazônia que são extremamente secas, como algumas localizadas no nordeste de Roraima. Ter informações como essas – que retratam onde chove mais ou menos – é fundamental para a agricultura. “Dessa forma, é possível indicar qual tipo de cultura deve ser plantada em determinada região e em qual época. Mas ainda há aplicações úteis também para áreas urbanas. É possível definir as áreas de riscos de enchentes e inundações, por exemplo, assim como o tamanho ideal das redes que coletam as chuvas, os bueiros para escoar a água etc.”, explica Daniel. Para você ver que ficar de olho nas chuvas é muito importante!
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Construa sua própria bússola!
Você pode fabricar esse instrumento de orientação com materiais simples e baratos
Que tal construir você mesmo sua própria bússola? Esse instrumento já era usado há cinco séculos pelos navegadores para se localizar nos oceanos! Pois você pode construir uma bússola com materiais simples e baratos. A agulha de uma bússola nada mais é do que um pequeno ímã que gira sobre um eixo. Assim, para construir uma, você precisa, em primeiro lugar, produzir esse pequeno ímã. Depois, é só montá-lo sobre um apoio, de forma que possa girar livremente.
Do que você precisa:
- um ímã em barra (desses usados para fechar portas de armário, por exemplo, facilmente encontrado em lojas de ferragens ou de materiais para construção);
- grampo metálico daqueles usados para fechar pastas (veja as figuras);
- martelo;
- um prego;
- uma rolha;
- uma agulha.
Como fazer:
1) Abra o grampo e dobre suas hastes.
2) Usando o prego e o martelo, faça uma pequena saliência na parte central da cabeça do grampo. O ponteiro da bússola está quase pronto. Agora, só falta imantá-lo.
3) Quando esfregamos um arame ou uma barrinha de aço ou de ferro sobre um ímã, obtemos novos ímãs. Portanto, pegue o ímã que você adquiriu e esfregue o grampo contra a lateral dele, tomando muito cuidado para não fazer movimentos de ida e volta durante o processo: esfregue o grampo somente em um sentido. Repita algumas vezes esse movimento e, pronto, o grampo estará imantado e, seu ponteiro, pronto.
4) Para fazer a base da bússola, enfie a agulha na rolha, deixando a ponta para cima. Equilibre o grampo sobre a ponta da agulha.
5) Pode acontecer de o grampo não ficar perfeitamente equilibrado. Para resolver esse problema, você pode enfiar pedacinhos de canudos de refresco nas pontas do grampo, até que o equilíbrio seja atingido.
6) Falta testar a bússola: aproxime o ímã de uma das extremidades do ponteiro. Se tudo estiver certo, ela deve ser atraída por um dos pólos do imã e repelida pelo outro. Se isso ocorrer, sua montagem está em ordem. Agora, afaste da bússola tanto o ímã como outros objetos metálicos: ela deverá funcionar como qualquer outra, ou seja, indicando a direção Norte-Sul.
Para saber mais sobre bússolas e eletromagnetismo, não deixe de conhecer o volume 12 da coleção Ciência Hoje na Escola, sobre Eletricidade.
Saiba como é o dia-a-dia de quem passa muito tempo a bordo de um barco a vela
Houve um tempo em que, para conhecer outros continentes e viajar por grandes distâncias, existia apenas uma maneira: ir pelo mar. Era a época das grandes navegações, período em que vários povos, sobretudo os europeus, realizaram longas viagens marítimas e chegaram a terras que, para eles, eram desconhecidas. Hoje grandes distâncias podem ser percorridas de avião, trem, ônibus. Mas há aqueles que ainda buscam navegar os sete mares e viver aventuras nos oceanos, em um barco a vela. Como deve ser o dia-a-dia dessas pessoas, que passam horas, meses ou até anos em alto-mar?
Para responder a essa pergunta, o capitão Paul Cayard conversou com cerca de 500 crianças no Rio de Janeiro, no final de março. Desse assunto ele entende: o norte-americano é heptacampeão de regatas – competições de barcos a velas –, ou seja, já venceu sete vezes esse tipo de campeonato. Agora participa da regata Volvo Ocean Race (em português, algo como Corrida Marítima Volvo), uma competição que acontece de quatro em quatro anos, dá a volta ao mundo e reúne barcos a vela de vários países, inclusive do Brasil.
A bordo do barco The Black Pearl ('A Pérola Negra'), Paul conta com uma tripulação de oito pessoas. Os Piratas do Caribe – como são chamados os tripulantes comandados por Cayard – têm várias funções. Uma delas consiste em ficar junto do mastro, localizado na proa (a parte dianteira da embarcação), para verificar as velas: vistoriar essas peças de tecido que impulsionam a embarcação com a força dos ventos para saber se elas estão em perfeito estado de conservação, por exemplo. Além dos Piratas do Caribe, no entanto, o capitão Paul tem ainda a ajuda de uma outra equipe, que fica em terra firme e é responsável por fazer qualquer reparo que seja necessário no barco.
O capitão Paul Cayard conversa com crianças do Rio de Janeiro sobre a vida em alto-mar.
Na conversa que teve com as crianças brasileiras, Paul Cayard explicou que, para ficar muito tempo no mar e viajar o mundo todo como ele faz, é preciso ser corajoso. Ele e sua tripulação enfrentam muitos perigos como icebergs e tempestades. Para navegar em clima muito frio, eles vestem uma roupa especial que tem três camadas. A primeira é feita de uma malha térmica – parecida com um moletom –, que mantém a temperatura corporal; a segunda é um macacão de material impermeável e a terceira também é uma roupa à prova d’água, porém mais resistente.
Para comer, a tripulação tem à sua disposição produtos congelados e desidratados, como macarrão e picadinhos de carne, que são pré-cozidos. Para prepará-los, basta colocar água fervendo e pronto! A água é esquentada em um fogareiro a gás, bem pequeno, de uma só boca.
Para navegar nos mares gelados, a tripulação precisa de uma roupa especial.
Água a bordo, aliás, deve ser poupada. Assim, tomar banho não é hábito de todos os dias para a tripulação. O líquido é transportado em tanques, que são acoplados de um lado e de outro do barco. Já ir ao banheiro é inevitável, então, existe uma cabine apropriada para as necessidades diárias do pessoal.
Por essas e outras, quem quiser se aventurar no mar deve estar preparado, com uma saúde de ferro e nervos de aço para enfrentar os perigos. Se você ficou enjoado só de ouvir falar no mar, não fique triste: é possível acompanhar as aventuras do comandante Paul Cayard e de outros barcos que participam da Volvo Ocean Race pela internet, na página da competição. Ela está em inglês, mas tenho certeza de que algum amigo que sabe essa língua vai querer navegar com vocês por esse mar de informação!
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Chove chuva, chove sem parar
Sabia que o lugar mais chuvoso do Brasil fica no Amapá?
(Ilustração Maurício Veneza)
De janeiro a junho, chove praticamente todos os dias em um certo município do Amapá. A cada mês são registrados mais de 25 dias chuvosos. Mas não é só isso que impressiona. Anualmente, são, em média, 4.165 milímetros de chuva que caem das nuvens: o equivalente a pouco mais de quatro litros de água. Parece pouco? Então, saiba que, se toda essa chuva não escorresse e nem fosse absorvida pelo solo, o município amapaense se transformaria em uma piscina com quatro metros de profundidade em um ano!
Mas, afinal, qual o nome desse incrível lugar? Meninos e meninas, anotem aí: é Calçoene. Esse município amapaense de cerca de sete mil habitantes acaba de ganhar o título de lugar mais chuvoso do país, desbancando a região da Serra do Mar entre Paranapiacaba e Itapanhaú, em São Paulo, até então apontada como o local onde mais chovia no Brasil, com média anual de 3.600 milímetros de chuva.
O responsável por colocar Calçoene no mapa das chuvas é Daniel Pereira Guimarães, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, de Minas Gerais. Daniel realizou um trabalho e tanto. Ele analisou o que os especialistas chamam de séries históricas de chuvas: isto é, quanto choveu, a cada dia, em determinado lugar do país. O pesquisador analisou os dados coletados por mais de 400 estações meteorológicas da Amazônia e, então, encontrou informações sobre o município amapaense, onde, no ano 2000, chegou a chover sete mil milímetros. Para se ter uma idéia do que isso significa, saiba que a média, no país, é de 1.300 a 1.500 milímetros de chuva por ano.
(Ilustração Alvim)
Mas por que somente agora Calçoene ganhou o merecido título de lugar mais chuvoso do país? Segundo Daniel, o município não aparecia em estudos anteriores por falta de dados confiáveis. “As informações sobre a quantidade de chuva no país estavam dispersas e não seguiam o mesmo padrão”, explica ele. Com a criação da Agência Nacional das Águas, no ano 2000, essa situação mudou. Foram organizados bancos de dados com séries históricas de todos os estados brasileiros, que têm informações consideradas confiáveis, por terem sido coletadas ao longo de, pelo menos, trinta anos.
Além de colocar o município de Calçoene no topo do ranking dos lugares mais chuvosos do Brasil, o trabalho do pesquisador da Embrapa mostrou ainda que existem áreas na Amazônia que são extremamente secas, como algumas localizadas no nordeste de Roraima. Ter informações como essas – que retratam onde chove mais ou menos – é fundamental para a agricultura. “Dessa forma, é possível indicar qual tipo de cultura deve ser plantada em determinada região e em qual época. Mas ainda há aplicações úteis também para áreas urbanas. É possível definir as áreas de riscos de enchentes e inundações, por exemplo, assim como o tamanho ideal das redes que coletam as chuvas, os bueiros para escoar a água etc.”, explica Daniel. Para você ver que ficar de olho nas chuvas é muito importante!
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Construa sua própria bússola!
Você pode fabricar esse instrumento de orientação com materiais simples e baratos
Que tal construir você mesmo sua própria bússola? Esse instrumento já era usado há cinco séculos pelos navegadores para se localizar nos oceanos! Pois você pode construir uma bússola com materiais simples e baratos. A agulha de uma bússola nada mais é do que um pequeno ímã que gira sobre um eixo. Assim, para construir uma, você precisa, em primeiro lugar, produzir esse pequeno ímã. Depois, é só montá-lo sobre um apoio, de forma que possa girar livremente.
Do que você precisa:
- um ímã em barra (desses usados para fechar portas de armário, por exemplo, facilmente encontrado em lojas de ferragens ou de materiais para construção);
- grampo metálico daqueles usados para fechar pastas (veja as figuras);
- martelo;
- um prego;
- uma rolha;
- uma agulha.
Como fazer:
1) Abra o grampo e dobre suas hastes.
2) Usando o prego e o martelo, faça uma pequena saliência na parte central da cabeça do grampo. O ponteiro da bússola está quase pronto. Agora, só falta imantá-lo.
3) Quando esfregamos um arame ou uma barrinha de aço ou de ferro sobre um ímã, obtemos novos ímãs. Portanto, pegue o ímã que você adquiriu e esfregue o grampo contra a lateral dele, tomando muito cuidado para não fazer movimentos de ida e volta durante o processo: esfregue o grampo somente em um sentido. Repita algumas vezes esse movimento e, pronto, o grampo estará imantado e, seu ponteiro, pronto.
4) Para fazer a base da bússola, enfie a agulha na rolha, deixando a ponta para cima. Equilibre o grampo sobre a ponta da agulha.
5) Pode acontecer de o grampo não ficar perfeitamente equilibrado. Para resolver esse problema, você pode enfiar pedacinhos de canudos de refresco nas pontas do grampo, até que o equilíbrio seja atingido.
6) Falta testar a bússola: aproxime o ímã de uma das extremidades do ponteiro. Se tudo estiver certo, ela deve ser atraída por um dos pólos do imã e repelida pelo outro. Se isso ocorrer, sua montagem está em ordem. Agora, afaste da bússola tanto o ímã como outros objetos metálicos: ela deverá funcionar como qualquer outra, ou seja, indicando a direção Norte-Sul.
Para saber mais sobre bússolas e eletromagnetismo, não deixe de conhecer o volume 12 da coleção Ciência Hoje na Escola, sobre Eletricidade.
Eventos, Festas e Exposições
Teatro
A ciência sobe ao palco
Peça mostra o que acontece no nosso cérebro em várias situações. Até quando nos apaixonamos!
As estrelas da peça O neurônio apaixonado, em cartaz no Rio de Janeiro, são os neurônios que moram no cérebro de um menino chamado Pedro.
Zé Neurim é um neurônio, ou seja, uma célula que mora no cérebro do menino Pedro, o Ptix. Toda vez que Ptix pensa, anda, brinca, assiste televisão, faz o dever de casa, entre muitas outras tarefas, o Zé Neurim e seus amigos neurônios ficam conversando dentro do cérebro do garoto.
Porém, no dia em que Ptix avistou pela primeira vez a sua nova vizinha, a Camila, é que os neurônios mais trocaram mensagens. Isso porque o menino ficou corado, com o coração disparado e a testa suando. Zé Neurim pensou até que ele tinha ficado doente. Mas um outro neurônio da turma, o Acumbente dos Prazeres, assumiu que estava por trás de tudo isso.
Mas por que será que ele fez o Pedro ficar desse jeito, só por ter visto a Camila? É o que o Zé Neurim vai contar para você na peça O neurônio apaixonado, que estréia neste fim de semana no Rio de Janeiro e explica o que acontece no nosso cérebro em diferentes situações do cotidiano.
O espetáculo é baseado na coleção Aventuras de um neurônio lembrador, do neurocientista Roberto Lent, um dos fundadores do Instituto Ciência Hoje, que publica as revistas Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças. Então, não deixe de conferir essa história, que mistura ciência e diversão.
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A estrela da semana
De 3 a 9 de outubro, a ciência inspira mais de duas mil atividades em todo o país
Cartaz da Sermana Nacional de Ciência e Tecnologia
O que você acha de bancar o arqueólogo por um dia? Ou de trocar a aula do colégio por uma aula em um barco? Se for possível, que tal tentar descobrir, durante o trajeto, por que alguns objetos flutuam, enquanto outros afundam?
Se, na sua opinião, essas opções parecem bons programas, prepare-se, porque os próximos dias prometem. De 3 a 9 de outubro, acontece a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que, neste ano, pretende oferecer mais de duas mil atividades em todo o país. E o que é melhor: todas elas gratuitas.
A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia tem o objetivo de chamar a atenção de toda a população, mas, em especial, de jovens e crianças como você para a ciência, destacando a sua importância e o seu impacto na vida de todos nós e no desenvolvimento do nosso país.
Em 2005, o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é “Brasil, olhe para a água”. Não é à toa: em fevereiro deste ano foi definido que o período entre 2005 e 2015 será a Década Brasileira da Água. Dessa forma, muitos eventos que acontecem até o dia nove de outubro vão ter como tema esse valioso recurso e a necessidade de preservá-lo.
No Piauí, por exemplo, acontece uma aula-passeio pelo rio Parnaíba, que está localizado na divisa deste estado com o Maranhão. Quem participar da atividade, que ocorre no dia 7 de outubro, das 7h às 12h, saindo de dois pontos distintos, tem a oportunidade de conhecer facetas diferentes do segundo maior rio do Nordeste em volume de água.
“Na altura de Floriano, um município a cerca de 300 quilômetros de Teresina, a capital do Piauí, o rio Parnaíba ainda é uma fonte viva de água, ao contrário do que ocorre na capital, onde ele sofre um processo de degradação, por conta da urbanização e do despejo de esgoto”, explica Joaquim Campelo, secretário regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que está envolvido na organização do evento. As crianças que embarcarem nessa aula-passeio no município de São Pedro do Piauí, por sua vez, vão conhecer a nascente do rio Parnaíba, que está localizada ali. Tanto nesse local quanto em Floriano, os tripulantes mirins terão à sua disposição, nos barcos, professores de ciência e de história, além de ecologistas, para passar informações sobre a necessidade de preservar o rio e usar a sua água de forma racional.
No Rio de Janeiro, também há atividades ligadas à água. Mas, desta vez, a bordo de uma barca – e não de um barco! No dia 3 de outubro, com sessões contínuas das 10h às 12h30, as crianças que usam esse meio de transporte para fazer o trajeto entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói têm a chance de participar do Brincando com a Ciência. Muitas brincadeiras vão rolar, sendo que, em todas, serão usados materiais descartáveis que existem nas nossas casas, como garrafas de plásticos. Em um dos experimentos, por exemplo, será mostrado um submarino, que irá revelar o que faz com que materiais indevidamente jogados na água, como lixo e óleo, bóiem ou afundem. Por meio dele, também vamos entender por que a própria barca flutua.
Muitas atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, porém, não estão ligadas ao tema água, mas, sim, a áreas do conhecimento. Nos dias 4 e 5 de outubro, em Vitória, no Espírito Santo, por exemplo, acontece a Oficina de Arqueologia na Escola de Ciência, Biologia e História. Ao participar dela, você vai se sentir um autêntico arqueólogo. Isso porque, como um profissional desse tipo, você irá fazer uma escavação em um sítio arqueológico. Tudo bem que o sítio é de mentirinha: uma caixa de areia, em que diversos objetos estão enterrados. Mas os procedimentos, bem, eles são profissionais mesmo!
Como explica o professor de História Ademir dos Santos Cassilhas, os participantes irão usar pás e pincéis para realizar a escavação, podendo encontrar, durante o trabalho, pedaços de vasos, de panelas de barro, sementes e até mesmo dentes (artificiais, claro!) e ossos (de verdade!). Depois, irão preencher um relatório, relatando onde os achados foram feitos, tentando identificá-los etc.
Atividades tão legais quanto essa, com certeza, vão ocorrer na sua cidade nos próximos dias. Então, fique atento e se informe: visite a página da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Clicando no item “Eventos cadastrados”, você descobre o que está previsto para ocorrer no seu município. Programe-se!
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Aniversário no zôo
Girafa Beija-Céu convida a todos para comemorar, no Rio de Janeiro, seus 15 anos
O casal de girafas Zagallo (à esquerda) e Beija-Céu (à direita) no Zoológico do Rio de Janeiro (foto: Esther Nazareth/Riozoo).
Neste sábado, dia 31 de maio, a partir das 11h, tem bolo e brincadeiras no Zoológico do Rio de Janeiro para comemorar o aniversário de 15 anos da girafa Beija-Céu. Ao lado do marido, o macho Zagallo, com quem se casou no início deste mês, Beija-Céu convida você para participar dessa festa. Então, não deixe a girafa esperando e... compareça!
Zoológico do Rio de Janeiro
Parque da Quinta da Boa Vista s/nº, São Cristóvão, Rio de Janeiro/RJ.
R$ 6 (crianças com até um metro de altura não pagam. Estudantes têm meia-entrada)
Tel.: (21) 3878-4200
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EVENTOS, FESTAS E EXPOSIÇÕES
Brincar, brincar, brincar...
Exposição no Rio de Janeiro mostra brinquedos de diversas épocas do século passado.
Ursos japoneses do início da década de 1950.
Quem aí não gosta de brincar? Brincar de boneca, de jogar bola, de videogame... Ao longo de sua história, o homem foi criando diferentes brinquedos para se divertir. E agora, você pode conhecer um pouco mais sobre a história desses inventos. Quer saber como?
O Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, acaba de inaugurar uma exposição com 250 brinquedos! São carrinhos, piões, navios, bonecas e muito mais, que encantaram milhares de crianças durante o século 20.
Os brinquedos estão separados de acordo com a época na qual foram feitos. Nas décadas de 1920 e 1930, o destaque são os navios e os carrinhos de lata. Já em 1950 e 1960, a indústria de brinquedos começou a produzir miniaturas das invenções da época: máquina de costura, liquidificador, batedeira, máquina de lavar. Em 1959, surge a boneca que até hoje faz sucesso entre as meninas: a Barbie!
Jeremias vai à feira: brinquedo brasileiro do final dos anos 1940.
No final da década de 1960, começaram a surgir robôs, naves espaciais, foguetes e astronautas. Sabe por quê? Em 1969, o homem pisou pela primeira vez na Lua! E é claro que todo mundo adorou essa novidade! Por sua vez, os brinquedos que emitem sons, como o Genius e as bonecas que choram, tossem ou riem, só surgiram recentemente, nos anos 1980.
Todos os brinquedos da exposição fazem parte da coleção de Flávio Pacheco. Ele começou a comprá-los há mais de trinta anos e hoje já tem mais de cinco mil peças. Um tesouro e tanto, já que, no nosso país, não há muitas iniciativas como essa! “No Brasil não existe nenhum museu ou catálogo que trate desse tema”, explica Flávio.
Alguns dos brinquedos favoritos do colecionador, que estão presentes na exposição, são os navios movidos a vapor que surgiram depois da Revolução Industrial, quando os produtos começaram a ser feitos por máquinas e não mais somente por pessoas. Ele também gosta muito do boneco Jeremias, dos robôs, das naves espaciais e das marionetes.
Brinquedo americano fabricado entre 1920 e 1930.
Flávio conta que as primeiras fábricas de brinquedos surgiram no século 18, na Europa, mas a grande expansão aconteceu depois, no século 19. “Com o desenvolvimento da classe média, começou a produção de mercadorias destinadas exclusivamente às crianças”, explica ele.
Agora você já sabe como os brinquedos industriais surgiram. Mas quando será que o homem começou a fazer os primeiros brinquedos artesanais? “Supõe-se que os brinquedos existem desde que o homem surgiu”, diz a arqueóloga Maria Isabel Fleming, da Universidade de São Paulo. Afinal, qualquer objeto pode servir de brinquedo, não é verdade? Podemos pegar uma simples vassoura, por exemplo, e transformá-la em um cavalo. Só depende da nossa imaginação!
Moto alemã feita entre 1930 e 1940.
Porém, além de divertir, os brinquedos têm ainda outra função: eles foram e ainda são muito importantes para preparar a criança para o futuro. Por exemplo, a garotada que viveu há mais de 2.500 anos, durante a Antiguidade, se divertia com bigas – carros puxados por dois cavalos – de brinquedo, que eram justamente os veículos que iriam usar quando crescessem. As bonecas, por sua vez, são outro exemplo: de certa forma, esses brinquedos ensinam as meninas a cuidar de bebês, algo que pode ser útil caso elas decidam ser mães quando forem adultas.
Os brinquedos também estimulam as crianças, podem despertar interesse e talento em certas atividades, além de desenvolver a atenção e a criatividade! Portanto, já que os brinquedos têm tantas vantagens, nunca deixe de brincar!
A ciência sobe ao palco
Peça mostra o que acontece no nosso cérebro em várias situações. Até quando nos apaixonamos!
As estrelas da peça O neurônio apaixonado, em cartaz no Rio de Janeiro, são os neurônios que moram no cérebro de um menino chamado Pedro.
Zé Neurim é um neurônio, ou seja, uma célula que mora no cérebro do menino Pedro, o Ptix. Toda vez que Ptix pensa, anda, brinca, assiste televisão, faz o dever de casa, entre muitas outras tarefas, o Zé Neurim e seus amigos neurônios ficam conversando dentro do cérebro do garoto.
Porém, no dia em que Ptix avistou pela primeira vez a sua nova vizinha, a Camila, é que os neurônios mais trocaram mensagens. Isso porque o menino ficou corado, com o coração disparado e a testa suando. Zé Neurim pensou até que ele tinha ficado doente. Mas um outro neurônio da turma, o Acumbente dos Prazeres, assumiu que estava por trás de tudo isso.
Mas por que será que ele fez o Pedro ficar desse jeito, só por ter visto a Camila? É o que o Zé Neurim vai contar para você na peça O neurônio apaixonado, que estréia neste fim de semana no Rio de Janeiro e explica o que acontece no nosso cérebro em diferentes situações do cotidiano.
O espetáculo é baseado na coleção Aventuras de um neurônio lembrador, do neurocientista Roberto Lent, um dos fundadores do Instituto Ciência Hoje, que publica as revistas Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças. Então, não deixe de conferir essa história, que mistura ciência e diversão.
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A estrela da semana
De 3 a 9 de outubro, a ciência inspira mais de duas mil atividades em todo o país
Cartaz da Sermana Nacional de Ciência e Tecnologia
O que você acha de bancar o arqueólogo por um dia? Ou de trocar a aula do colégio por uma aula em um barco? Se for possível, que tal tentar descobrir, durante o trajeto, por que alguns objetos flutuam, enquanto outros afundam?
Se, na sua opinião, essas opções parecem bons programas, prepare-se, porque os próximos dias prometem. De 3 a 9 de outubro, acontece a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que, neste ano, pretende oferecer mais de duas mil atividades em todo o país. E o que é melhor: todas elas gratuitas.
A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia tem o objetivo de chamar a atenção de toda a população, mas, em especial, de jovens e crianças como você para a ciência, destacando a sua importância e o seu impacto na vida de todos nós e no desenvolvimento do nosso país.
Em 2005, o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é “Brasil, olhe para a água”. Não é à toa: em fevereiro deste ano foi definido que o período entre 2005 e 2015 será a Década Brasileira da Água. Dessa forma, muitos eventos que acontecem até o dia nove de outubro vão ter como tema esse valioso recurso e a necessidade de preservá-lo.
No Piauí, por exemplo, acontece uma aula-passeio pelo rio Parnaíba, que está localizado na divisa deste estado com o Maranhão. Quem participar da atividade, que ocorre no dia 7 de outubro, das 7h às 12h, saindo de dois pontos distintos, tem a oportunidade de conhecer facetas diferentes do segundo maior rio do Nordeste em volume de água.
“Na altura de Floriano, um município a cerca de 300 quilômetros de Teresina, a capital do Piauí, o rio Parnaíba ainda é uma fonte viva de água, ao contrário do que ocorre na capital, onde ele sofre um processo de degradação, por conta da urbanização e do despejo de esgoto”, explica Joaquim Campelo, secretário regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que está envolvido na organização do evento. As crianças que embarcarem nessa aula-passeio no município de São Pedro do Piauí, por sua vez, vão conhecer a nascente do rio Parnaíba, que está localizada ali. Tanto nesse local quanto em Floriano, os tripulantes mirins terão à sua disposição, nos barcos, professores de ciência e de história, além de ecologistas, para passar informações sobre a necessidade de preservar o rio e usar a sua água de forma racional.
No Rio de Janeiro, também há atividades ligadas à água. Mas, desta vez, a bordo de uma barca – e não de um barco! No dia 3 de outubro, com sessões contínuas das 10h às 12h30, as crianças que usam esse meio de transporte para fazer o trajeto entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói têm a chance de participar do Brincando com a Ciência. Muitas brincadeiras vão rolar, sendo que, em todas, serão usados materiais descartáveis que existem nas nossas casas, como garrafas de plásticos. Em um dos experimentos, por exemplo, será mostrado um submarino, que irá revelar o que faz com que materiais indevidamente jogados na água, como lixo e óleo, bóiem ou afundem. Por meio dele, também vamos entender por que a própria barca flutua.
Muitas atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, porém, não estão ligadas ao tema água, mas, sim, a áreas do conhecimento. Nos dias 4 e 5 de outubro, em Vitória, no Espírito Santo, por exemplo, acontece a Oficina de Arqueologia na Escola de Ciência, Biologia e História. Ao participar dela, você vai se sentir um autêntico arqueólogo. Isso porque, como um profissional desse tipo, você irá fazer uma escavação em um sítio arqueológico. Tudo bem que o sítio é de mentirinha: uma caixa de areia, em que diversos objetos estão enterrados. Mas os procedimentos, bem, eles são profissionais mesmo!
Como explica o professor de História Ademir dos Santos Cassilhas, os participantes irão usar pás e pincéis para realizar a escavação, podendo encontrar, durante o trabalho, pedaços de vasos, de panelas de barro, sementes e até mesmo dentes (artificiais, claro!) e ossos (de verdade!). Depois, irão preencher um relatório, relatando onde os achados foram feitos, tentando identificá-los etc.
Atividades tão legais quanto essa, com certeza, vão ocorrer na sua cidade nos próximos dias. Então, fique atento e se informe: visite a página da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Clicando no item “Eventos cadastrados”, você descobre o que está previsto para ocorrer no seu município. Programe-se!
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Aniversário no zôo
Girafa Beija-Céu convida a todos para comemorar, no Rio de Janeiro, seus 15 anos
O casal de girafas Zagallo (à esquerda) e Beija-Céu (à direita) no Zoológico do Rio de Janeiro (foto: Esther Nazareth/Riozoo).
Neste sábado, dia 31 de maio, a partir das 11h, tem bolo e brincadeiras no Zoológico do Rio de Janeiro para comemorar o aniversário de 15 anos da girafa Beija-Céu. Ao lado do marido, o macho Zagallo, com quem se casou no início deste mês, Beija-Céu convida você para participar dessa festa. Então, não deixe a girafa esperando e... compareça!
Zoológico do Rio de Janeiro
Parque da Quinta da Boa Vista s/nº, São Cristóvão, Rio de Janeiro/RJ.
R$ 6 (crianças com até um metro de altura não pagam. Estudantes têm meia-entrada)
Tel.: (21) 3878-4200
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EVENTOS, FESTAS E EXPOSIÇÕES
Brincar, brincar, brincar...
Exposição no Rio de Janeiro mostra brinquedos de diversas épocas do século passado.
Ursos japoneses do início da década de 1950.
Quem aí não gosta de brincar? Brincar de boneca, de jogar bola, de videogame... Ao longo de sua história, o homem foi criando diferentes brinquedos para se divertir. E agora, você pode conhecer um pouco mais sobre a história desses inventos. Quer saber como?
O Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, acaba de inaugurar uma exposição com 250 brinquedos! São carrinhos, piões, navios, bonecas e muito mais, que encantaram milhares de crianças durante o século 20.
Os brinquedos estão separados de acordo com a época na qual foram feitos. Nas décadas de 1920 e 1930, o destaque são os navios e os carrinhos de lata. Já em 1950 e 1960, a indústria de brinquedos começou a produzir miniaturas das invenções da época: máquina de costura, liquidificador, batedeira, máquina de lavar. Em 1959, surge a boneca que até hoje faz sucesso entre as meninas: a Barbie!
Jeremias vai à feira: brinquedo brasileiro do final dos anos 1940.
No final da década de 1960, começaram a surgir robôs, naves espaciais, foguetes e astronautas. Sabe por quê? Em 1969, o homem pisou pela primeira vez na Lua! E é claro que todo mundo adorou essa novidade! Por sua vez, os brinquedos que emitem sons, como o Genius e as bonecas que choram, tossem ou riem, só surgiram recentemente, nos anos 1980.
Todos os brinquedos da exposição fazem parte da coleção de Flávio Pacheco. Ele começou a comprá-los há mais de trinta anos e hoje já tem mais de cinco mil peças. Um tesouro e tanto, já que, no nosso país, não há muitas iniciativas como essa! “No Brasil não existe nenhum museu ou catálogo que trate desse tema”, explica Flávio.
Alguns dos brinquedos favoritos do colecionador, que estão presentes na exposição, são os navios movidos a vapor que surgiram depois da Revolução Industrial, quando os produtos começaram a ser feitos por máquinas e não mais somente por pessoas. Ele também gosta muito do boneco Jeremias, dos robôs, das naves espaciais e das marionetes.
Brinquedo americano fabricado entre 1920 e 1930.
Flávio conta que as primeiras fábricas de brinquedos surgiram no século 18, na Europa, mas a grande expansão aconteceu depois, no século 19. “Com o desenvolvimento da classe média, começou a produção de mercadorias destinadas exclusivamente às crianças”, explica ele.
Agora você já sabe como os brinquedos industriais surgiram. Mas quando será que o homem começou a fazer os primeiros brinquedos artesanais? “Supõe-se que os brinquedos existem desde que o homem surgiu”, diz a arqueóloga Maria Isabel Fleming, da Universidade de São Paulo. Afinal, qualquer objeto pode servir de brinquedo, não é verdade? Podemos pegar uma simples vassoura, por exemplo, e transformá-la em um cavalo. Só depende da nossa imaginação!
Moto alemã feita entre 1930 e 1940.
Porém, além de divertir, os brinquedos têm ainda outra função: eles foram e ainda são muito importantes para preparar a criança para o futuro. Por exemplo, a garotada que viveu há mais de 2.500 anos, durante a Antiguidade, se divertia com bigas – carros puxados por dois cavalos – de brinquedo, que eram justamente os veículos que iriam usar quando crescessem. As bonecas, por sua vez, são outro exemplo: de certa forma, esses brinquedos ensinam as meninas a cuidar de bebês, algo que pode ser útil caso elas decidam ser mães quando forem adultas.
Os brinquedos também estimulam as crianças, podem despertar interesse e talento em certas atividades, além de desenvolver a atenção e a criatividade! Portanto, já que os brinquedos têm tantas vantagens, nunca deixe de brincar!
Educação
Com direitos desde o berço
Há dezoito anos, uma lei foi criada para proteger as crianças e os adolescentes brasileiros
(Ilustrações: Marcello Araújo)
A gente é criança até que idade? A partir de quando nos tornamos adolescentes? Se você já se fez essas perguntas, saiba que, ao menos para a justiça brasileira, a resposta está no Estatuto da Criança e do Adolescente, também conhecido como ECA. De acordo com essa lei, criança é toda pessoa com até 12 anos de idade incompletos e, adolescente, a que tem entre 12 e 18 anos. Se você faz parte dessa turma, a boa notícia é que o ECA – que existe para garantir os seus direitos – está comemorando aniversário: em 2008, ele completa 18 anos de existência.
Sancionado em 13 de julho de 1990, o ECA é a lei 8.069, que tem validade em todo o território brasileiro e o objetivo de proteger as pessoas de zero a dezoito anos, fazendo valer os seus direitos desde o nascimento. “O estatuto reconhece um novo direito: o de um ciclo da vida que possui uma identidade própria”, explica o professor Carlos Roberto Cury, coordenador do Programa de Mestrado em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Isso significa que a lei vê a infância e a adolescência como um período da vida que apresenta características especiais, por ser a época em que as pessoas ainda estão formando a sua personalidade, e que deve ter, por conta disso, proteções específicas, descritas no estatuto na forma de uma série de direitos, como a proibição do trabalho infantil ou a garantia à educação.
“O ECA é um instrumento de proteção para ser utilizado nos vários campos em que a criança e o adolescente atuam, como a educação e o trabalho”, explica Carlos Cury. Muitas vezes, porém, vemos esses direitos sendo violados. Encontramos crianças abandonadas nas ruas, muitas vezes trabalhando. Também não faltam adolescentes fora da escola, com empregos que podem ser danosos à sua saúde ou mesmo sem ter seus horários para estudo respeitados, com tarefas domésticas constantes. Mas por que isso acontece?
Para alguns pesquisadores, o ECA não é totalmente cumprido porque falta mais atitude por parte das pessoas responsáveis por garantir a execução das leis. “Em muitos e muitos municípios, por exemplo, ainda não foi implantado o Conselho Tutelar, o órgão do governo que zela pelo cumprimento do ECA. Isso é grave, pois, sem ele, as medidas de proteção correm o risco de não serem aplicadas”, conta Carlos Cury. O ECA determina que cada município deve garantir recursos para o funcionamento do Conselho Tutelar. Quando ele não existe, trata-se de algo grave, já que não há um mecanismo para fiscalizar e prevenir violações aos direitos das crianças e dos adolescentes e, quando isso ocorre, não há também a quem reclamar.
No entanto, apesar de o ECA ainda precisar ser aplicado com mais eficácia, o que está escrito nele é fundamental. Com essa lei, existe a garantia de que não deve haver espaço, na sociedade, para o desrespeito com relação às crianças e aos adolescentes. Para que isso se torne uma realidade, porém, é preciso que todos conheçam o ECA e se conscientizem de que uma lei existe para ser cumprida.
Conheça alguns dos seus direitos garantidos pelo ECA
- Direito de receber, em primeiro lugar, proteção e socorro em qualquer situação, em hospitais, prontos-socorros ou em serviços públicos.
- Direito à liberdade: de ir e vir, de dar opinião, de ter uma religião, entre outras formas de expressão.
- Direito a ser criado e educado por uma família.
- Direito à educação e de ser preparado para o trabalho.
- Direito à igualdade.
- Direito de ser respeitado pelos professores e, se discordar, de contestar os métodos de avaliação da instituição de ensino.
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Nota baixa em ciências
Jovens brasileiros não se saem bem em exame internacional
O que você tem aprendido sobre ciências na escola? Essa matéria desperta seu interesse? As aulas são instrutivas e prendem a sua atenção? Não é por acaso que estamos fazendo essas perguntas. Ao que parece, o ensino de ciências no Brasil precisa melhorar – e muito! Sabe por quê? No final de 2007, foi divulgado o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), um exame que contou com a participação de estudantes brasileiros. Mais uma vez, o Brasil ficou nas últimas posições, o que indica que há graves deficiências no seu sistema educativo.
O Brasil ficou nas últimas posições em um exame que avaliou o desempenho de estudantes de 15 anos na área de ciências em mais de 50 países.
Segundo o professor Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, o exame do PISA acontece a cada três anos e tem como objetivo produzir dados que mostrem como se encontra o ensino de Matemática, Leitura e Ciências nos países participantes, por meio de questionários e testes. A cada ano, destaca-se uma determinada área. Em 2006, por exemplo, a ênfase foi em ciências. Participaram da avaliação jovens de 15 anos, de escolas públicas e particulares, em mais de 50 nações diferentes. Em dezembro de 2007, os resultados foram divulgados e, para o Brasil, eles não poderiam ter sido mais desanimadores.
O nosso país ficou nas últimas posições na avaliação, à frente apenas de países como Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão. Ao se analisar a baixa pontuação do Brasil no exame, foi possível chegar à conclusão de que a nação apresenta graves deficiências no ensino de ciências. Só para se ter uma idéia, o Brasil obteve apenas 390 pontos, enquanto a Finlândia, o primeiro colocado, alcançou 563! Que diferença, não?
Talvez você esteja pensando quais motivos levaram o Brasil a ter esse desempenho tão fraco. Pois, para o professor Nelio, a origem do problema está na forma como o ensino, principalmente de ciências, é conduzido no nosso país. Ele diz que a maioria dos alunos não é estimulada a pensar a respeito das questões que lhes são colocadas, mas, sim, decoram conceitos, que, na maioria das vezes, acabam esquecidos em algum cantinho da memória, por não parecerem muito úteis. Sem contar a visão de algumas pessoas sobre a ciência como uma verdade absoluta e inquestionável.
Vale lembrar que os avanços científicos só acontecem graças aos questionamentos, que são os responsáveis pela busca constante do conhecimento. Por isso, aceitar tudo o que os cientistas falam, sem qualquer reflexão, traz grandes prejuízos ao próprio desenvolvimento da ciência.
E será que esse problema tem solução? O professor garante que sim. Mas, para isso, são necessárias diversas mudanças no sistema de educação brasileiro. A escola precisa mudar a visão que os jovens têm do que é a ciência e da sua importância para o cotidiano. Ela não pode estar restrita ao conteúdo exposto em sala de aula. Mais do que isso, os alunos devem ser estimulados a pensar, a questionar e a investigar, a partir de problemas que se colocam no dia-a-dia.
Nelio também defende a realização constante de avaliações por parte do governo, de forma a obter informações mais detalhadas sobre a situação do ensino no país, sem depender de iniciativas internacionais como o PISA. Ele também acredita que devem ser desenvolvidos melhores livros e materiais para os alunos e professores e campanhas que mobilizem a sociedade como um todo, como olimpíadas de astronomia e de matemática e feiras de ciências, que já são realizadas, mas que ainda não atingem um número expressivo de estudantes.
E você, o que pensa sobre esse assunto? Acha que outras medidas também devem ser adotadas para estimular o ensino de ciências no Brasil? Acredita que conseguiremos alcançar um bom desempenho nos próximos exames? Suas idéias podem ser úteis para o seu professor e sua escola. Então, por que não propor uma discussão a respeito desse tema em sala de aula? Você e seus colegas de turma só têm a ganhar com essa iniciativa!
Há dezoito anos, uma lei foi criada para proteger as crianças e os adolescentes brasileiros
(Ilustrações: Marcello Araújo)
A gente é criança até que idade? A partir de quando nos tornamos adolescentes? Se você já se fez essas perguntas, saiba que, ao menos para a justiça brasileira, a resposta está no Estatuto da Criança e do Adolescente, também conhecido como ECA. De acordo com essa lei, criança é toda pessoa com até 12 anos de idade incompletos e, adolescente, a que tem entre 12 e 18 anos. Se você faz parte dessa turma, a boa notícia é que o ECA – que existe para garantir os seus direitos – está comemorando aniversário: em 2008, ele completa 18 anos de existência.
Sancionado em 13 de julho de 1990, o ECA é a lei 8.069, que tem validade em todo o território brasileiro e o objetivo de proteger as pessoas de zero a dezoito anos, fazendo valer os seus direitos desde o nascimento. “O estatuto reconhece um novo direito: o de um ciclo da vida que possui uma identidade própria”, explica o professor Carlos Roberto Cury, coordenador do Programa de Mestrado em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Isso significa que a lei vê a infância e a adolescência como um período da vida que apresenta características especiais, por ser a época em que as pessoas ainda estão formando a sua personalidade, e que deve ter, por conta disso, proteções específicas, descritas no estatuto na forma de uma série de direitos, como a proibição do trabalho infantil ou a garantia à educação.
“O ECA é um instrumento de proteção para ser utilizado nos vários campos em que a criança e o adolescente atuam, como a educação e o trabalho”, explica Carlos Cury. Muitas vezes, porém, vemos esses direitos sendo violados. Encontramos crianças abandonadas nas ruas, muitas vezes trabalhando. Também não faltam adolescentes fora da escola, com empregos que podem ser danosos à sua saúde ou mesmo sem ter seus horários para estudo respeitados, com tarefas domésticas constantes. Mas por que isso acontece?
Para alguns pesquisadores, o ECA não é totalmente cumprido porque falta mais atitude por parte das pessoas responsáveis por garantir a execução das leis. “Em muitos e muitos municípios, por exemplo, ainda não foi implantado o Conselho Tutelar, o órgão do governo que zela pelo cumprimento do ECA. Isso é grave, pois, sem ele, as medidas de proteção correm o risco de não serem aplicadas”, conta Carlos Cury. O ECA determina que cada município deve garantir recursos para o funcionamento do Conselho Tutelar. Quando ele não existe, trata-se de algo grave, já que não há um mecanismo para fiscalizar e prevenir violações aos direitos das crianças e dos adolescentes e, quando isso ocorre, não há também a quem reclamar.
No entanto, apesar de o ECA ainda precisar ser aplicado com mais eficácia, o que está escrito nele é fundamental. Com essa lei, existe a garantia de que não deve haver espaço, na sociedade, para o desrespeito com relação às crianças e aos adolescentes. Para que isso se torne uma realidade, porém, é preciso que todos conheçam o ECA e se conscientizem de que uma lei existe para ser cumprida.
Conheça alguns dos seus direitos garantidos pelo ECA
- Direito de receber, em primeiro lugar, proteção e socorro em qualquer situação, em hospitais, prontos-socorros ou em serviços públicos.
- Direito à liberdade: de ir e vir, de dar opinião, de ter uma religião, entre outras formas de expressão.
- Direito a ser criado e educado por uma família.
- Direito à educação e de ser preparado para o trabalho.
- Direito à igualdade.
- Direito de ser respeitado pelos professores e, se discordar, de contestar os métodos de avaliação da instituição de ensino.
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Nota baixa em ciências
Jovens brasileiros não se saem bem em exame internacional
O que você tem aprendido sobre ciências na escola? Essa matéria desperta seu interesse? As aulas são instrutivas e prendem a sua atenção? Não é por acaso que estamos fazendo essas perguntas. Ao que parece, o ensino de ciências no Brasil precisa melhorar – e muito! Sabe por quê? No final de 2007, foi divulgado o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), um exame que contou com a participação de estudantes brasileiros. Mais uma vez, o Brasil ficou nas últimas posições, o que indica que há graves deficiências no seu sistema educativo.
O Brasil ficou nas últimas posições em um exame que avaliou o desempenho de estudantes de 15 anos na área de ciências em mais de 50 países.
Segundo o professor Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, o exame do PISA acontece a cada três anos e tem como objetivo produzir dados que mostrem como se encontra o ensino de Matemática, Leitura e Ciências nos países participantes, por meio de questionários e testes. A cada ano, destaca-se uma determinada área. Em 2006, por exemplo, a ênfase foi em ciências. Participaram da avaliação jovens de 15 anos, de escolas públicas e particulares, em mais de 50 nações diferentes. Em dezembro de 2007, os resultados foram divulgados e, para o Brasil, eles não poderiam ter sido mais desanimadores.
O nosso país ficou nas últimas posições na avaliação, à frente apenas de países como Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão. Ao se analisar a baixa pontuação do Brasil no exame, foi possível chegar à conclusão de que a nação apresenta graves deficiências no ensino de ciências. Só para se ter uma idéia, o Brasil obteve apenas 390 pontos, enquanto a Finlândia, o primeiro colocado, alcançou 563! Que diferença, não?
Talvez você esteja pensando quais motivos levaram o Brasil a ter esse desempenho tão fraco. Pois, para o professor Nelio, a origem do problema está na forma como o ensino, principalmente de ciências, é conduzido no nosso país. Ele diz que a maioria dos alunos não é estimulada a pensar a respeito das questões que lhes são colocadas, mas, sim, decoram conceitos, que, na maioria das vezes, acabam esquecidos em algum cantinho da memória, por não parecerem muito úteis. Sem contar a visão de algumas pessoas sobre a ciência como uma verdade absoluta e inquestionável.
Vale lembrar que os avanços científicos só acontecem graças aos questionamentos, que são os responsáveis pela busca constante do conhecimento. Por isso, aceitar tudo o que os cientistas falam, sem qualquer reflexão, traz grandes prejuízos ao próprio desenvolvimento da ciência.
E será que esse problema tem solução? O professor garante que sim. Mas, para isso, são necessárias diversas mudanças no sistema de educação brasileiro. A escola precisa mudar a visão que os jovens têm do que é a ciência e da sua importância para o cotidiano. Ela não pode estar restrita ao conteúdo exposto em sala de aula. Mais do que isso, os alunos devem ser estimulados a pensar, a questionar e a investigar, a partir de problemas que se colocam no dia-a-dia.
Nelio também defende a realização constante de avaliações por parte do governo, de forma a obter informações mais detalhadas sobre a situação do ensino no país, sem depender de iniciativas internacionais como o PISA. Ele também acredita que devem ser desenvolvidos melhores livros e materiais para os alunos e professores e campanhas que mobilizem a sociedade como um todo, como olimpíadas de astronomia e de matemática e feiras de ciências, que já são realizadas, mas que ainda não atingem um número expressivo de estudantes.
E você, o que pensa sobre esse assunto? Acha que outras medidas também devem ser adotadas para estimular o ensino de ciências no Brasil? Acredita que conseguiremos alcançar um bom desempenho nos próximos exames? Suas idéias podem ser úteis para o seu professor e sua escola. Então, por que não propor uma discussão a respeito desse tema em sala de aula? Você e seus colegas de turma só têm a ganhar com essa iniciativa!
Grandes Cientistas
existem varios cientistas uns dos melhores é
Alfred Wegener
Antoine Lavoisier
Carl Linné
Charles Darwin
Galileu Galilei
Gregor Mendel
Heródoto
Isaac Newton
Leonardo Da Vinci
Louis Pasteur
Oswaldo Cruz
Pitágoras
Alfred Wegener
Antoine Lavoisier
Carl Linné
Charles Darwin
Galileu Galilei
Gregor Mendel
Heródoto
Isaac Newton
Leonardo Da Vinci
Louis Pasteur
Oswaldo Cruz
Pitágoras
Ecologia e Meio Ambiente
A camada de ozônio, uma barreira natural
Protetores solares não são a única forma de conter a radiação ultravioleta do Sol!
No primeiro texto da série especial sobre verão da CHC on-line, você aprendeu que os protetores solares são necessários para evitarmos as conseqüências da exposição excessiva aos raios ultravioleta do Sol. Essa é uma radiação invisível, ou seja, sabemos de sua existência através de seus efeitos, mas o corpo humano não é capaz de senti-la. Então, já que abrir os olhos não adianta, o jeito é tomar cuidado, porque a radiação ultravioleta pode fazer muito mal à nossa saúde!
Se a camada de ozônio não existisse, poderíamos
ficar menos tempo no sol sem nos queimarmos
Depois de muitos estudos, os cientistas descobriram que existem três tipos de radiação ou UV, como é conhecida. Os tipos A e B são aqueles que, em excesso, podem prejudicar nossa pele. Já o tipo C é totalmente absorvido pela atmosfera da Terra e, por isso, não chega até nós. A maior preocupação dos médicos é com a radiação UV-B, que pode causar o câncer de pele.
Mas você sabia que, além dos protetores solares, há uma outra espécie de barreira natural contra a radiação ultravioleta do tipo B? Essa barreira existe: é a camada de ozônio. No seu caminho do Sol para a Terra, a radiação UV-B passa pela atmosfera e é enfraquecida quando penetra na camada de ozônio. Ali, parte dessa radiação é absorvida, e ela chega muito mais fraca ao nosso planeta. O ozônio é um gás natural da atmosfera e a tal camada é a região em que grande quantidade desse gás está concentrada. Se essa camada não existisse, a radiação UV-B chegaria a nós com muito mais intensidade, e a gente poderia ficar menos tempo no sol sem se queimar.
Acontece que os avanços da indústria permitem que o homem invente produtos cada vez mais sofisticados. E alguns desses inventos produzem resíduos na forma de gás, que vão para a atmosfera e acabam entrando em choque com os gases naturais. Veja um exemplo: as substâncias químicas usadas para fazer gelo nas geladeiras e nos aparelhos de ar condicionado são chamadas CFC. A sigla representa as substâncias que contêm cloro, o elemento químico que destrói a camada de ozônio.
Muitas pesquisas são feitas para tentar diminuir a quantidade de cloro lançada na atmosfera. Mas os resultados desses trabalhos não são imediatos, ou seja, a destruição da camada de ozônio ainda deve durar muitos anos. Logo, a radiação UV-B deve aumentar no futuro. E, como a radiação UV-B é invisível, é muito importante que ela seja medida para que possamos nos prevenir. Hoje, existem instrumentos (dos mais simples aos mais sofisticados) para medir a camada de ozônio e a radiação ao mesmo tempo. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mantém vários medidores de radiação UV-B em vários pontos do Brasil e em países vizinhos, para estudar seus efeitos. Os pesquisadores estão sempre atentos para avisar a população em caso de necessidade.
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Uma triste notícia para a fauna brasileira
Lista enumera quase 400 espécies de bichos ameaçados de extinção em nosso país
São quase 400 as espécies de bichos brasileiros que correm o risco de desaparecer para sempre de nossos ecossistemas. Quem divulgou essa triste notícia foi o Ministério do Meio Ambiente, que apresentou em maio a lista oficial dos animais ameaçados de extinção no Brasil. Essa lista enumera 395 espécies de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. O número lhe parece alto? Pois saiba que a relação nem inclui peixes e invertebrados marinhos! Esses animais serão examinados em uma lista a parte, que deve ser divulgada ainda em 2003.
A última lista oficial de bichos ameaçados no Brasil havia sido apresentada em 1989, e contava com 219 espécies -- pouco mais da metade do número de 2003! No entanto, é preciso tomar cuidado com essa comparação. O número de animais em risco de extinção certamente aumentou muito, devido à devastação do meio ambiente, à caça ou à poluição. No entanto, não podemos dizer que o número de espécies ameaçadas dobrou nos últimos treze anos. Na verdade, a lista mostra também que agora os cientistas conhecem melhor a fauna brasileira e podem dizer com mais precisão quais são os bichos em perigo.
As espécies ameaçadas da nova lista são 160 aves, 69 mamíferos, 20 répteis, 16 anfíbios e 130 invertebrados terrestres. A relação inclui oito espécies que já desapareceram totalmente: duas aves, uma perereca, três insetos e duas minhocas. Há também duas aves que não ocorrem mais na natureza e só existem em cativeiro: a ararinha-azul e o mutum-de-Alagoas. Entre as várias espécies que passaram a integrar a lista de bichos ameaçados em 2003, estão o macaco-prego ou a jararaca, por exemplo. No entanto, felizmente algumas espécies que estavam na lista de 1989 não estão mais ameaçadas -- como o jacaré-açu, o gato-do-mato ou a surucucu. Outra boa notícia é a situação do mico-leão dourado: na última lista, ele havia sido classificado como ’criticamente em perigo’; agora, ele é considerado "apenas" ’em perigo’.
O jacaré-açu deixou de ser considerado ameaçado de extinção
(foto: Carlos Frederico Duarte da Rocha / CHC 90)
Para definir se uma espécie vai entrar na lista, os cientistas fazem uma avaliação do tamanho da população desse animal, da sua diversidade genética e da situação do hábitat onde eles vivem. Animais que habitam regiões onde a devastação é grande, como a Mata Atlântica, por exemplo, correm maior risco de desaparecerem. Não é por acaso que sete em cada dez espécies de vertebrados terrestres da nova lista existem ali, e que cem espécies desse grupo ocorrem apenas nesse bioma.
A lista foi elaborada por cerca de 200 cientistas da Fundação Biodiversitas e de várias outras instituições que lutam pela preservação do meio ambiente, centros de pesquisa e órgãos governamentais. Esse documento vai ajudar os cientistas a orientar seus esforços para preservar os bichos ameaçados: eles poderão indicar quais espécies precisam de proteção especial e determinar onde é necessário criar reservas protegidas.
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Ecologia e meio ambiente
O clima da Terra em debate!
Participe de um bate-papo sobre como as mudanças climáticas ameaçam o futuro do nosso planeta
(Ilustração: Mario Bag).
Com certeza, você já deve ter ouvido falar sobre o aquecimento global: o aumento da temperatura da Terra. Não é à toa. Esse tema ganhou espaço na TV, no rádio, nos jornais e na Internet porque representa um grande risco para a vida no nosso planeta.
Junto com outros fatores, o aquecimento global está modificando o clima da Terra, o que pode provocar graves conseqüências, como desastres naturais, a extinção de animais e plantas, o aumento do nível dos mares e muito mais. Por isso, é importante debatê-lo, como farão, nesta terça-feira, dia 27 de maio, meninos e meninas, com idade entre 10 e 12 anos, no Rio de Janeiro.
Reunidos na Fundação Oswaldo Cruz, eles têm um encontro marcado com um grande especialista em mudanças climáticas, o engenheiro Roberto Schaeffer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e também com um dos maiores pensadores brasileiros, o teólogo e filósofo Leonardo Boff. Mas o melhor é saber que você também pode participar desse bate-papo. Mesmo que à distância.
Para tanto, acesse, nesta terça-feira, das 9h15 às 12h10 e das 15h40 às 16h30, a página do Museu da Vida na Internet e acompanhe, ao vivo, o evento Mudanças climáticas: um debate para os futuros cidadãos. Além de ficar por dentro de tudo o que for dito a respeito desse tema tão importante, você vai ter a chance de enviar perguntas aos palestrantes. Então, participe!
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Perigo no céu
Entenda por que soltar balões é crime
“O balão vai subindo/ Vem caindo a garoa/ O céu é tão lindo e a noite é tão boa/ São João, São João/ Acende a fogueira no meu coração.”
Essa tradicional canção, sempre presente nas festas juninas, chama-se Sonho de papel e romanceia um pouco o ato de soltar balões. Mas você sabia que os balões estão mais para pesadelo do que para sonho?
Pois é: os balões representam um grande perigo para o meio ambiente, os aviões e, claro, para as pessoas. Por isso, soltá-los é crime, assim como fabricá-los, guardá-los e transportá-los.
“De cada 100 incêndios florestais que acontecem a cada ano, 20 a 25 são causados por balões”, conta o major Luiz Otávio Moura Gaspar, do Corpo de Bombeiros da cidade do Rio de Janeiro. “Muitas vezes, como os balões caem em lugares de difícil acesso, não há nem trilhas que os bombeiros possam usar para alcançar o local do incêndio. Além disso, com freqüência, é preciso apagar o fogo com o uso de helicópteros, o que aumenta o custo da operação e dificulta a ação dos bombeiros.”
Os balões, no entanto, não causam estragos apenas às florestas. Eles podem cair em qualquer lugar, incendiando de casas – o que coloca em risco a vida dos seus moradores – até indústrias que trabalham com combustíveis, o que pode causar explosões e acidentes muito graves. “Além disso, os balões podem provocar acidentes aéreos, ao colidir com aviões, já que não são detectados pelos radares dos aeroportos e das aeronaves”, conta o major Gaspar.
Se não bastasse tudo isso, ainda há o perigo imediato que os balões representam para as pessoas que insistem em soltá-los. Segundo a cirurgiã plástica Irene Daher, do Hospital Municipal Souza Aguiar, do Rio de Janeiro, quem está presente, na hora de fazer o balão subir aos céus, corre risco, pois há chance de ocorrer uma explosão. Ainda mais porque, quando os balões são soltos, é comum que fogos de artifício sejam lançados, algo também perigoso, já que pode provocar queimaduras em quem está por perto. “Quando há queimaduras muito graves, as cicatrizes ficam feias e as pessoas não se recuperam totalmente”, alerta a médica.
Para prevenir todos esses problemas, causados pelo costume de soltar balões, o Corpo de Bombeiros trabalha em parceria com a polícia, que prende os suspeitos de lançá-los, fabricá-los, guardá-los e transportá-los. A única forma de se evitar acidentes, no entanto, é conscientizar as pessoas a respeito dos perigos que o balão representa. “Elas têm que saber quais são as conseqüências de um balão cair aceso em uma floresta ou em qualquer outro lugar”, conta o major Gaspar.
Agora que você já sabe um pouco do que pode acontecer por causa dos balões, não se esqueça: nas festas juninas e julinas (comuns em alguns municípios brasileiros), só há lugar para eles nas letras das músicas das quadrilhas ou junto com as bandeirinhas, na simples forma de um enfeite.
Não confunda!
Soltar balões, como os de São João, não é o mesmo que praticar balonismo. O balonismo – o vôo em balões de ar quente – é uma prática relativamente segura, já que requer uma autorização específica do Departamento de Aviação Civil e é realizada, por exemplo, em horários específicos, justamente para evitar o encontro com um avião ou mesmo com outro balão. Além disso, há outros cuidados, como o fato de o tecido do balão ser à prova de fogo. Por conta disso, esse tipo de balão não corre risco de se incendiar.
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Decifrando o gelo
Cientista brasileiro vai à Antártica para estudar as variações no clima da Terra
90% de todo o gelo do planeta Terra está na Antártica
O brasileiro Jefferson Cardia Simões está pronto para entrar numa fria: ele está a caminho do lugar mais gelado da Terra: a Antártica, onde, no verão, a temperatura varia entre 35 e 40 graus Celsius negativos. Brrrrrrrr!
Você deve estar se perguntando: mas por que viajar para um lugar tão hostil? Ora, para desvendar o que está escondido naquele gelo todo! “O gelo antártico guarda uma rica história do clima, do ciclo hidrológico e da atmosfera do planeta”, conta o pesquisador, do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Vamos coletar amostras e analisá-las para descobrir como a atmosfera chegou às condições em que se encontra hoje, além de fazer previsões sobre o futuro do manto de gelo antártico.”
As geleiras e mantos de gelo são formados por neve acumulada na forma de camadas horizontais. Ao cair, a neve carrega uma série de impurezas presentes na atmosfera, transformando-se em gelo por causa da pressão das camadas que já haviam sido depositadas. Como o gelo não derrete, a seqüência anual das camadas e sua composição química é preservada.
Pesquisadores retiram e analisam amostras de gelo que ajudam a contar a história do clima do planeta (fotos: Jefferson Cardia Simões)
Os pesquisadores, então, fazem perfurações no gelo e retiram amostras de diversas camadas. “Os ‘testemunhos de gelo’ contam, entre outras, histórias sobre a poluição global e as atividades vulcânicas e biológicas do planeta e suas variações ao longo do tempo”, explica Jefferson, que é glaciologista, ou seja, especialista em geleiras e glaciações e seus respectivos efeitos sobre a topografia ‐ as formas e as dimensões ‐ do planeta. Ele explica também que esse tipo de pesquisa pode ajudar na avaliação do impacto do aquecimento global sobre as geleiras e suas conseqüências para diversas partes do mundo ‐ o aumento no nível dos mares, por exemplo.
O gelo antártico ‐ equivalente a 90% de todo o gelo do planeta ‐ ocupa cerca de 14 milhões de quilômetros quadrados e sua espessura pode atingir cinco quilômetros. Com essas medidas, ganha o título de maior fonte de água potável da Terra ‐ 25 milhões de quilômetros cúbicos! Para você ter uma idéia, se ele derretesse, o nível dos mares subiria nada menos que 60 metros, causando danos às populações que vivem no litoral dos diversos continentes.
“Hoje, sabemos que isso não pode ocorrer”, diz Jefferson. “Por outro lado, o Programa das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas prevê o aumento do nível do mar de, no mínimo, 20 centímetros e de, no máximo, 80 centímetros até o ano 2100.” O preocupante é que a variação da área do gelo antártico, com o seu derretimento, causa mudanças na temperatura de todo o Hemisfério Sul.
Essa é a primeira vez que o Brasil faz uma missão terrestre no interior da Antártica para atingir o Pólo Sul Geográfico (o ponto fixo onde o eixo de rotação da Terra cruza a superfície do planeta). A expedição está sendo organizada pelo Chile e a experiência dos cientistas brasileiros será importante para desenvolver novas tecnologias e planejar missões nacionais no interior da Antártica, inclusive uma travessia totalmente brasileira prevista para 2007. Mas essa já é outra história. Por hora, aguardamos a volta dos pesquisadores, em janeiro!
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Que barulho é esse?
Conheça a pororoca, que provoca ondas de até 10 metros em rios do norte do país
O suave ruído das águas dos rios, dos pássaros e do vento nas árvores é quebrado por um barulho ensurdecedor. Ao longe, no horizonte, uma gigantesca onda de água avança rio acima destruindo tudo o que encontra pelo caminho. Pedaços de terra são arrancados das margens. Árvores se curvam e são derrubadas com a passagem dessa onda. No final do espetáculo, ouve-se um som parecido com o de marolas chegando à praia e tudo volta ao normal.
Pororoca no Amapá (foto: Marcello Lourenço)
Essa coluna d’água barulhenta se chama pororoca. A palavra vem do termo poroc-poroc, que, em dialeto indígena do baixo Amazonas, significa ’destruidor’. A pororoca ocorre durante todo o ano, principalmente em época de lua cheia ou nova, em várias partes do mundo, nos rios com pouca profundidade e que são influenciados pelas marés. No Brasil, o fenômeno é mais forte no rio Amazonas e nos rios do Amapá, que desembocam no oceano Atlântico.
A pororoca parece com as ondas do mar que você conhece e que tanto fascinam os surfistas. A diferença é que o surfista permanece na crista de uma onda comum durante apenas alguns segundos ou, no máximo, poucos minutos. Na pororoca, dá para pegar uma onda de 10 minutos! Já teve quem tentasse fazer isso no Amapá e... haja perna!
O fenômeno da pororoca começa quando as águas das marés vindas do oceano chegam à desembocadura de um rio, ou seja, onde este lança suas águas. Quando as águas do mar se chocam com as águas do rio, começa a luta. No início do combate, ninguém perde. Até que as águas do mar mostram sua força e sobem rio adentro, com algumas dezenas de metros de comprimento. O fenômeno faz com que a correnteza do rio comece a ir para o lado contrário.
A maioria das pororocas é pequena, com cerca de meio metro de altura, mas algumas podem atingir até 10 metros! No Brasil, formam-se ondas de até seis metros de amplitude e com algumas dezenas de metros de comprimento, que se movem rio acima com uma velocidade de 30 quilômetros por hora. As águas da pororoca, no estado do Amapá, chegam a avançar cerca de 50 quilômetros acima da foz do rio Araguari.
Protetores solares não são a única forma de conter a radiação ultravioleta do Sol!
No primeiro texto da série especial sobre verão da CHC on-line, você aprendeu que os protetores solares são necessários para evitarmos as conseqüências da exposição excessiva aos raios ultravioleta do Sol. Essa é uma radiação invisível, ou seja, sabemos de sua existência através de seus efeitos, mas o corpo humano não é capaz de senti-la. Então, já que abrir os olhos não adianta, o jeito é tomar cuidado, porque a radiação ultravioleta pode fazer muito mal à nossa saúde!
Se a camada de ozônio não existisse, poderíamos
ficar menos tempo no sol sem nos queimarmos
Depois de muitos estudos, os cientistas descobriram que existem três tipos de radiação ou UV, como é conhecida. Os tipos A e B são aqueles que, em excesso, podem prejudicar nossa pele. Já o tipo C é totalmente absorvido pela atmosfera da Terra e, por isso, não chega até nós. A maior preocupação dos médicos é com a radiação UV-B, que pode causar o câncer de pele.
Mas você sabia que, além dos protetores solares, há uma outra espécie de barreira natural contra a radiação ultravioleta do tipo B? Essa barreira existe: é a camada de ozônio. No seu caminho do Sol para a Terra, a radiação UV-B passa pela atmosfera e é enfraquecida quando penetra na camada de ozônio. Ali, parte dessa radiação é absorvida, e ela chega muito mais fraca ao nosso planeta. O ozônio é um gás natural da atmosfera e a tal camada é a região em que grande quantidade desse gás está concentrada. Se essa camada não existisse, a radiação UV-B chegaria a nós com muito mais intensidade, e a gente poderia ficar menos tempo no sol sem se queimar.
Acontece que os avanços da indústria permitem que o homem invente produtos cada vez mais sofisticados. E alguns desses inventos produzem resíduos na forma de gás, que vão para a atmosfera e acabam entrando em choque com os gases naturais. Veja um exemplo: as substâncias químicas usadas para fazer gelo nas geladeiras e nos aparelhos de ar condicionado são chamadas CFC. A sigla representa as substâncias que contêm cloro, o elemento químico que destrói a camada de ozônio.
Muitas pesquisas são feitas para tentar diminuir a quantidade de cloro lançada na atmosfera. Mas os resultados desses trabalhos não são imediatos, ou seja, a destruição da camada de ozônio ainda deve durar muitos anos. Logo, a radiação UV-B deve aumentar no futuro. E, como a radiação UV-B é invisível, é muito importante que ela seja medida para que possamos nos prevenir. Hoje, existem instrumentos (dos mais simples aos mais sofisticados) para medir a camada de ozônio e a radiação ao mesmo tempo. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mantém vários medidores de radiação UV-B em vários pontos do Brasil e em países vizinhos, para estudar seus efeitos. Os pesquisadores estão sempre atentos para avisar a população em caso de necessidade.
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Uma triste notícia para a fauna brasileira
Lista enumera quase 400 espécies de bichos ameaçados de extinção em nosso país
São quase 400 as espécies de bichos brasileiros que correm o risco de desaparecer para sempre de nossos ecossistemas. Quem divulgou essa triste notícia foi o Ministério do Meio Ambiente, que apresentou em maio a lista oficial dos animais ameaçados de extinção no Brasil. Essa lista enumera 395 espécies de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. O número lhe parece alto? Pois saiba que a relação nem inclui peixes e invertebrados marinhos! Esses animais serão examinados em uma lista a parte, que deve ser divulgada ainda em 2003.
A última lista oficial de bichos ameaçados no Brasil havia sido apresentada em 1989, e contava com 219 espécies -- pouco mais da metade do número de 2003! No entanto, é preciso tomar cuidado com essa comparação. O número de animais em risco de extinção certamente aumentou muito, devido à devastação do meio ambiente, à caça ou à poluição. No entanto, não podemos dizer que o número de espécies ameaçadas dobrou nos últimos treze anos. Na verdade, a lista mostra também que agora os cientistas conhecem melhor a fauna brasileira e podem dizer com mais precisão quais são os bichos em perigo.
As espécies ameaçadas da nova lista são 160 aves, 69 mamíferos, 20 répteis, 16 anfíbios e 130 invertebrados terrestres. A relação inclui oito espécies que já desapareceram totalmente: duas aves, uma perereca, três insetos e duas minhocas. Há também duas aves que não ocorrem mais na natureza e só existem em cativeiro: a ararinha-azul e o mutum-de-Alagoas. Entre as várias espécies que passaram a integrar a lista de bichos ameaçados em 2003, estão o macaco-prego ou a jararaca, por exemplo. No entanto, felizmente algumas espécies que estavam na lista de 1989 não estão mais ameaçadas -- como o jacaré-açu, o gato-do-mato ou a surucucu. Outra boa notícia é a situação do mico-leão dourado: na última lista, ele havia sido classificado como ’criticamente em perigo’; agora, ele é considerado "apenas" ’em perigo’.
O jacaré-açu deixou de ser considerado ameaçado de extinção
(foto: Carlos Frederico Duarte da Rocha / CHC 90)
Para definir se uma espécie vai entrar na lista, os cientistas fazem uma avaliação do tamanho da população desse animal, da sua diversidade genética e da situação do hábitat onde eles vivem. Animais que habitam regiões onde a devastação é grande, como a Mata Atlântica, por exemplo, correm maior risco de desaparecerem. Não é por acaso que sete em cada dez espécies de vertebrados terrestres da nova lista existem ali, e que cem espécies desse grupo ocorrem apenas nesse bioma.
A lista foi elaborada por cerca de 200 cientistas da Fundação Biodiversitas e de várias outras instituições que lutam pela preservação do meio ambiente, centros de pesquisa e órgãos governamentais. Esse documento vai ajudar os cientistas a orientar seus esforços para preservar os bichos ameaçados: eles poderão indicar quais espécies precisam de proteção especial e determinar onde é necessário criar reservas protegidas.
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Ecologia e meio ambiente
O clima da Terra em debate!
Participe de um bate-papo sobre como as mudanças climáticas ameaçam o futuro do nosso planeta
(Ilustração: Mario Bag).
Com certeza, você já deve ter ouvido falar sobre o aquecimento global: o aumento da temperatura da Terra. Não é à toa. Esse tema ganhou espaço na TV, no rádio, nos jornais e na Internet porque representa um grande risco para a vida no nosso planeta.
Junto com outros fatores, o aquecimento global está modificando o clima da Terra, o que pode provocar graves conseqüências, como desastres naturais, a extinção de animais e plantas, o aumento do nível dos mares e muito mais. Por isso, é importante debatê-lo, como farão, nesta terça-feira, dia 27 de maio, meninos e meninas, com idade entre 10 e 12 anos, no Rio de Janeiro.
Reunidos na Fundação Oswaldo Cruz, eles têm um encontro marcado com um grande especialista em mudanças climáticas, o engenheiro Roberto Schaeffer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e também com um dos maiores pensadores brasileiros, o teólogo e filósofo Leonardo Boff. Mas o melhor é saber que você também pode participar desse bate-papo. Mesmo que à distância.
Para tanto, acesse, nesta terça-feira, das 9h15 às 12h10 e das 15h40 às 16h30, a página do Museu da Vida na Internet e acompanhe, ao vivo, o evento Mudanças climáticas: um debate para os futuros cidadãos. Além de ficar por dentro de tudo o que for dito a respeito desse tema tão importante, você vai ter a chance de enviar perguntas aos palestrantes. Então, participe!
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Perigo no céu
Entenda por que soltar balões é crime
“O balão vai subindo/ Vem caindo a garoa/ O céu é tão lindo e a noite é tão boa/ São João, São João/ Acende a fogueira no meu coração.”
Essa tradicional canção, sempre presente nas festas juninas, chama-se Sonho de papel e romanceia um pouco o ato de soltar balões. Mas você sabia que os balões estão mais para pesadelo do que para sonho?
Pois é: os balões representam um grande perigo para o meio ambiente, os aviões e, claro, para as pessoas. Por isso, soltá-los é crime, assim como fabricá-los, guardá-los e transportá-los.
“De cada 100 incêndios florestais que acontecem a cada ano, 20 a 25 são causados por balões”, conta o major Luiz Otávio Moura Gaspar, do Corpo de Bombeiros da cidade do Rio de Janeiro. “Muitas vezes, como os balões caem em lugares de difícil acesso, não há nem trilhas que os bombeiros possam usar para alcançar o local do incêndio. Além disso, com freqüência, é preciso apagar o fogo com o uso de helicópteros, o que aumenta o custo da operação e dificulta a ação dos bombeiros.”
Os balões, no entanto, não causam estragos apenas às florestas. Eles podem cair em qualquer lugar, incendiando de casas – o que coloca em risco a vida dos seus moradores – até indústrias que trabalham com combustíveis, o que pode causar explosões e acidentes muito graves. “Além disso, os balões podem provocar acidentes aéreos, ao colidir com aviões, já que não são detectados pelos radares dos aeroportos e das aeronaves”, conta o major Gaspar.
Se não bastasse tudo isso, ainda há o perigo imediato que os balões representam para as pessoas que insistem em soltá-los. Segundo a cirurgiã plástica Irene Daher, do Hospital Municipal Souza Aguiar, do Rio de Janeiro, quem está presente, na hora de fazer o balão subir aos céus, corre risco, pois há chance de ocorrer uma explosão. Ainda mais porque, quando os balões são soltos, é comum que fogos de artifício sejam lançados, algo também perigoso, já que pode provocar queimaduras em quem está por perto. “Quando há queimaduras muito graves, as cicatrizes ficam feias e as pessoas não se recuperam totalmente”, alerta a médica.
Para prevenir todos esses problemas, causados pelo costume de soltar balões, o Corpo de Bombeiros trabalha em parceria com a polícia, que prende os suspeitos de lançá-los, fabricá-los, guardá-los e transportá-los. A única forma de se evitar acidentes, no entanto, é conscientizar as pessoas a respeito dos perigos que o balão representa. “Elas têm que saber quais são as conseqüências de um balão cair aceso em uma floresta ou em qualquer outro lugar”, conta o major Gaspar.
Agora que você já sabe um pouco do que pode acontecer por causa dos balões, não se esqueça: nas festas juninas e julinas (comuns em alguns municípios brasileiros), só há lugar para eles nas letras das músicas das quadrilhas ou junto com as bandeirinhas, na simples forma de um enfeite.
Não confunda!
Soltar balões, como os de São João, não é o mesmo que praticar balonismo. O balonismo – o vôo em balões de ar quente – é uma prática relativamente segura, já que requer uma autorização específica do Departamento de Aviação Civil e é realizada, por exemplo, em horários específicos, justamente para evitar o encontro com um avião ou mesmo com outro balão. Além disso, há outros cuidados, como o fato de o tecido do balão ser à prova de fogo. Por conta disso, esse tipo de balão não corre risco de se incendiar.
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Decifrando o gelo
Cientista brasileiro vai à Antártica para estudar as variações no clima da Terra
90% de todo o gelo do planeta Terra está na Antártica
O brasileiro Jefferson Cardia Simões está pronto para entrar numa fria: ele está a caminho do lugar mais gelado da Terra: a Antártica, onde, no verão, a temperatura varia entre 35 e 40 graus Celsius negativos. Brrrrrrrr!
Você deve estar se perguntando: mas por que viajar para um lugar tão hostil? Ora, para desvendar o que está escondido naquele gelo todo! “O gelo antártico guarda uma rica história do clima, do ciclo hidrológico e da atmosfera do planeta”, conta o pesquisador, do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Vamos coletar amostras e analisá-las para descobrir como a atmosfera chegou às condições em que se encontra hoje, além de fazer previsões sobre o futuro do manto de gelo antártico.”
As geleiras e mantos de gelo são formados por neve acumulada na forma de camadas horizontais. Ao cair, a neve carrega uma série de impurezas presentes na atmosfera, transformando-se em gelo por causa da pressão das camadas que já haviam sido depositadas. Como o gelo não derrete, a seqüência anual das camadas e sua composição química é preservada.
Pesquisadores retiram e analisam amostras de gelo que ajudam a contar a história do clima do planeta (fotos: Jefferson Cardia Simões)
Os pesquisadores, então, fazem perfurações no gelo e retiram amostras de diversas camadas. “Os ‘testemunhos de gelo’ contam, entre outras, histórias sobre a poluição global e as atividades vulcânicas e biológicas do planeta e suas variações ao longo do tempo”, explica Jefferson, que é glaciologista, ou seja, especialista em geleiras e glaciações e seus respectivos efeitos sobre a topografia ‐ as formas e as dimensões ‐ do planeta. Ele explica também que esse tipo de pesquisa pode ajudar na avaliação do impacto do aquecimento global sobre as geleiras e suas conseqüências para diversas partes do mundo ‐ o aumento no nível dos mares, por exemplo.
O gelo antártico ‐ equivalente a 90% de todo o gelo do planeta ‐ ocupa cerca de 14 milhões de quilômetros quadrados e sua espessura pode atingir cinco quilômetros. Com essas medidas, ganha o título de maior fonte de água potável da Terra ‐ 25 milhões de quilômetros cúbicos! Para você ter uma idéia, se ele derretesse, o nível dos mares subiria nada menos que 60 metros, causando danos às populações que vivem no litoral dos diversos continentes.
“Hoje, sabemos que isso não pode ocorrer”, diz Jefferson. “Por outro lado, o Programa das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas prevê o aumento do nível do mar de, no mínimo, 20 centímetros e de, no máximo, 80 centímetros até o ano 2100.” O preocupante é que a variação da área do gelo antártico, com o seu derretimento, causa mudanças na temperatura de todo o Hemisfério Sul.
Essa é a primeira vez que o Brasil faz uma missão terrestre no interior da Antártica para atingir o Pólo Sul Geográfico (o ponto fixo onde o eixo de rotação da Terra cruza a superfície do planeta). A expedição está sendo organizada pelo Chile e a experiência dos cientistas brasileiros será importante para desenvolver novas tecnologias e planejar missões nacionais no interior da Antártica, inclusive uma travessia totalmente brasileira prevista para 2007. Mas essa já é outra história. Por hora, aguardamos a volta dos pesquisadores, em janeiro!
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Que barulho é esse?
Conheça a pororoca, que provoca ondas de até 10 metros em rios do norte do país
O suave ruído das águas dos rios, dos pássaros e do vento nas árvores é quebrado por um barulho ensurdecedor. Ao longe, no horizonte, uma gigantesca onda de água avança rio acima destruindo tudo o que encontra pelo caminho. Pedaços de terra são arrancados das margens. Árvores se curvam e são derrubadas com a passagem dessa onda. No final do espetáculo, ouve-se um som parecido com o de marolas chegando à praia e tudo volta ao normal.
Pororoca no Amapá (foto: Marcello Lourenço)
Essa coluna d’água barulhenta se chama pororoca. A palavra vem do termo poroc-poroc, que, em dialeto indígena do baixo Amazonas, significa ’destruidor’. A pororoca ocorre durante todo o ano, principalmente em época de lua cheia ou nova, em várias partes do mundo, nos rios com pouca profundidade e que são influenciados pelas marés. No Brasil, o fenômeno é mais forte no rio Amazonas e nos rios do Amapá, que desembocam no oceano Atlântico.
A pororoca parece com as ondas do mar que você conhece e que tanto fascinam os surfistas. A diferença é que o surfista permanece na crista de uma onda comum durante apenas alguns segundos ou, no máximo, poucos minutos. Na pororoca, dá para pegar uma onda de 10 minutos! Já teve quem tentasse fazer isso no Amapá e... haja perna!
O fenômeno da pororoca começa quando as águas das marés vindas do oceano chegam à desembocadura de um rio, ou seja, onde este lança suas águas. Quando as águas do mar se chocam com as águas do rio, começa a luta. No início do combate, ninguém perde. Até que as águas do mar mostram sua força e sobem rio adentro, com algumas dezenas de metros de comprimento. O fenômeno faz com que a correnteza do rio comece a ir para o lado contrário.
A maioria das pororocas é pequena, com cerca de meio metro de altura, mas algumas podem atingir até 10 metros! No Brasil, formam-se ondas de até seis metros de amplitude e com algumas dezenas de metros de comprimento, que se movem rio acima com uma velocidade de 30 quilômetros por hora. As águas da pororoca, no estado do Amapá, chegam a avançar cerca de 50 quilômetros acima da foz do rio Araguari.
História
No tempo dos faraós
Exposição do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, apresenta o Egito antigo
"Passageiros da barca dos milhões de anos: próxima saída para o reino dos mortos às seis horas!", anuncia o deus Ra. Ao ouvir o chamado, todos os akh -- os renascidos -- embarcaram. E você, vai ficar aí parado? Se o reino dos mortos não desperta o seu interesse, mas viajar ao Egito sim, saiba que o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, inaugurou uma exposição arqueológica que permite conhecer melhor a antiga civilização egípcia!
Retrato Sarcófago e múmia de Hori expostos no Museu Nacional. Hori era sacerdote e
guardião do harém real no antigo Egito. A múmia teria três mil anos de idade!
(fotos: José Caldas)
Foi no Egito, localizado ao norte da África, que floresceu há mais de cinco mil anos a primeira grande civilização ocidental. Pirâmides e múmias são alguns dos mais conhecidos aspectos dessa cultura. Os segredos do antigo Egito começaram a ser desvendados quando um arqueólogo decifrou no século 19 os símbolos que os egípcios usavam para escrever (hieróglifos).
Hoje, uma forma de aprender sobre essa civilização é visitar a Coleção Egiptológica do Museu Nacional, que conta com 700 peças, incluindo sarcófagos, amuletos, máscaras e... múmias! A grande estrela da coleção é a múmia do sacerdote Hori. Em seu sarcófago, está representada uma cena do mito da barca dos milhões de anos, descrito no início do texto. Para os egípcios, essa barca os levaria ao reino dos mortos. Eles acreditavam em vida após a morte e desenhavam nos sarcófagos eventos que achavam que aconteceriam quando morressem. Escreviam ainda palavras mágicas em homenagem aos deuses, sobretudo a Osíris, deus dos mortos.
Dentro do ataúde de Hori foi trazida uma múmia ao Rio de Janeiro. Segundo o arqueólogo Moacir Sadowski, muitos pesquisadores do Museu Nacional acreditam que ela é o sacerdote e tem 3 mil anos de idade. Mas o estilo de enfaixamento sugere que o corpo mumificado é mais novo e teria vivido por volta do ano 600 antes de Cristo. De qualquer forma, vale a pena vê-lo!
Outra múmia da mostra também merece atenção: a Princesa do Sol. Seus membros foram enfaixados separadamente com linho, característica rara encontrada só em sete múmias expostas em museus europeus. Em geral, a múmia era enfaixada com braços e pernas juntos ao corpo.
Sarcófago de Sha-amun-em-su, um dos poucos do mundo que ainda
não foram abertos. Mesmo assim, é possível ver os pés da múmia
Veja também o único sarcófago da América do Sul nunca aberto: o de Sha-amun-em-su, cantora do templo de Amon, antigo deus dos ventos. Abrir sarcófagos encontrados fechados não é recomendável! Medo de maldição? Nada disso! Mantê-los assim significa respeito e evita danos à peça. Mas a tecnologia ajuda a matar a curiosidade: com raios X, os arqueólogos viram o corpo feminino dentro do sarcófago.
Conheça ainda os blocos de pedra colocados dentro da tumba onde eram escritos pedidos e preces como oferendas aos deuses para que ajudassem o morto na outra vida. Amuletos e vasos onde eram colocados os órgãos mumificados também estão expostos. Esses objetos mostram como crenças religiosas eram importantes para os egípcios.
Se você sempre quis saber mais sobre essa civilização, pode comemorar! Nos próximos dias, a CHC on-line publicará vários textos que contam vários detalhes da história do antigo Egito -- inclusive como e por que os mortos eram mumificados!
Museu Nacional da UFRJ
Endereço: Quinta da Boa Vista, s/n
São Cristóvão - Rio de Janeiro/RJ
Telefone: (21) 2568-8262
Horários: de terça a domingo, das 10h às 16h
Entrada: R$ 3. Grátis para maiores
de 65 anos e menores de 10 anos
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História
Independência ou morte!
Você sabe que ele disse essa frase, mas o que mais conhece a respeito de D. Pedro I?
D. Pedro I foi um menino que gostava de pregar peças nos outros, um adolescente namorador e um marido meio pão-duro (ilustração: Mario Bag).
Há 186 anos, no dia sete de setembro de 1822, D. Pedro I disse a frase que entraria para a História: “Independência ou morte!”, declarando, assim, que o Brasil deixava de ser uma colônia de Portugal para se tornar um país independente.
Mas se isso você aprendeu na escola, aposto que ninguém lhe contou – ainda! – que D. Pedro I foi um menino que gostava de pregar peças nos outros, um adolescente namorador e um marido meio pão-duro.
Pois agora você vai saber disso tudo – e muito mais – sobre um dos personagens mais importantes da nossa história: D. Pedro I!
Infância de príncipe
Filho de D. João VI e Carlota Joaquina, Pedro nasceu em Portugal no dia 12 de outubro de 1798 e, até embarcar para o Brasil, no dia 27 de novembro de 1807, viveu no Palácio de Queluz junto com sua avó, apelidada de “Dona Maria, a Louca”.
Os pais de D. Pedro I: D. João VI e Carlota Joaquina (imagens: reproduções de Retrato de D. João VI e Rainha Carlota Joaquina, de Jean Baptiste Debret).
Ainda menino, ficou deslumbrado com o uniforme de um general francês que se apresentou na corte de D. João VI como embaixador da França. Tanto encantamento fez com que seu pai pedisse o uniforme emprestado, para fazer um igual para ele e o filho.
Quando chegou ao Brasil, Pedro tinha apenas nove anos (imagem: reprodução de D. Pedro de Alcântara, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, de Jules Vauthier).
Pedro chegou ao Brasil aos nove anos de idade. No Rio de Janeiro, onde passou a viver, cresceu muito livre e solto. Gostava de pregar peça nos outros e de brincar de soldado e de guerra com seu irmão mais novo, Miguel, com quem também brigava muito. “Além disso, apreciava a companhia das pessoas mais simples e fazia muitos exercícios: andava a cavalo, por exemplo, pois montava muito bem”, conta a historiadora Isabel Lustosa, da Fundação Casa de Rui Barbosa. Para completar, quando criança, aprendeu marcenaria e música.
D. Pedro I: jeito de ser
D. Pedro I sempre apresentou uma personalidade difícil. “Ele era impulsivo, sujeito a ataques de fúria sucedidos por grandes arrependimentos, algo que talvez se devesse ao fato de ser epilético”, conta Isabel Lustosa, referindo-se à doença que D. Pedro I apresentava, caracterizada por convulsões e crises de perda de consciência.
Apesar disso, D. Pedro I era muito ativo: costumava acordava cedo e estava sempre em movimento. “Durante a adolescência, revelou-se um grande namorador, o que continuou sendo a vida toda, mesmo depois de casado”, conta Isabel Lustosa.
Marido nota zero
Leopoldina, a esposa de D. Pedro I.
D. Pedro I foi um marido infiel e muito duro com sua primeira mulher: Dona Leopoldina.
Sua esposa o amava e sofreu por ele, mesmo casado, continuar a se encontrar com outra mulher: a Marquesa de Santos.
Além disso, D. Pedro I era avarento, ou seja, pão-duro.
Como resultado, sua esposa vivia de forma muito pobre.
Circulava também o boato de ele, eventualmente, ter batido nela – um horror!
Amigos do peito
D. Pedro I tornou-se muito amigo de um dos seus ministros: José Bonifácio (imagem: Wikipedia).
Apesar de ser uma pessoa difícil de lidar, D. Pedro I teve alguns amigos próximos. Um deles era conhecido como Chalaça: um sujeito engraçado, que era seu companheiro para farrear. Eles andavam sempre juntos.
“Já na vida política, D. Pedro chegou a ser muito amigo de seu ministro José Bonifácio”, conta Isabel Lustosa. “Depois, porém, rompeu com ele e o expulsou do Rio de Janeiro.” Banido do Brasil, José Bonifácio viveu na França por mais de seis anos. Quando retornou ao Rio de Janeiro, em 1829, D. Pedro o recebeu como se a amizade fosse a mesma do começo.
Apesar do que havia feito com ele, D. Pedro considerava José Bonifácio um “verdadeiro amigo”, tanto que quando teve que abrir mão do trono brasileiro, o nomeou o responsável por seu filho D. Pedro II, que continuou no Brasil.
Na História brasileira
D. Pedro I foi um personagem muito importante para a História do nosso país, em especial para a independência do Brasil. No dia 9 de janeiro de 1822 – o “Dia do Fico”, em que disse a famosa frase “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico” –, ele recusou-se a voltar a Portugal, como lhe era exigido, e, uma vez no Brasil, assumiu as causas dos brasileiros como uma causa sua.
A cerimônia de coroação de D. Pedro I como imperador do Brasil (imagem: reprodução de Coroação de D. Pedro I, de Jean Baptiste Debret).
“Essa decisão influiu no destino do nosso país, pois, se D. Pedro I não tivesse ficado aqui, provavelmente o Brasil se dividiria em vários países, como ocorreu nas áreas do continente americano que ficaram sob domínio espanhol”, explica Isabel Lustosa.
Para você ter uma idéia, a América Central, por exemplo, foi colônia espanhola e hoje está dividida em vários países, como Costa Rica e Nicarágua, em parte por não contar com um governo único e centralizado na época da colonização. D. Pedro I, ao ficar no Brasil, desempenhou esse papel de centralizar o poder após a independência, contribuindo assim para manter o nosso país unido.
Caso D. Pedro I tivesse partido, porém, não é provável apenas que o Brasil tivesse se dividido. Talvez ele também não tivesse continuado a ser uma monarquia – a única das Américas – como ocorreu. Afinal, apenas em 1889, o Brasil se tornaria uma república.
Nem tudo, porém, são flores. É preciso lembrar que o fato de o Brasil ter continuado a ser uma monarquia após a independência – e ter como imperador alguém que mantinha uma ligação muito próxima com Portugal, como D. Pedro I – prejudicou a política e os interesses do Brasil em vários pontos.
Assim são a História e os personagens que fazem parte dela: repleta de ações que têm conseqüências ao mesmo tempo boas e ruins.
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Hora de brincar!
Que tal dar um giro pela história e saber como eram as brincadeiras de antigamente?
A boneca Susi chegou ao Brasil no início dos anos 1960; já o Falcon foi sucesso na década de 1980.
Brincar é muito bom. Concorda? Pois não é só você que acha isso. Todo mundo já foi criança um dia e, provavelmente, brincou muito! Acontece que no passado não havia tantos brinquedos à venda nas lojas. O que será que meninos e meninas faziam para se divertir?
Nossa viagem pelo mundo das brincadeiras começa no início do século 20. Ruas de chão, pouca iluminação, muitos terrenos baldios. O cenário parece sinistro? Que nada! Continha diversão a valer! Por volta de 1920 e 1930, as crianças adoravam, por exemplo, brincar na rua, principalmente de assustar os outros. Os meninos eram os donos das cenas de terror. “Eles pegavam um mamão verde, tiravam a polpa, faziam olhos, boca e colocavam uma vela acesa dentro. Então, corriam para cima da gente”, conta Lunéa Lopes, que nasceu no Rio de Janeiro em 1925.
Entre 1940 e 1950, as brincadeiras de rua continuavam: roda, corda e outras faziam a alegria da garotada. “A mais pedida era o ‘pau-pique’ ou ‘31 de janeiro’. A diversão era assim: todas as crianças faziam uma grande roda e, no meio, posicionavam um pedaço de pau. De mãos dadas elas contavam de 1º até 31 de janeiro e todas corriam para o centro da roda. Quem pegasse o pau primeiro era o vencedor”, diz Catharina de Abreu, que nasceu em 1937, na cidade de São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro.
No final de 1950 e início dos anos 1960, as indústrias começaram as crescer no Brasil e os brinquedos eram mais facilmente encontrados: bolas, bonecas, carrinhos de plásticos e movidos à pilha tornaram-se comuns. “A boneca Susi, até hoje encontrada nas lojas, chegou ao Brasil em 1962, e a Barbie, logo depois, em 1963”, explica Cristina Von, autora do livro A história do brinquedo, da Editora Alegro.
Mesmo com a industrialização dos brinquedos, meninos e meninas ainda se divertiam com brincadeiras bem tradicionais. A “cama-de-gato”, por exemplo, era um passatempo comum em diversas cidades brasileiras. Para quem não sabe, a brincadeira consiste em passar um barbante entre os dedos das mãos, formando desenhos geométricos. O desafio é uma criança retirar o barbante da mão da outra sustentando o barbante e formando um novo desenho. Nos anos 1970 e 1980, fez sucesso a brincadeira de pular o elástico. Em vez das mãos, usavam-se as pernas. A brincadeira envolvia, no mínimo, três pessoas: duas para segurar o elástico nas pernas e a terceira para cruzá-lo, sem se enroscar e cair.
Entre 1980 e 1990, a sensação da garotada eram bonecos de todos os tipos, como o famoso Falcon, que era o protótipo de um aventureiro voltado para distrair os meninos, mas que as meninas adoravam para fingir de marido da Susi ou da Barbie. O Forte Apache, que imitava uma aldeia de índios norte-americanos, com animais e outras miniaturas, também fazia sucesso, além de robôs, que funcionavam à pilha. Também foi nessa época o início da fabricação de brinquedos com tecnologias mais avançadas, como os videogames. “A idéia do videogame apareceu nos anos 1950, mas demorou até chegar a um bom produto” , diz Cristina Von. “Hoje qualquer criança conhece esses jogos interativos.”
No ano 2000 – que você conhece bem – videogames de última geração, além de outros jogos eletrônicos superavançados ganham a cena. Mas é bom saber: “Celular, computador, televisão e telefone não foram inventados para se tornarem brinquedos. Cada um deles tem uma função específica”, lembra Cristina. Por isso, aproveite a bola, o skate, o patinete para sacudir bem o esqueleto. Quem sabe você até se liga nas dicas de seus parentes que nasceram bem antes e lança uma “velha nova” brincadeira entre os amigos? O importante é reunir a galera e se divertir!
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Loucos por ti, América
Exposição resgata história dos povos que viviam no continente americano antes da chegada de Cristóvão Colombo
Talvez você já tenha ouvido falar de maias, incas e astecas. Mas será que sabe quem eram os zapotecas? Que tal mochica, nazca ou huari? Todos esses nomes esquisitos são de civilizações que viveram aqui pertinho, no mesmo continente que a gente, a América. Elas moraram aqui muito antes da chegada de Cristóvão Colombo, em 1492. Apesar disso, quase nenhum de nós sabe sobre a cultura, a arte e a ciência nessas civilizações que não tinham nada de primitivas. Apresentar ao público brasileiro esse passado meio esquecido é o objetivo da exposição Por Ti América, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.
A exposição reúne 350 peças de 50 das cerca de 70 civilizações diferentes que povoaram o México e as Américas Central e do Sul, originárias de 11 instituições e museus de sete países. “Nunca haviam sido reunidas peças de tantos povos americanos”, conta Helena Bomeny, coordenadora educacional da mostra. “É um acervo bastante representativo da diversidade dos povos da América.” Além de muitas peças de cerâmica, há artefatos feitos de pedra, osso e ouro. Objetos de madeira, couro e tecido também estão expostos, mas são mais raros, pois a maioria das civilizações americanas vivia em regiões quentes e úmidas, clima que não favorece a preservação desses materiais.
Mas será que essas civilizações tiveram relações umas com as outras? Quando os europeus chegaram aqui, além de encontrarem povos com avançados conhecimentos em várias áreas, perceberam que muitos se espalhavam por vastos territórios ou costumavam trocar bens ou conhecimentos uns com os outros. Essa interação pode ser notada, por exemplo, na existência de muitas características comuns na maioria dessas sociedades. Por exemplo: muitas interpretavam o mundo de maneira parecida ou tinham idéias religiosas semelhantes. Em várias culturas o milho era considerado um alimento sagrado e o mundo era visto como sendo formado por ciclos: noite e dia, frio e quente (estações do ano), nascimento e morte.
A religiosidade desses povos que viveram na América também é uma de suas características mais marcantes. Eles guerreavam entre si – como pode ser visto nas pinturas de sala do templo de Bonampak, reproduzida em tamanho real na exposição – e praticavam uma série de rituais, em ocasiões específicas (guerra, casamento etc) em honra dos deuses, para manter o equilíbrio do universo. Quem visitar a exposição Por Ti América pode ver encenações de muitos dos mais importantes desses ritos todos os dias da semana, às 17h, e pequenas encenações durante todo o dia.
O mundo animal também significava muito para nossos antepassados americanos. Seus deuses, em geral, apresentavam características de animais como o jaguar, a baleia, o macaco, a serpente, o urubu-rei ou misturavam elementos de vários deles. É por isso que os animais são o tema mais comum das pinturas e esculturas das civilizações pré-colombianas. Além de bonitos, tais objetos eram feitos com funções religiosas: podiam representar ou ser utilizados em ritos. Em sociedades divididas em camadas sociais bem rígidas, os artefatos serviam também para diferenciar os representantes de cada grupo.
Mas se você está pensando que a exposição trata só do passado do nosso continente, errou completamente! Esses povos também fazem parte do nosso presente. No Brasil não damos a merecida importância a essas culturas porque quase não temos contato com elas. “Nossos índios vivem isolados”, afirma Helena. “Nos países vizinhos, os descendentes dessas civilizações vivem nas grandes cidades, apesar de não terem condições de vida muito boas.” Dessa forma, o maior objetivo da exposição é incentivar os brasileiros a saber mais sobre sua própria terra, como acontece no resto da América Latina. Então, não perca tempo: visite a exposição e saia de lá com conhecimentos para dar e vender!
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Muito além das urnas
Entenda o que significa, como surgiu e evoluiu o conceito de democracia!
É ano de eleições. Na TV, nos jornais e cartazes nas ruas, as eleições são assunto constante. Elas fazem parte de uma idéia muito maior chamada democracia. Mas o que é democracia afinal? Essa palavra foi inventada pelos antigos gregos. Segundo o Dicionário Aurélio, ela significa "governo do povo, soberania popular".
Há cerca de 2500 anos, existiam duas maneiras de governar. Numa, a sociedade era comandada por uma só pessoa: o rei ou o monarca. Era a monarquia. Noutra, a sociedade era dirigida por um grupo pequeno de homens ricos. Era a aristocracia. Em algumas cidades da Grécia foi experimentada uma terceira forma de governo, na qual este deveria ser controlado pelo conjunto de homens livres da cidade: os cidadãos. Era a democracia.
Os cidadãos elegiam os governantes que, por sua vez, prestavam contas aos cidadãos daquilo que estavam fazendo. Se algum político no governo fazia algo que os cidadãos achavam errado, ele podia ser deposto e expulso da cidade. Na democracia, as leis deviam valer igualmente para todos os cidadãos. Ninguém devia ter nenhum privilégio diante da lei.
No entanto, nas cidades gregas da Antiguidade, a democracia se limitava à minoria da população. Os escravos não tinham direitos, não participavam da eleição nem do controle do governo. As mulheres também não tinham direitos políticos e ficavam inteiramente subordinadas aos homens. Além disso, só aqueles que nasciam na cidade podiam ser cidadãos. Mesmo que alguém morasse na cidade durante muitos anos, jamais poderia adquirir os direitos da cidadania.
A democracia na Grécia não durou muito. As sociedades se modificaram, surgiram situações novas e novas tentativas foram feitas, mas a experiência dos antigos gregos não foi esquecida. No Renascimento (movimento de cientistas e artistas que queriam trazer de volta as idéias e a arte dos Antigos), o exemplo da Grécia foi lembrado em algumas cidades italianas. No século 15, os habitantes de Florença tentaram organizar uma democracia como a grega, mas a tentativa também durou pouco.
No início dos tempos modernos, surgiu a idéia de se retomar a democracia, mas baseada na participação de todos e não de alguns, como na Grécia Antiga. Muitos grupos começaram a se organizar para lutar pelas mudanças necessárias, reformar as leis, superar as discriminações e eliminar privilégios. Para isso, era necessário que o poder do Estado fosse repartido entre o presidente da República (ou o rei), os ministros, governadores, deputados e juízes. Assim, no finalzinho do século 19, criou-se, em alguns países da Europa, o sufrágio universal.
Ainda há muitas dificuldades e muitos obstáculos para existir uma democracia plena. Ainda não existe uma democracia perfeita, nem um livro capaz de ensinar como ela deve ser. Por isso, os cidadãos precisam conversar muito uns com os outros e experimentar para descobrir como é que as coisas podem funcionar!
Exposição do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, apresenta o Egito antigo
"Passageiros da barca dos milhões de anos: próxima saída para o reino dos mortos às seis horas!", anuncia o deus Ra. Ao ouvir o chamado, todos os akh -- os renascidos -- embarcaram. E você, vai ficar aí parado? Se o reino dos mortos não desperta o seu interesse, mas viajar ao Egito sim, saiba que o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, inaugurou uma exposição arqueológica que permite conhecer melhor a antiga civilização egípcia!
Retrato Sarcófago e múmia de Hori expostos no Museu Nacional. Hori era sacerdote e
guardião do harém real no antigo Egito. A múmia teria três mil anos de idade!
(fotos: José Caldas)
Foi no Egito, localizado ao norte da África, que floresceu há mais de cinco mil anos a primeira grande civilização ocidental. Pirâmides e múmias são alguns dos mais conhecidos aspectos dessa cultura. Os segredos do antigo Egito começaram a ser desvendados quando um arqueólogo decifrou no século 19 os símbolos que os egípcios usavam para escrever (hieróglifos).
Hoje, uma forma de aprender sobre essa civilização é visitar a Coleção Egiptológica do Museu Nacional, que conta com 700 peças, incluindo sarcófagos, amuletos, máscaras e... múmias! A grande estrela da coleção é a múmia do sacerdote Hori. Em seu sarcófago, está representada uma cena do mito da barca dos milhões de anos, descrito no início do texto. Para os egípcios, essa barca os levaria ao reino dos mortos. Eles acreditavam em vida após a morte e desenhavam nos sarcófagos eventos que achavam que aconteceriam quando morressem. Escreviam ainda palavras mágicas em homenagem aos deuses, sobretudo a Osíris, deus dos mortos.
Dentro do ataúde de Hori foi trazida uma múmia ao Rio de Janeiro. Segundo o arqueólogo Moacir Sadowski, muitos pesquisadores do Museu Nacional acreditam que ela é o sacerdote e tem 3 mil anos de idade. Mas o estilo de enfaixamento sugere que o corpo mumificado é mais novo e teria vivido por volta do ano 600 antes de Cristo. De qualquer forma, vale a pena vê-lo!
Outra múmia da mostra também merece atenção: a Princesa do Sol. Seus membros foram enfaixados separadamente com linho, característica rara encontrada só em sete múmias expostas em museus europeus. Em geral, a múmia era enfaixada com braços e pernas juntos ao corpo.
Sarcófago de Sha-amun-em-su, um dos poucos do mundo que ainda
não foram abertos. Mesmo assim, é possível ver os pés da múmia
Veja também o único sarcófago da América do Sul nunca aberto: o de Sha-amun-em-su, cantora do templo de Amon, antigo deus dos ventos. Abrir sarcófagos encontrados fechados não é recomendável! Medo de maldição? Nada disso! Mantê-los assim significa respeito e evita danos à peça. Mas a tecnologia ajuda a matar a curiosidade: com raios X, os arqueólogos viram o corpo feminino dentro do sarcófago.
Conheça ainda os blocos de pedra colocados dentro da tumba onde eram escritos pedidos e preces como oferendas aos deuses para que ajudassem o morto na outra vida. Amuletos e vasos onde eram colocados os órgãos mumificados também estão expostos. Esses objetos mostram como crenças religiosas eram importantes para os egípcios.
Se você sempre quis saber mais sobre essa civilização, pode comemorar! Nos próximos dias, a CHC on-line publicará vários textos que contam vários detalhes da história do antigo Egito -- inclusive como e por que os mortos eram mumificados!
Museu Nacional da UFRJ
Endereço: Quinta da Boa Vista, s/n
São Cristóvão - Rio de Janeiro/RJ
Telefone: (21) 2568-8262
Horários: de terça a domingo, das 10h às 16h
Entrada: R$ 3. Grátis para maiores
de 65 anos e menores de 10 anos
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História
Independência ou morte!
Você sabe que ele disse essa frase, mas o que mais conhece a respeito de D. Pedro I?
D. Pedro I foi um menino que gostava de pregar peças nos outros, um adolescente namorador e um marido meio pão-duro (ilustração: Mario Bag).
Há 186 anos, no dia sete de setembro de 1822, D. Pedro I disse a frase que entraria para a História: “Independência ou morte!”, declarando, assim, que o Brasil deixava de ser uma colônia de Portugal para se tornar um país independente.
Mas se isso você aprendeu na escola, aposto que ninguém lhe contou – ainda! – que D. Pedro I foi um menino que gostava de pregar peças nos outros, um adolescente namorador e um marido meio pão-duro.
Pois agora você vai saber disso tudo – e muito mais – sobre um dos personagens mais importantes da nossa história: D. Pedro I!
Infância de príncipe
Filho de D. João VI e Carlota Joaquina, Pedro nasceu em Portugal no dia 12 de outubro de 1798 e, até embarcar para o Brasil, no dia 27 de novembro de 1807, viveu no Palácio de Queluz junto com sua avó, apelidada de “Dona Maria, a Louca”.
Os pais de D. Pedro I: D. João VI e Carlota Joaquina (imagens: reproduções de Retrato de D. João VI e Rainha Carlota Joaquina, de Jean Baptiste Debret).
Ainda menino, ficou deslumbrado com o uniforme de um general francês que se apresentou na corte de D. João VI como embaixador da França. Tanto encantamento fez com que seu pai pedisse o uniforme emprestado, para fazer um igual para ele e o filho.
Quando chegou ao Brasil, Pedro tinha apenas nove anos (imagem: reprodução de D. Pedro de Alcântara, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, de Jules Vauthier).
Pedro chegou ao Brasil aos nove anos de idade. No Rio de Janeiro, onde passou a viver, cresceu muito livre e solto. Gostava de pregar peça nos outros e de brincar de soldado e de guerra com seu irmão mais novo, Miguel, com quem também brigava muito. “Além disso, apreciava a companhia das pessoas mais simples e fazia muitos exercícios: andava a cavalo, por exemplo, pois montava muito bem”, conta a historiadora Isabel Lustosa, da Fundação Casa de Rui Barbosa. Para completar, quando criança, aprendeu marcenaria e música.
D. Pedro I: jeito de ser
D. Pedro I sempre apresentou uma personalidade difícil. “Ele era impulsivo, sujeito a ataques de fúria sucedidos por grandes arrependimentos, algo que talvez se devesse ao fato de ser epilético”, conta Isabel Lustosa, referindo-se à doença que D. Pedro I apresentava, caracterizada por convulsões e crises de perda de consciência.
Apesar disso, D. Pedro I era muito ativo: costumava acordava cedo e estava sempre em movimento. “Durante a adolescência, revelou-se um grande namorador, o que continuou sendo a vida toda, mesmo depois de casado”, conta Isabel Lustosa.
Marido nota zero
Leopoldina, a esposa de D. Pedro I.
D. Pedro I foi um marido infiel e muito duro com sua primeira mulher: Dona Leopoldina.
Sua esposa o amava e sofreu por ele, mesmo casado, continuar a se encontrar com outra mulher: a Marquesa de Santos.
Além disso, D. Pedro I era avarento, ou seja, pão-duro.
Como resultado, sua esposa vivia de forma muito pobre.
Circulava também o boato de ele, eventualmente, ter batido nela – um horror!
Amigos do peito
D. Pedro I tornou-se muito amigo de um dos seus ministros: José Bonifácio (imagem: Wikipedia).
Apesar de ser uma pessoa difícil de lidar, D. Pedro I teve alguns amigos próximos. Um deles era conhecido como Chalaça: um sujeito engraçado, que era seu companheiro para farrear. Eles andavam sempre juntos.
“Já na vida política, D. Pedro chegou a ser muito amigo de seu ministro José Bonifácio”, conta Isabel Lustosa. “Depois, porém, rompeu com ele e o expulsou do Rio de Janeiro.” Banido do Brasil, José Bonifácio viveu na França por mais de seis anos. Quando retornou ao Rio de Janeiro, em 1829, D. Pedro o recebeu como se a amizade fosse a mesma do começo.
Apesar do que havia feito com ele, D. Pedro considerava José Bonifácio um “verdadeiro amigo”, tanto que quando teve que abrir mão do trono brasileiro, o nomeou o responsável por seu filho D. Pedro II, que continuou no Brasil.
Na História brasileira
D. Pedro I foi um personagem muito importante para a História do nosso país, em especial para a independência do Brasil. No dia 9 de janeiro de 1822 – o “Dia do Fico”, em que disse a famosa frase “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico” –, ele recusou-se a voltar a Portugal, como lhe era exigido, e, uma vez no Brasil, assumiu as causas dos brasileiros como uma causa sua.
A cerimônia de coroação de D. Pedro I como imperador do Brasil (imagem: reprodução de Coroação de D. Pedro I, de Jean Baptiste Debret).
“Essa decisão influiu no destino do nosso país, pois, se D. Pedro I não tivesse ficado aqui, provavelmente o Brasil se dividiria em vários países, como ocorreu nas áreas do continente americano que ficaram sob domínio espanhol”, explica Isabel Lustosa.
Para você ter uma idéia, a América Central, por exemplo, foi colônia espanhola e hoje está dividida em vários países, como Costa Rica e Nicarágua, em parte por não contar com um governo único e centralizado na época da colonização. D. Pedro I, ao ficar no Brasil, desempenhou esse papel de centralizar o poder após a independência, contribuindo assim para manter o nosso país unido.
Caso D. Pedro I tivesse partido, porém, não é provável apenas que o Brasil tivesse se dividido. Talvez ele também não tivesse continuado a ser uma monarquia – a única das Américas – como ocorreu. Afinal, apenas em 1889, o Brasil se tornaria uma república.
Nem tudo, porém, são flores. É preciso lembrar que o fato de o Brasil ter continuado a ser uma monarquia após a independência – e ter como imperador alguém que mantinha uma ligação muito próxima com Portugal, como D. Pedro I – prejudicou a política e os interesses do Brasil em vários pontos.
Assim são a História e os personagens que fazem parte dela: repleta de ações que têm conseqüências ao mesmo tempo boas e ruins.
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Hora de brincar!
Que tal dar um giro pela história e saber como eram as brincadeiras de antigamente?
A boneca Susi chegou ao Brasil no início dos anos 1960; já o Falcon foi sucesso na década de 1980.
Brincar é muito bom. Concorda? Pois não é só você que acha isso. Todo mundo já foi criança um dia e, provavelmente, brincou muito! Acontece que no passado não havia tantos brinquedos à venda nas lojas. O que será que meninos e meninas faziam para se divertir?
Nossa viagem pelo mundo das brincadeiras começa no início do século 20. Ruas de chão, pouca iluminação, muitos terrenos baldios. O cenário parece sinistro? Que nada! Continha diversão a valer! Por volta de 1920 e 1930, as crianças adoravam, por exemplo, brincar na rua, principalmente de assustar os outros. Os meninos eram os donos das cenas de terror. “Eles pegavam um mamão verde, tiravam a polpa, faziam olhos, boca e colocavam uma vela acesa dentro. Então, corriam para cima da gente”, conta Lunéa Lopes, que nasceu no Rio de Janeiro em 1925.
Entre 1940 e 1950, as brincadeiras de rua continuavam: roda, corda e outras faziam a alegria da garotada. “A mais pedida era o ‘pau-pique’ ou ‘31 de janeiro’. A diversão era assim: todas as crianças faziam uma grande roda e, no meio, posicionavam um pedaço de pau. De mãos dadas elas contavam de 1º até 31 de janeiro e todas corriam para o centro da roda. Quem pegasse o pau primeiro era o vencedor”, diz Catharina de Abreu, que nasceu em 1937, na cidade de São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro.
No final de 1950 e início dos anos 1960, as indústrias começaram as crescer no Brasil e os brinquedos eram mais facilmente encontrados: bolas, bonecas, carrinhos de plásticos e movidos à pilha tornaram-se comuns. “A boneca Susi, até hoje encontrada nas lojas, chegou ao Brasil em 1962, e a Barbie, logo depois, em 1963”, explica Cristina Von, autora do livro A história do brinquedo, da Editora Alegro.
Mesmo com a industrialização dos brinquedos, meninos e meninas ainda se divertiam com brincadeiras bem tradicionais. A “cama-de-gato”, por exemplo, era um passatempo comum em diversas cidades brasileiras. Para quem não sabe, a brincadeira consiste em passar um barbante entre os dedos das mãos, formando desenhos geométricos. O desafio é uma criança retirar o barbante da mão da outra sustentando o barbante e formando um novo desenho. Nos anos 1970 e 1980, fez sucesso a brincadeira de pular o elástico. Em vez das mãos, usavam-se as pernas. A brincadeira envolvia, no mínimo, três pessoas: duas para segurar o elástico nas pernas e a terceira para cruzá-lo, sem se enroscar e cair.
Entre 1980 e 1990, a sensação da garotada eram bonecos de todos os tipos, como o famoso Falcon, que era o protótipo de um aventureiro voltado para distrair os meninos, mas que as meninas adoravam para fingir de marido da Susi ou da Barbie. O Forte Apache, que imitava uma aldeia de índios norte-americanos, com animais e outras miniaturas, também fazia sucesso, além de robôs, que funcionavam à pilha. Também foi nessa época o início da fabricação de brinquedos com tecnologias mais avançadas, como os videogames. “A idéia do videogame apareceu nos anos 1950, mas demorou até chegar a um bom produto” , diz Cristina Von. “Hoje qualquer criança conhece esses jogos interativos.”
No ano 2000 – que você conhece bem – videogames de última geração, além de outros jogos eletrônicos superavançados ganham a cena. Mas é bom saber: “Celular, computador, televisão e telefone não foram inventados para se tornarem brinquedos. Cada um deles tem uma função específica”, lembra Cristina. Por isso, aproveite a bola, o skate, o patinete para sacudir bem o esqueleto. Quem sabe você até se liga nas dicas de seus parentes que nasceram bem antes e lança uma “velha nova” brincadeira entre os amigos? O importante é reunir a galera e se divertir!
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Loucos por ti, América
Exposição resgata história dos povos que viviam no continente americano antes da chegada de Cristóvão Colombo
Talvez você já tenha ouvido falar de maias, incas e astecas. Mas será que sabe quem eram os zapotecas? Que tal mochica, nazca ou huari? Todos esses nomes esquisitos são de civilizações que viveram aqui pertinho, no mesmo continente que a gente, a América. Elas moraram aqui muito antes da chegada de Cristóvão Colombo, em 1492. Apesar disso, quase nenhum de nós sabe sobre a cultura, a arte e a ciência nessas civilizações que não tinham nada de primitivas. Apresentar ao público brasileiro esse passado meio esquecido é o objetivo da exposição Por Ti América, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.
A exposição reúne 350 peças de 50 das cerca de 70 civilizações diferentes que povoaram o México e as Américas Central e do Sul, originárias de 11 instituições e museus de sete países. “Nunca haviam sido reunidas peças de tantos povos americanos”, conta Helena Bomeny, coordenadora educacional da mostra. “É um acervo bastante representativo da diversidade dos povos da América.” Além de muitas peças de cerâmica, há artefatos feitos de pedra, osso e ouro. Objetos de madeira, couro e tecido também estão expostos, mas são mais raros, pois a maioria das civilizações americanas vivia em regiões quentes e úmidas, clima que não favorece a preservação desses materiais.
Mas será que essas civilizações tiveram relações umas com as outras? Quando os europeus chegaram aqui, além de encontrarem povos com avançados conhecimentos em várias áreas, perceberam que muitos se espalhavam por vastos territórios ou costumavam trocar bens ou conhecimentos uns com os outros. Essa interação pode ser notada, por exemplo, na existência de muitas características comuns na maioria dessas sociedades. Por exemplo: muitas interpretavam o mundo de maneira parecida ou tinham idéias religiosas semelhantes. Em várias culturas o milho era considerado um alimento sagrado e o mundo era visto como sendo formado por ciclos: noite e dia, frio e quente (estações do ano), nascimento e morte.
A religiosidade desses povos que viveram na América também é uma de suas características mais marcantes. Eles guerreavam entre si – como pode ser visto nas pinturas de sala do templo de Bonampak, reproduzida em tamanho real na exposição – e praticavam uma série de rituais, em ocasiões específicas (guerra, casamento etc) em honra dos deuses, para manter o equilíbrio do universo. Quem visitar a exposição Por Ti América pode ver encenações de muitos dos mais importantes desses ritos todos os dias da semana, às 17h, e pequenas encenações durante todo o dia.
O mundo animal também significava muito para nossos antepassados americanos. Seus deuses, em geral, apresentavam características de animais como o jaguar, a baleia, o macaco, a serpente, o urubu-rei ou misturavam elementos de vários deles. É por isso que os animais são o tema mais comum das pinturas e esculturas das civilizações pré-colombianas. Além de bonitos, tais objetos eram feitos com funções religiosas: podiam representar ou ser utilizados em ritos. Em sociedades divididas em camadas sociais bem rígidas, os artefatos serviam também para diferenciar os representantes de cada grupo.
Mas se você está pensando que a exposição trata só do passado do nosso continente, errou completamente! Esses povos também fazem parte do nosso presente. No Brasil não damos a merecida importância a essas culturas porque quase não temos contato com elas. “Nossos índios vivem isolados”, afirma Helena. “Nos países vizinhos, os descendentes dessas civilizações vivem nas grandes cidades, apesar de não terem condições de vida muito boas.” Dessa forma, o maior objetivo da exposição é incentivar os brasileiros a saber mais sobre sua própria terra, como acontece no resto da América Latina. Então, não perca tempo: visite a exposição e saia de lá com conhecimentos para dar e vender!
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Muito além das urnas
Entenda o que significa, como surgiu e evoluiu o conceito de democracia!
É ano de eleições. Na TV, nos jornais e cartazes nas ruas, as eleições são assunto constante. Elas fazem parte de uma idéia muito maior chamada democracia. Mas o que é democracia afinal? Essa palavra foi inventada pelos antigos gregos. Segundo o Dicionário Aurélio, ela significa "governo do povo, soberania popular".
Há cerca de 2500 anos, existiam duas maneiras de governar. Numa, a sociedade era comandada por uma só pessoa: o rei ou o monarca. Era a monarquia. Noutra, a sociedade era dirigida por um grupo pequeno de homens ricos. Era a aristocracia. Em algumas cidades da Grécia foi experimentada uma terceira forma de governo, na qual este deveria ser controlado pelo conjunto de homens livres da cidade: os cidadãos. Era a democracia.
Os cidadãos elegiam os governantes que, por sua vez, prestavam contas aos cidadãos daquilo que estavam fazendo. Se algum político no governo fazia algo que os cidadãos achavam errado, ele podia ser deposto e expulso da cidade. Na democracia, as leis deviam valer igualmente para todos os cidadãos. Ninguém devia ter nenhum privilégio diante da lei.
No entanto, nas cidades gregas da Antiguidade, a democracia se limitava à minoria da população. Os escravos não tinham direitos, não participavam da eleição nem do controle do governo. As mulheres também não tinham direitos políticos e ficavam inteiramente subordinadas aos homens. Além disso, só aqueles que nasciam na cidade podiam ser cidadãos. Mesmo que alguém morasse na cidade durante muitos anos, jamais poderia adquirir os direitos da cidadania.
A democracia na Grécia não durou muito. As sociedades se modificaram, surgiram situações novas e novas tentativas foram feitas, mas a experiência dos antigos gregos não foi esquecida. No Renascimento (movimento de cientistas e artistas que queriam trazer de volta as idéias e a arte dos Antigos), o exemplo da Grécia foi lembrado em algumas cidades italianas. No século 15, os habitantes de Florença tentaram organizar uma democracia como a grega, mas a tentativa também durou pouco.
No início dos tempos modernos, surgiu a idéia de se retomar a democracia, mas baseada na participação de todos e não de alguns, como na Grécia Antiga. Muitos grupos começaram a se organizar para lutar pelas mudanças necessárias, reformar as leis, superar as discriminações e eliminar privilégios. Para isso, era necessário que o poder do Estado fosse repartido entre o presidente da República (ou o rei), os ministros, governadores, deputados e juízes. Assim, no finalzinho do século 19, criou-se, em alguns países da Europa, o sufrágio universal.
Ainda há muitas dificuldades e muitos obstáculos para existir uma democracia plena. Ainda não existe uma democracia perfeita, nem um livro capaz de ensinar como ela deve ser. Por isso, os cidadãos precisam conversar muito uns com os outros e experimentar para descobrir como é que as coisas podem funcionar!
Matemática
O homem que calculava
Conheça o divertido mundo do professor de matemática e escritor Malba Tahan
O escritor Malba Tahan vestido a caráter.
O que é, o que é? Ou melhor: quem é, quem é? Que escrevia histórias árabes, mas era brasileiro? Gostava de sapos e de geometria? Se você não sabe, a gente responde: é o Malba Tahan! Um professor de matemática e, também, escritor muito criativo, que adorava elaborar enigmas em sala de aula para iniciar suas explicações. Malba nasceu no Rio de janeiro, no dia 6 de maio de 1895 e seu verdadeiro nome era Júlio César de Mello e Souza.
O primeiro nome falso que ele adotou foi R.S.Slade para fingir que era um escritor de outro país e conseguir publicar uma história dele num jornal, uma vez que seus contos já haviam sido rejeitados pelo editor do mesmo jornal quando assinou seu nome verdadeiro. E deu certo! Por isso ele decidiu usar sempre um nome estrangeiro. Mais tarde, escolheu Malba Tahan, porque adorava escrever histórias árabes.
Suas histórias eram sobre aventuras misteriosas, com beduínos do deserto, xeques, vizires, magos, princesas e sultões. Seu livro mais famoso é O Homem que Calculava, que conta as aventuras de Beremís, um árabe que gostava de resolver os problemas da vida com soluções matemáticas.
Por mais incrível que pareça, ele não foi sempre um ótimo aluno em matemática. Só quando teve um professor de quem gostava é que começou a entender melhor a matéria. O que ele adorava mesmo, quando criança, era colecionar sapos - argh! - e escrever pequenas revistas que se chamavam Erre, com histórias, notícias e jogos.
O livro mais famoso de Tahan e a revista que fazia quando criança
Já adulto, quando se tornou professor e escritor, ele continuou a colecionar sapos, mas de louça. Já imaginou um professor que entra em sala de aula, se curva diante de um aluno e diz Salam Aleikum, que quer dizer "a paz esteja contigo", em árabe, e depois escrevia uma charada sobre sapos no quadro-negro para dar uma explicação matemática?
Os números e as propriedades numéricas eram para ele como seres vivos. Dizia haver números alegres e bem-humorados, frações tristes, multiplicações carrancudas e tabuadas sonolentas. Havia, para ele, algarismos arábicos com túnicas brancas e turbantes vermelhos, além das contas-de-faz-de-contas.
Essa é uma parte da história do professor Mello e Souza ou Malba Tahan, o "carioca das arábias", que misturava diversão com matemática. Se estivesse vivo, ele teria completado 110 anos em 2005. Para saber mais a seu respeito, leia esse artigo na íntegra na CHC 54.
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Trezentos anos de um curioso
Conheça um matemático suíço do século 18 que fez da busca por respostas a sua profissão
O matemático suíço Leonhard Euler, em retrato pintado por Johann Georg Brucker.
Há 300 anos, mais precisamente em 15 de abril de 1707, nascia um menino especial. Fruto da união de Paul, um pastor da igreja protestante, e Marguerite, a filha de um sacerdote cristão, esse garoto tinha tudo para seguir também uma carreira religiosa. Mas o suíço Leonhard Euler – pronuncia-se “óiler” – descobriu que tinha talento para algo diferente: ele se tornou o matemático mais produtivo de todos os tempos.
Com apenas 14 anos, Euler já estudava filosofia na Universidade de Basiléia, na Suíça, e, aos sábados, tinha aulas com Johann Bernoulli, um notável matemático da época. A forma com que o professor ensinava, sempre propondo desafios ao aluno, despertou no garoto uma vontade cada vez maior de se dedicar aos cálculos.
Com o tempo, porém, Euler teve de começar também a estudar teologia para se tornar pastor como o pai. Mas não é que o professor Bernoulli conseguiu convencê-lo a seguir o seu dom? Com isso, a ciência saiu ganhando. Afinal, as contribuições de Euler são usadas até hoje não só na matemática, mas também na física, geometria e até na astronomia!
Mas vamos conhecer melhor a trajetória desse pesquisador. Aos 20 anos, já formado, Euler percebeu que não havia muito espaço para matemáticos em seu país, e procurou os filhos de seu professor, Daniel e Nicolaus II Bernoulli. Na época, os dois trabalhavam na Academia de São Petesburgo, na Rússia, e conseguiram que a czarina Catarina – a governante russa, que poderíamos comparar a uma imperatriz – oferecesse uma vaga a Euler.
“A Academia era como uma universidade criada pelos governantes para atrair os intelectuais da época a dar aulas e fazer grandes debates. Isso acabava melhorando bastante a educação russa”, conta o físico Maurice Bazin. “Em 14 anos na Academia de São Petesburgo, Leonhard Euler pôde fazer grandes contribuições para a física e a matemática.”
Em junho de 1741, porém, o matemático se mudou para Berlim. “Euler começou a trabalhar na Academia de Ciências de Berlim, criada pelo rei Frederico, O Grande. Ali, ele conheceu outros pensadores, incluindo o filósofo Voltaire, com quem travou uma longa discussão sobre a existência de Deus. Estar entre essas pessoas foi um desafio para ele”, explica Maurice.
Uma família de matemáticos na vida de Euler
O pai de Leonhard Euler viveu com Johann Bernoulli na casa do irmão desse famoso pesquisador, chamado Jacob Bernoulli. Todos eram matemáticos e viviam em Basiléia, na Suíça.
Johann Bernoulli tornou-se professor de Leonhard Euler e o levou a investigar questões da matemática, espreitando os problemas não resolvidos.
Johann tinha três filhos: Nicolaus, Daniel e Johann, todos matemáticos também! Nicolaus era professor na Academia de Ciências de São Petersburgo e Euler o substituiu quando ele morreu. Daniel estava também na Academia e vivia em São Petersburgo. Ele alojou Euler em sua casa e lhe pediu para trazer doces do seu país natal, a Suíça. Johann permaneceu em Basiléia toda a vida como professor de matemática e publicou as obras completas do seu pai, Johann Bernoulli.
Daniel Bernoulli estudou os movimentos de fluidos e os descreveu com equações matemáticas. Ficou o nome Bernoulli para o principio que explica como a forma das asas de um planador ajuda o avião a não perder altitude quando avança no ar.
Movimento dos planetas
Durante os 25 anos em que permaneceu na capital da Alemanha, o matemático escreveu 380 artigos, incluindo cálculos sobre os movimentos dos planetas e da Lua, tão utilizados pela astronomia que um asteróide chegou a receber o seu nome. Ainda segundo Maurice Bazin, o matemático era um homem muito curioso:
“Ele não era simplesmente genial. Euler me lembra uma criança, sempre curiosa, mas também procurando respostas, às vezes, com algum professor inspirando-o e o acompanhando, como ocorreu com Johann Bernoulli”. A sua curiosidade fez com que ele trabalhasse junto a outras pessoas que também pertenciam à Academia e procurasse a comprovação de suas teorias.
A produção de Euler foi enorme. Apesar de alguns problemas de saúde – ele sofria com muitas febres e chegou a perder a visão do olho direito devido ao excesso de trabalho –, o suíço preocupou-se em produzir também livros escolares. Escreveu em latim, francês e alemão – sua língua materna – e procurava trazer a matemática para o dia-a-dia.
“Euler se interessava muito por estudar os polígonos – figuras geométricas feitas no papel, como o quadrado – e os poliedros – figuras espaciais, como o cubo”, conta Maurice. “Encontrou formas impossíveis de se desenhar com régua e compasso, mas que existiam na vida real. Como matemático, provou a impossibilidade de desenhá-las.”
Euler morreu aos 76 anos, em São Petesburgo, depois de retornar à Academia Russa. Ele, porém, teve trabalhos inéditos publicados até 50 anos após a sua morte. Portanto, neste ano em que se comemora o tricentenário de seu nascimento, nada mais justo do que falar de Euler e das perguntas que ele continuamente levantou desde a sua infância. Não é mesmo?
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Um primo e tanto
Ele não é parente de ninguém, mas um número gigantesco que acaba de ser descoberto
Dois, três, cinco, sete. Será que você consegue dizer o que esses números têm em comum? Todos são números primos. Ou seja, apenas podem ser divididos por um ou por eles mesmos.
Existem muitos números que têm essa característica. Basta pensar mais um pouco para citar ao menos mais três: 11, 13, 17. Mas sabia que volta e meia aparece um novo número primo no pedaço? E o que é mais curioso: cada vez mais extenso?
Até o final do ano passado, o maior número primo conhecido tinha nada mais, nada menos do que 7,8 milhões de dígitos. Trata-se de um numeral tão extenso que, para conseguir escrevê-lo em um pôster com 1,10 m de altura e 80 centímetros de largura, teríamos que imprimir os números em um tamanho tão pequeno que apenas com a ajuda de uma lupa seria possível enxergá-los.
Pôsteres desse tipo, acredite, existem mesmo: são vendidos na internet por cerca de 180 reais. Mas o que traz o numeral com 7,8 milhões de dígitos, de certa forma, já está ultrapassado. Sabe por quê? Em dezembro de 2005, foi anunciada a descoberta de um número primo muito mais extenso, com mais de nove milhões de dígitos, que agora detém o título de maior número primo já encontrado.
Para determiná-lo, foi preciso que 700 computadores trabalhassem a todo vapor, durante anos, na Universidade Estadual Central de Missouri, nos Estados Unidos. O resultado não poderia ser melhor: afinal, o número primo encontrado é de um tipo especial. Trata-se de um primo Mersenne. Há apenas 43 números desse tipo conhecidos, contando com o recém-descoberto.
Mas o que é um primo Mersenne? É aquele que resulta de uma conta aparentemente simples: 2 multiplicado por ele mesmo um determinado número de vezes menos um. Para você ter uma idéia, sete é um número primo Mersenne, pois é 2 X 2 X 2 menos 1. O detalhe é que o novo número primo do pedaço, de nove milhões de dígitos, é 2 multiplicado por ele mesmo mais de trinta milhões de vezes menos um. Se quiséssemos colocar no papel a conta, começaríamos a escrever 2 X 2 X2 X 2 até termos 30.402.457 números dois. Do resultado, subtrairíamos um. Então, encontraríamos o novo primo. Uma multiplicação e tanto, não é?
Existe um concurso que irá premiar quem encontrar um número primo Mersenne com pelo menos 10 milhões de dígitos. Chamado de Gimps – sigla em inglês que, traduzida para o português, significa Grande Busca de Números Primos na Internet –, ele irá dar ao autor da façanha 100 mil dólares, o equivalente, em valores de hoje, a 250 mil reais, aproximadamente.
À procura do número gigante
O Gimps foi criado para incentivar pessoas comuns, que usam a internet, a contribuir para a solução de grandes problemas científicos. Talvez você não saiba, mas os matemáticos levam anos para encontrar e confirmar novos números primos. Nessa tarefa, precisam do auxílio de muitos computadores.
No mundo todo, existem milhões de máquinas desse tipo – e muitas delas permanecem um bom tempo sem uso, à espera de que a pessoa que a está utilizando, seja no trabalho ou em casa, faça algo. A idéia por trás do Gimps é usar o tempo livre desses computadores em prol da matemática. No site do concurso, quem quiser pode baixar um programa e colocar o seu computador para trabalhar, no tempo vago, na busca de um novo número primo Mersenne. A página está em inglês.
“Essa maneira de trabalhar é conhecida como computação paralela e tem tomado o lugar dos supercomputadores, como são chamadas as grandes máquinas com enorme capacidade de processamento. Hoje se percebe que centenas de computadores são capazes de produzir em um tempo rápido resultados que apenas computadores poderosíssimos, que nem são possíveis de fabricar com a tecnologia atual, poderiam atingir”, conta o professor João Lucas Barbosa, da Universidade Federal do Ceará e da Sociedade Brasileira de Matemática.
Como explica João Lucas Barbosa, professor do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Ceará e presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, os números primos são usados por empresas que precisam transmitir dados com segurança, com a certeza de que eles não serão vistos por nenhuma pessoa que não esteja autorizada para tanto. Os bancos, por exemplo. Ou você gostaria que um desconhecido descobrisse a senha que libera o acesso à conta de sua família, quando sua mãe a digita no caixa eletrônico do shopping e essa informação é passada ao banco?
Para manter a salvo dados desse tipo, empresas usam os números primos para tornar incompreensíveis a quem não faz parte da organização as informações que precisam ser transmitidas, como se elas tivessem sido escritas em código. Quanto maior o número primo, mais difícil decifrar a informação, pois é necessário um computador muito potente para trabalhar com tantos dígitos.
Encontrar números primos, portanto, tem uma utilidade – e ainda pode render um dinheirinho, como você viu. Se você quiser, pode participar da busca pelo número primo Mersenne de dez milhões de dígitos. Saiba detalhes no quadro "À procura do número gigante". Quem disse que desafios matemáticos existem apenas nas provas do colégio?
Conheça o divertido mundo do professor de matemática e escritor Malba Tahan
O escritor Malba Tahan vestido a caráter.
O que é, o que é? Ou melhor: quem é, quem é? Que escrevia histórias árabes, mas era brasileiro? Gostava de sapos e de geometria? Se você não sabe, a gente responde: é o Malba Tahan! Um professor de matemática e, também, escritor muito criativo, que adorava elaborar enigmas em sala de aula para iniciar suas explicações. Malba nasceu no Rio de janeiro, no dia 6 de maio de 1895 e seu verdadeiro nome era Júlio César de Mello e Souza.
O primeiro nome falso que ele adotou foi R.S.Slade para fingir que era um escritor de outro país e conseguir publicar uma história dele num jornal, uma vez que seus contos já haviam sido rejeitados pelo editor do mesmo jornal quando assinou seu nome verdadeiro. E deu certo! Por isso ele decidiu usar sempre um nome estrangeiro. Mais tarde, escolheu Malba Tahan, porque adorava escrever histórias árabes.
Suas histórias eram sobre aventuras misteriosas, com beduínos do deserto, xeques, vizires, magos, princesas e sultões. Seu livro mais famoso é O Homem que Calculava, que conta as aventuras de Beremís, um árabe que gostava de resolver os problemas da vida com soluções matemáticas.
Por mais incrível que pareça, ele não foi sempre um ótimo aluno em matemática. Só quando teve um professor de quem gostava é que começou a entender melhor a matéria. O que ele adorava mesmo, quando criança, era colecionar sapos - argh! - e escrever pequenas revistas que se chamavam Erre, com histórias, notícias e jogos.
O livro mais famoso de Tahan e a revista que fazia quando criança
Já adulto, quando se tornou professor e escritor, ele continuou a colecionar sapos, mas de louça. Já imaginou um professor que entra em sala de aula, se curva diante de um aluno e diz Salam Aleikum, que quer dizer "a paz esteja contigo", em árabe, e depois escrevia uma charada sobre sapos no quadro-negro para dar uma explicação matemática?
Os números e as propriedades numéricas eram para ele como seres vivos. Dizia haver números alegres e bem-humorados, frações tristes, multiplicações carrancudas e tabuadas sonolentas. Havia, para ele, algarismos arábicos com túnicas brancas e turbantes vermelhos, além das contas-de-faz-de-contas.
Essa é uma parte da história do professor Mello e Souza ou Malba Tahan, o "carioca das arábias", que misturava diversão com matemática. Se estivesse vivo, ele teria completado 110 anos em 2005. Para saber mais a seu respeito, leia esse artigo na íntegra na CHC 54.
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Trezentos anos de um curioso
Conheça um matemático suíço do século 18 que fez da busca por respostas a sua profissão
O matemático suíço Leonhard Euler, em retrato pintado por Johann Georg Brucker.
Há 300 anos, mais precisamente em 15 de abril de 1707, nascia um menino especial. Fruto da união de Paul, um pastor da igreja protestante, e Marguerite, a filha de um sacerdote cristão, esse garoto tinha tudo para seguir também uma carreira religiosa. Mas o suíço Leonhard Euler – pronuncia-se “óiler” – descobriu que tinha talento para algo diferente: ele se tornou o matemático mais produtivo de todos os tempos.
Com apenas 14 anos, Euler já estudava filosofia na Universidade de Basiléia, na Suíça, e, aos sábados, tinha aulas com Johann Bernoulli, um notável matemático da época. A forma com que o professor ensinava, sempre propondo desafios ao aluno, despertou no garoto uma vontade cada vez maior de se dedicar aos cálculos.
Com o tempo, porém, Euler teve de começar também a estudar teologia para se tornar pastor como o pai. Mas não é que o professor Bernoulli conseguiu convencê-lo a seguir o seu dom? Com isso, a ciência saiu ganhando. Afinal, as contribuições de Euler são usadas até hoje não só na matemática, mas também na física, geometria e até na astronomia!
Mas vamos conhecer melhor a trajetória desse pesquisador. Aos 20 anos, já formado, Euler percebeu que não havia muito espaço para matemáticos em seu país, e procurou os filhos de seu professor, Daniel e Nicolaus II Bernoulli. Na época, os dois trabalhavam na Academia de São Petesburgo, na Rússia, e conseguiram que a czarina Catarina – a governante russa, que poderíamos comparar a uma imperatriz – oferecesse uma vaga a Euler.
“A Academia era como uma universidade criada pelos governantes para atrair os intelectuais da época a dar aulas e fazer grandes debates. Isso acabava melhorando bastante a educação russa”, conta o físico Maurice Bazin. “Em 14 anos na Academia de São Petesburgo, Leonhard Euler pôde fazer grandes contribuições para a física e a matemática.”
Em junho de 1741, porém, o matemático se mudou para Berlim. “Euler começou a trabalhar na Academia de Ciências de Berlim, criada pelo rei Frederico, O Grande. Ali, ele conheceu outros pensadores, incluindo o filósofo Voltaire, com quem travou uma longa discussão sobre a existência de Deus. Estar entre essas pessoas foi um desafio para ele”, explica Maurice.
Uma família de matemáticos na vida de Euler
O pai de Leonhard Euler viveu com Johann Bernoulli na casa do irmão desse famoso pesquisador, chamado Jacob Bernoulli. Todos eram matemáticos e viviam em Basiléia, na Suíça.
Johann Bernoulli tornou-se professor de Leonhard Euler e o levou a investigar questões da matemática, espreitando os problemas não resolvidos.
Johann tinha três filhos: Nicolaus, Daniel e Johann, todos matemáticos também! Nicolaus era professor na Academia de Ciências de São Petersburgo e Euler o substituiu quando ele morreu. Daniel estava também na Academia e vivia em São Petersburgo. Ele alojou Euler em sua casa e lhe pediu para trazer doces do seu país natal, a Suíça. Johann permaneceu em Basiléia toda a vida como professor de matemática e publicou as obras completas do seu pai, Johann Bernoulli.
Daniel Bernoulli estudou os movimentos de fluidos e os descreveu com equações matemáticas. Ficou o nome Bernoulli para o principio que explica como a forma das asas de um planador ajuda o avião a não perder altitude quando avança no ar.
Movimento dos planetas
Durante os 25 anos em que permaneceu na capital da Alemanha, o matemático escreveu 380 artigos, incluindo cálculos sobre os movimentos dos planetas e da Lua, tão utilizados pela astronomia que um asteróide chegou a receber o seu nome. Ainda segundo Maurice Bazin, o matemático era um homem muito curioso:
“Ele não era simplesmente genial. Euler me lembra uma criança, sempre curiosa, mas também procurando respostas, às vezes, com algum professor inspirando-o e o acompanhando, como ocorreu com Johann Bernoulli”. A sua curiosidade fez com que ele trabalhasse junto a outras pessoas que também pertenciam à Academia e procurasse a comprovação de suas teorias.
A produção de Euler foi enorme. Apesar de alguns problemas de saúde – ele sofria com muitas febres e chegou a perder a visão do olho direito devido ao excesso de trabalho –, o suíço preocupou-se em produzir também livros escolares. Escreveu em latim, francês e alemão – sua língua materna – e procurava trazer a matemática para o dia-a-dia.
“Euler se interessava muito por estudar os polígonos – figuras geométricas feitas no papel, como o quadrado – e os poliedros – figuras espaciais, como o cubo”, conta Maurice. “Encontrou formas impossíveis de se desenhar com régua e compasso, mas que existiam na vida real. Como matemático, provou a impossibilidade de desenhá-las.”
Euler morreu aos 76 anos, em São Petesburgo, depois de retornar à Academia Russa. Ele, porém, teve trabalhos inéditos publicados até 50 anos após a sua morte. Portanto, neste ano em que se comemora o tricentenário de seu nascimento, nada mais justo do que falar de Euler e das perguntas que ele continuamente levantou desde a sua infância. Não é mesmo?
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Um primo e tanto
Ele não é parente de ninguém, mas um número gigantesco que acaba de ser descoberto
Dois, três, cinco, sete. Será que você consegue dizer o que esses números têm em comum? Todos são números primos. Ou seja, apenas podem ser divididos por um ou por eles mesmos.
Existem muitos números que têm essa característica. Basta pensar mais um pouco para citar ao menos mais três: 11, 13, 17. Mas sabia que volta e meia aparece um novo número primo no pedaço? E o que é mais curioso: cada vez mais extenso?
Até o final do ano passado, o maior número primo conhecido tinha nada mais, nada menos do que 7,8 milhões de dígitos. Trata-se de um numeral tão extenso que, para conseguir escrevê-lo em um pôster com 1,10 m de altura e 80 centímetros de largura, teríamos que imprimir os números em um tamanho tão pequeno que apenas com a ajuda de uma lupa seria possível enxergá-los.
Pôsteres desse tipo, acredite, existem mesmo: são vendidos na internet por cerca de 180 reais. Mas o que traz o numeral com 7,8 milhões de dígitos, de certa forma, já está ultrapassado. Sabe por quê? Em dezembro de 2005, foi anunciada a descoberta de um número primo muito mais extenso, com mais de nove milhões de dígitos, que agora detém o título de maior número primo já encontrado.
Para determiná-lo, foi preciso que 700 computadores trabalhassem a todo vapor, durante anos, na Universidade Estadual Central de Missouri, nos Estados Unidos. O resultado não poderia ser melhor: afinal, o número primo encontrado é de um tipo especial. Trata-se de um primo Mersenne. Há apenas 43 números desse tipo conhecidos, contando com o recém-descoberto.
Mas o que é um primo Mersenne? É aquele que resulta de uma conta aparentemente simples: 2 multiplicado por ele mesmo um determinado número de vezes menos um. Para você ter uma idéia, sete é um número primo Mersenne, pois é 2 X 2 X 2 menos 1. O detalhe é que o novo número primo do pedaço, de nove milhões de dígitos, é 2 multiplicado por ele mesmo mais de trinta milhões de vezes menos um. Se quiséssemos colocar no papel a conta, começaríamos a escrever 2 X 2 X2 X 2 até termos 30.402.457 números dois. Do resultado, subtrairíamos um. Então, encontraríamos o novo primo. Uma multiplicação e tanto, não é?
Existe um concurso que irá premiar quem encontrar um número primo Mersenne com pelo menos 10 milhões de dígitos. Chamado de Gimps – sigla em inglês que, traduzida para o português, significa Grande Busca de Números Primos na Internet –, ele irá dar ao autor da façanha 100 mil dólares, o equivalente, em valores de hoje, a 250 mil reais, aproximadamente.
À procura do número gigante
O Gimps foi criado para incentivar pessoas comuns, que usam a internet, a contribuir para a solução de grandes problemas científicos. Talvez você não saiba, mas os matemáticos levam anos para encontrar e confirmar novos números primos. Nessa tarefa, precisam do auxílio de muitos computadores.
No mundo todo, existem milhões de máquinas desse tipo – e muitas delas permanecem um bom tempo sem uso, à espera de que a pessoa que a está utilizando, seja no trabalho ou em casa, faça algo. A idéia por trás do Gimps é usar o tempo livre desses computadores em prol da matemática. No site do concurso, quem quiser pode baixar um programa e colocar o seu computador para trabalhar, no tempo vago, na busca de um novo número primo Mersenne. A página está em inglês.
“Essa maneira de trabalhar é conhecida como computação paralela e tem tomado o lugar dos supercomputadores, como são chamadas as grandes máquinas com enorme capacidade de processamento. Hoje se percebe que centenas de computadores são capazes de produzir em um tempo rápido resultados que apenas computadores poderosíssimos, que nem são possíveis de fabricar com a tecnologia atual, poderiam atingir”, conta o professor João Lucas Barbosa, da Universidade Federal do Ceará e da Sociedade Brasileira de Matemática.
Como explica João Lucas Barbosa, professor do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Ceará e presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, os números primos são usados por empresas que precisam transmitir dados com segurança, com a certeza de que eles não serão vistos por nenhuma pessoa que não esteja autorizada para tanto. Os bancos, por exemplo. Ou você gostaria que um desconhecido descobrisse a senha que libera o acesso à conta de sua família, quando sua mãe a digita no caixa eletrônico do shopping e essa informação é passada ao banco?
Para manter a salvo dados desse tipo, empresas usam os números primos para tornar incompreensíveis a quem não faz parte da organização as informações que precisam ser transmitidas, como se elas tivessem sido escritas em código. Quanto maior o número primo, mais difícil decifrar a informação, pois é necessário um computador muito potente para trabalhar com tantos dígitos.
Encontrar números primos, portanto, tem uma utilidade – e ainda pode render um dinheirinho, como você viu. Se você quiser, pode participar da busca pelo número primo Mersenne de dez milhões de dígitos. Saiba detalhes no quadro "À procura do número gigante". Quem disse que desafios matemáticos existem apenas nas provas do colégio?
Tecnologia e Invenções
Cem anos do primeiro vôo em Paris
Entenda por que o brasileiro Santos-Dumont é conhecido como o pai da aviação
Em 19 de outubro de 1901, Alberto Santos-Dumont, brasileiro que mais tarde ficara conhecido como "pai da aviação", contornou a Torre Eiffel com o "Dirigível no 6" e impressionou a todos por realizar o primeiro vôo dirigido da História. Até então, as pessoas só conheciam os balões tripulados.
Tudo começou quando Santos-Dumont deixou o Brasil para morar na França. Era 1892 e ele tinha 19 anos, mas sua curiosidade parecia de criança! De tanto observar os franceses passeando em balões, Santos-Dumont decidiu construir o seu.
O primeiro balão que Santos-Dumont criou foi batizado de "Brasil". Por mais que estivesse feliz com o invento, ele não estava satisfeito, já que queria ter o controle da direção não ficar "ao sabor do vento". A partir desse desejo, ele inventou um balão comprido, com motor de automóvel, leme e hélice. Também não faltou a cestinha que o levaria dentro. Assim foi feito o "Dirigível no 1", que não resistiu à força do vento e caiu. Pensa que Santos-Dumont desitiu? Engana-se. Ele tentou mais algumas vezes até conseguir voar com o "Dirigível no 6".
Da esquerda para a direita: o balão Brasil, o dirigível no 1 em pleno vôo e o dirigível no 5 quando tentava contornar a Torre Eiffel, em Paris
Da esquerda para a direita: o balão Brasil, o dirigível no 1 em pleno vôo
e o dirigível no 5 quando tentava contornar a Torre Eiffel, em Paris
Enquanto pilotava pelo céu da Europa, o jovem aviador percebeu que seus sonhos se tornaram bem maiores. Dessa vez ele queria fazer algo muito mais espetacular que um balão. Santos-Dumont, então, projetou o primeiro avião do mundo e o chamou de "14 bis". Ele era branco, feito de pano e madeira e parecia voar em marcha a ré.
Em 12 de novembro de 1906, Santos-Dumont recebeu um prêmio do Aero Club de France por ter voado mais de 220 metros com seu novo invento. Apesar do sucesso, ele não parou por aí: criou o "Demoiselle" -- mais leve que o "14 bis" e feito de pano e bambu. Ele foi o último avião construído por Santos-Dumont, que se dedicou a inventar outras coisas, como uma garagem para aviões (hangar), a porta de correr e o relógio de pulso.
Alberto Santos-Dumont nasceu no interior de Minas Gerais no dia 20 de julho de 1873. Quando criança, foi morar numa fazenda em São Paulo e de lá partiu para descobrir o mundo. Hoje, sua importância é reconhecida internacionalmente e, por isso, ele é considerado o ’pai da aviação’.
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Se liga!
Entenda como funcionam as lâmpadas incandescentes e fluorescentes
Há 150 anos, as casas eram iluminadas a vela ou com lamparinas a querosene. Imagine o perigo e a chateação! Havia hora para acender e apagar os lampiões da rua... Pensando bem, desde que o homem aprendeu a fazer fogo, passaram-se séculos até acendermos, num gesto simples, as modernas lâmpadas elétricas, tão comuns e familiares que nem sabemos mais como funcionam.
A eletricidade é hoje a principal fonte de energia usada para produzir luz artificial. A lâmpada incandescente foi inventada por Thomas Edison, em 1877. Ela funciona pela passagem de uma corrente elétrica por um fio fino em forma de espiral e de alta resistência elétrica, o que torna tudo incandescente. O fio está dentro de uma ampola de vidro que contém um gás inerte ou vácuo (se não fosse assim, a lâmpada pegaria fogo). O aquecimento do fio emite luz: quanto maior a temperatura do fio, maior a quantidade de luz emitida. Por isso, há lâmpadas ’fracas’ e ’fortes’.
À proporção que acendemos e apagamos a lâmpada, o fio metálico vai gastando: ele vai evaporando com o calor até que se rompe e não deixa mais passar a corrente elétrica - e a lâmpada deixa de produzir luz. Muitas lâmpadas incandescentes são usadas no dia-a-dia, cada uma com sua diferença técnica e sua função (luz para geladeira, farol de carro, estúdio de foto e assim por diante).
Já as lâmpadas fluorescentes (direita) são conhecidas como ’luz fria’, pois emitem menos calor para o ambiente que as incandescentes. Elas começaram a ser produzidas a partir de 1945. A lâmpada fluorescente é constituída por um tubo de vidro em forma de cilindro, de ’W’ ou de ’U’. O tubo é preenchido com um gás (argônio) e sua superfície interior é coberta com uma camada de pó fluorescente. Ela contém vapor de mercúrio e um filamento, só que aqui com uma função diferente da que tinha na lâmpada incandescente.
Ao passar pelo filamento, a corrente elétrica provoca uma descarga no gás do interior do tubo, levando os elétrons do gás a colidir com os átomos de mercúrio. Quando voltam a um estado de equilíbrio, esses átomos emitem uma energia na forma de radiação ultravioleta. A luz é produzida pelo encontro dessa radiação com a superfície do tubo de vidro recoberta com pó fluorescente. As lâmpadas fluorescentes, para funcionar, precisam de um equipamento chamado reator, que controla e limita a corrente elétrica que faz a lâmpada funcionar.
Lâmpadas fluorescentes conseguem emitir maior quantidade de luz que as incandescentes e consomem menos eletricidade (às vezes, até cinco vezes menos). Antigamente, as lâmpadas fluorescentes não conseguiam reproduzir com fidelidade as cores dos objetos, que tendiam a se tornar azulados. Hoje, porém, esse problema já foi superado. Assim, se você precisar de uma lâmpada para seu quarto, peça a seus pais para comprarem uma fluorescente. Eles vão chiar por causa do preço. Mas você pode dizer que, além de economizar energia, ela dura muito mais tempo.
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Conheça o tamanduá-robô
Ele não é de carne e osso, mas será capaz de demonstrar emoções
Venham, meninas e meninos, conhecer mais uma novidade da robótica, a ciência responsável por criar e construir robôs. Trata-se de uma invenção inspirada em um animal selvagem das florestas e savanas das Américas Central e do Sul muito comum no Brasil. Uma criação que não tem nada de carne, nem de osso, mas pode ser, no futuro, usada como um bicho de estimação. Estamos falando do tamanduá-robô, um robô interativo que está sendo desenvolvido no Instituto de Artes e no Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília.
“O robô, batizado de Amiko, é uma obra de arte robótica que não tem prazo de conclusão. Ele será aperfeiçoado com o passar do tempo, assim como ocorre com a própria evolução dos seres vivos”, conta Christus da Nóbrega, autor do trabalho de pesquisa que deu origem ao projeto.
Quando estiver pronto, o tamanduá-robô será capaz de reagir com emoções e atitudes diferentes, como raiva, tristeza e alegria, combinando tudo isso com movimento. O invento poderá, por exemplo, seguir alguém com quem estiver brincando, ou se afastar de algo que o incomoda. A inteligência do robô estará na sua capacidade de aprender a se relacionar com as pessoas.
As posturas programadas para expressar os estados emocionais do tamanduá-robô são: neutro, alegria, tristeza, raiva, medo, dormindo. A cor dos olhos também mudará de acordo com o sentimento. (Créditos: Christus da Nóbrega).
“O tamanduá-robô está programado para adotar algumas posturas consideradas universais pelos pesquisadores entre os animais, como abaixar a cabeça quando estiver triste. Se estiver com raiva, por exemplo, ele testará diferentes sons e posturas até encontrar a melhor forma de transmitir seu sentimento para as pessoas”, explica Christus. ( Clique aqui e assista a uma animação que mostra o tamanduá-robô em ação)
Para demonstrar emoções, o tamanduá-robô terá alguns recursos tecnológicos. Os pêlos que apresenta nas costas, por exemplo, lhe permitirão sentir um toque e diferenciar uma carícia de um tapa. Além disso, ele será capaz de emitir e identificar sons específicos e verá o mundo através de uma câmera, de forma a identificar a luminosidade e reconhecer as pessoas. No futuro, a idéia é que ele também possa associar um determinado indivíduo com as informações de um histórico. Portanto, muito cuidado ao puxar o rabo do tamanduá: ele poderá guardar mágoa de você.
Ninguém, porém, precisa se preocupar com um possível ataque do tamanduá-robô. Isso porque ele é dócil e só reagirá com sons e posturas. Além disso, as pessoas que ficam entediadas com coisas previsíveis também não têm razão para achar que logo enjoarão desse animal de estimação robótico. O tamanduá-robô será programado, assim como já é feito em alguns videogames, para, às vezes, agir de forma inesperada, tornando-se mais interessante.
O tamanduá-robô ainda não está nas lojas, e nem há previsão de quando isso vai acontecer. Tudo irá depender de empresas que quiserem investir no conceito. No futuro, sistemas assim poderão ser utilizados em máquinas, eletrodomésticos e até brinquedos inteligentes, desenvolvendo, cada vez mais, o antigo sonho de robôs e pessoas interagirem.
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De olho na Amazônia
Conheça o robô que tem como local de trabalho a maior floresta tropical do mundo!
O robô Chico Mendes em ação na Amazônia.
Ele tem uma tarefa muito importante: cuidar da floresta amazônica. Esse guardião é capaz de andar na água, na lama, na terra e na vegetação – e sem fazer barulho, para não incomodar nem os animais nem os moradores do lugar. Ele também é forte, agüenta até mordida de jacaré! E consegue obter dados importantes sobre a Amazônia, além de coletar amostras do local. Prepare-se para conhecer esse faz-tudo que é o robô ambiental híbrido Chico Mendes – uma tecnologia criada no Brasil.
Apelidado de Chiquinho, o robô foi inventado por Ney Robinson, engenheiro da Petrobras, para um programa da empresa chamado Piatam. Talvez você não saiba, mas, em plena floresta amazônica, a Petrobras encontrou poços de petróleo e depósitos de gás natural, que são importantes fontes de energia. O Piatam existe para ficar de olho nos possíveis danos que a retirada de petróleo e gás da Amazônia possa gerar ao meio ambiente. E o robô Chico Mendes foi criado para ser um dos seus mais atentos vigilantes!
Quem foi Chico Mendes?
Chico Mendes trabalhava extraindo látex, uma substância usada para fazer borracha, de um tipo de árvore chamado seringueira. Um dos grandes defensores da Floresta Amazônica, ele denunciou o desmatamento no norte do país e a violência dos fazendeiros contra os trabalhadores rurais. Depois de percorrer todo o Brasil pregando a paz, porém, acabou sendo morto em 1988.
Para você ter uma idéia de como o Chiquinho funciona, sua versão mais recente apresenta um braço mecânico que, com sensores, é capaz de obter dados importantes sobre a floresta, como a acidez e a quantidade de oxigênio presente na água dos rios. Ele também coleta pedras, terra, água e pequenos animais para pesquisas.
“Queremos saber como está a região hoje, com a mata ainda intocada, para, depois, analisarmos se houve mudanças com a construção de uma tubulação que irá levar gás natural até Manaus”, explica Ney Robinson. Caso os dados colhidos pelo robô indiquem alguma alteração que seja danosa ao meio ambiente, medidas adequadas serão tomadas.
Desafios
O pesquisador Ney Robinson, inventor do robô, apresenta sua criação em laboratório da Petrobras
Para cumprir sua função, no entanto, o Robô Chico Mendes precisa enfrentar muitos desafios. Para começar, seu lugar de trabalho é uma região de difícil acesso, devido às mudanças climáticas que ocorrem com as estações do ano. Além disso, as plantas lá existentes dificultam a passagem. Mas o robô ultrapassa todos esses obstáculos. O segredo do seu sucesso são as rodas que, em posição normal, o fazem funcionar como um carro e, se movidas para baixo, trabalham como bóias. Ele funciona com energia elétrica ou com baterias, que são recarregadas por meio do sol. Pode ser controlado à distância com um joystick ou usado como um veículo comum.

O robô Chico Mendes nasceu como um protótipo que media cerca de 50 centímetros de comprimento, mas sua versão mais recente tem 1,20 metro de largura por 2 metros de comprimento e há planos de se construir um modelo ainda maior, capaz de levar uma pessoa a bordo. Assim como o seu tamanho, a lista de funções do robô também não pára de aumentar, já que outros pesquisadores e as próprias pessoas que vivem na Amazônia estão sugerindo novas atribuições ao Chiquinho, como a coleta de lixo na encosta dos rios. O projeto, assim, continua em aberto. E você, tem alguma nova idéia para o Chico Mendes fazer?
Amazônia brasileira – o jogo!
O robô Chico Mendes virou tema de um jogo de tabuleiro. Chamado Amazônia Brasileira , ele tem sido distribuído entre as comunidades que vivem na floresta Amazônica. Mas você pode levá-lo para casa, mesmo sem viver nessa região. Para tanto, envie uma mensagem para chc@cienciahoje.org.br . Dois leitores serão sorteados e poderão saber mais sobre o robô e a Amazônia brincando. Participe!
Atualização: Já saíram os nomes dos leitores premiados! Os vencedores são José Hélio Zen Jr., de Campinas (SP) e Danilo Barreto Zeferino, de Senhor do Bonfim (BA).
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O trabalhão da animação
Descubra como são feitos os desenhos animados e assista a trechos de curtas sobre folclore
Antes que se iniciem as animações de um desenho, vários estudos são feitos para definir os personagens. O Curupira, por exemplo, teve três versões até chegar à forma final. O desenho no canto inferior esquerdo é o definitivo, que ganhou movimento. A animação faz parte de uma série sobre o folclore brasileiro produzida pela Multirio (Imagens cedidas pela Multirio).
Mergulhar até o fundo do mar com o Bob Esponja. Lutar contra o mal com o charme das Meninas Super-Poderosas. Aprontar com o Pica-Pau. No mundo dos desenhos animados, sempre há uma aventura à nossa espera. Mas como são feitos esses programas que tanto prendem a nossa atenção?
Para produzir desenhos animados, é usada a técnica chamada “flipagem”, do verbo to flip, em inglês, que significa mover rapidamente. Com ela, é possível visualizar o movimento de desenhos. Para entender, faça o teste: na ponta de cada folha de um caderno, desenhe algo em diferentes posições, mas seqüencialmente. Por exemplo, um boneco fazendo polichinelo, com os braços e pernas abrindo e fechando. Depois, folheie depressa as pontas do caderno: como mágica, o boneco começa a se mexer! Isso acontece porque as folhas passam em um tempo tão curto que nossos olhos não percebem o intervalo entre elas, mas só aquilo que se modifica no desenho (no caso, a posição dos membros do boneco). Vendo as modificações de forma contínua, temos a sensação de movimento.
Se você achou essa experiência cansativa, por ter de fazer vários desenhos, imagine uma cena em que um personagem corre de um monstro em uma floresta, com cara de medo e olhando para os lados! “Quanto mais detalhados forem os movimentos da animação, mais desenhos precisam ser feitos”, conta Patrícia Dias, produtora de desenhos animados da Empresa Municipal de Multimeios do Rio de Janeiro (Multirio). Para ter um segundo de desenho animado, são necessários, em média, 12 desenhos. Ou seja, em uma animação de 10 minutos, são cerca de 7.200 desenhos!
Tantas ilustrações exigem uma equipe de desenhistas trabalhando a todo vapor. Mas o trabalho começa bem antes de esses desenhos ficarem prontos. Primeiro, deve ser feito um roteiro, que descreve cada cena na ordem dos acontecimentos: qual é a ação e a fala dos personagens, em que cenário eles estão, qual efeito sonoro aparece...
Uma espécie de história em quadrinhos com os principais acontecimentos da animação é feita para orientar a produção. Essa seqüência é chamada de storyboard. Acima, um trecho do storyboard do desenho animado sobre a Iara, a sereia de nosso folclore.
Então é criada uma espécie de história em quadrinhos, chamada de storyboard. Sempre que há uma modificação na cena, mesmo que pequena, desenha-se um novo quadro. Ao mesmo tempo, cada personagem vai sendo definido com riqueza de detalhes. São feitos muitos estudos até que se chegue ao resultado final. “Os desenhos animados são como filmes, a diferença é que não basta filmar a realidade com uma câmera, nós temos que observá-la e depois criá-la”, conta Patrícia.
Assim, além do esforço dos desenhistas, a equipe conta com profissionais que criam a trilha sonora adequada ao ritmo das imagens: músicas, falas, ruídos... Ainda há as pessoas que pensam apenas nos cenários, nas luzes e sombras, e outras que decidem de que cor será cada elemento. Em muitas etapas, o computador ajuda bastante, sobretudo na hora de colorir e de simular o movimento dos desenhos estáticos.
Ao longo desse processo, tudo é discutido em reuniões da equipe de profissionais, liderada pelo diretor do desenho animado. Trabalho de adulto? Que nada! Nas animações realizadas na Multirio sobre lendas brasileiras, crianças de 4 a 10 anos – alunas da rede pública municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro – colaboraram na criação e em todas as fases de produção e realização dos desenhos. Nas reuniões, eram elas que davam palpites sobre como deveriam ser os personagens, cenários e músicas, e qualquer mudança só acontecia com sua aprovação. Quer ver o resultado? Confira abaixo!
O Curupira (6,4 MB)
Iara (8,6 MB)
O Boto (10,2 MB)
Clique em cada imagem para assistir a trechos da série Juro que vi (os vídeos podem demorar muito a baixar caso você não tenha uma conexão rápida). Produzidos pela Multirio, empresa ligada à Prefeitura do Rio de Janeiro, os desenhos animados abordam personagens do folclore brasileiro. Para saber mais sobre os desenhos Juro que vi, ligue para (21) 2528-8203 ou acesse o site da Multirio: www.multirio.rj.gov.br.
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Uma dupla para lá de dinâmica
Conheça um robô que segue pessoas e outro que é capaz de reconhecer vozes
O robô menor é o ApriAlpha v3 e o maior, o ApriAttenda, que pode seguir pessoas na rua.
No desenho animado Os Jetsons, a gente acompanha o dia-a-dia de uma família do futuro, que tem um membro muito especial: Rose, uma empregada robô. Ela está sempre a postos para cuidar da casa, das crianças ou mesmo do cachorro – o Astor! – deixando quem assiste aos episódios com vontade de ter uma ajudante assim por perto. Se você faz parte da turma que adoraria ter um auxiliar desse tipo, precisa conhecer os dois robôs da foto ao lado!
ApriAlpha v3 e ApriAttenda foram criados por uma empresa que está interessada, entre outras coisas, em desenvolver robôs que possam auxiliar ou mesmo cuidar de idosos e crianças, tanto em casa quanto em locais públicos. Cada um tem uma habilidade considerada importante para que, mais do que máquinas a serviço das pessoas, sejam suas parceiras, acompanhando-as aonde elas forem ou interagindo com elas.
ApriAlpha v3, por exemplo, é capaz de distinguir e reconhecer determinadas vozes entre muitas outras, mesmo que venham das mais variadas direções. O robô – também chamado por um apelido que poderia ser traduzido como “Apri Ouvido Afiado” –, tem seis microfones em seu corpo para assegurar a captura das vozes. Se programado para tanto, ele poderia, por exemplo, reconhecer a sua voz em meio a uma multidão de gente falando.
Mas não é só. ApriAlpha v3 também é capaz de identificar de que direção estão vindo vozes e até interagir com pessoas que estejam falando. Na prática, isso quer dizer que ele poderia, por exemplo, retribuir os cumprimentos feitos por alguém e, então, continuar a responder a uma pergunta feita anteriormente por outra pessoa.
Já ApriAttenda, por sua vez, é capaz de seguir pessoas. Mas, para tanto, primeiro, ele identifica o indivíduo no meio de tantos outros usando seu sensor visual e seu sistema de processamento de imagens de alta velocidade, que instantaneamente reconhece a cor e a textura da roupa da pessoa. A partir daí, se o indivíduo anda para frente, ApriAttenda faz o mesmo. Se pára, o robô se move até um ponto próximo e também pára.
A cada momento ApriAttenda calcula a posição e a distância da pessoa que está acompanhando e ajusta a sua velocidade para manter uma certa distância dela. À medida que a pessoa se move, um sensor ultrasônico verifica se há obstáculos no caminho do robô, que acerta sua trajetória enquanto mantém o indivíduo à vista. Se não conseguir ver a pessoa mais, o robô passa a chamá-la e a procurar por ela.
De nove a 19 de junho, ApriAttenda e ApriAlpha v3 vão mostrar todas as suas habilidades em uma exposição que acontece no Japão e exibe mais de 60 outros robôs. Viajar para o outro lado do mundo só para conferir, ao vivo, do que esses dois são capazes não é possível, mas isso não é motivo para desanimar: há quem aposte que não vai demorar muito para termos robôs até mais avançados do que eles em nossas casas.
A empresa que criou tanto ApriAttenda quanto ApriAlpha, por exemplo, acredita que dentro de cinco ou seis anos já vão começar a ser vendidos robôs que possam acompanhar as pessoas ao shopping e carregar suas compras, cuidar de crianças pequenas e idosos, e enviar mensagens aos membros da família para mostrar como andam as coisas em casa enquanto eles estão fora. Então, é esperar para ver!
Entenda por que o brasileiro Santos-Dumont é conhecido como o pai da aviação
Em 19 de outubro de 1901, Alberto Santos-Dumont, brasileiro que mais tarde ficara conhecido como "pai da aviação", contornou a Torre Eiffel com o "Dirigível no 6" e impressionou a todos por realizar o primeiro vôo dirigido da História. Até então, as pessoas só conheciam os balões tripulados.
Tudo começou quando Santos-Dumont deixou o Brasil para morar na França. Era 1892 e ele tinha 19 anos, mas sua curiosidade parecia de criança! De tanto observar os franceses passeando em balões, Santos-Dumont decidiu construir o seu.
O primeiro balão que Santos-Dumont criou foi batizado de "Brasil". Por mais que estivesse feliz com o invento, ele não estava satisfeito, já que queria ter o controle da direção não ficar "ao sabor do vento". A partir desse desejo, ele inventou um balão comprido, com motor de automóvel, leme e hélice. Também não faltou a cestinha que o levaria dentro. Assim foi feito o "Dirigível no 1", que não resistiu à força do vento e caiu. Pensa que Santos-Dumont desitiu? Engana-se. Ele tentou mais algumas vezes até conseguir voar com o "Dirigível no 6".
Da esquerda para a direita: o balão Brasil, o dirigível no 1 em pleno vôo e o dirigível no 5 quando tentava contornar a Torre Eiffel, em Paris
Da esquerda para a direita: o balão Brasil, o dirigível no 1 em pleno vôo
e o dirigível no 5 quando tentava contornar a Torre Eiffel, em Paris
Enquanto pilotava pelo céu da Europa, o jovem aviador percebeu que seus sonhos se tornaram bem maiores. Dessa vez ele queria fazer algo muito mais espetacular que um balão. Santos-Dumont, então, projetou o primeiro avião do mundo e o chamou de "14 bis". Ele era branco, feito de pano e madeira e parecia voar em marcha a ré.
Em 12 de novembro de 1906, Santos-Dumont recebeu um prêmio do Aero Club de France por ter voado mais de 220 metros com seu novo invento. Apesar do sucesso, ele não parou por aí: criou o "Demoiselle" -- mais leve que o "14 bis" e feito de pano e bambu. Ele foi o último avião construído por Santos-Dumont, que se dedicou a inventar outras coisas, como uma garagem para aviões (hangar), a porta de correr e o relógio de pulso.
Alberto Santos-Dumont nasceu no interior de Minas Gerais no dia 20 de julho de 1873. Quando criança, foi morar numa fazenda em São Paulo e de lá partiu para descobrir o mundo. Hoje, sua importância é reconhecida internacionalmente e, por isso, ele é considerado o ’pai da aviação’.
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Se liga!
Entenda como funcionam as lâmpadas incandescentes e fluorescentes
Há 150 anos, as casas eram iluminadas a vela ou com lamparinas a querosene. Imagine o perigo e a chateação! Havia hora para acender e apagar os lampiões da rua... Pensando bem, desde que o homem aprendeu a fazer fogo, passaram-se séculos até acendermos, num gesto simples, as modernas lâmpadas elétricas, tão comuns e familiares que nem sabemos mais como funcionam.
A eletricidade é hoje a principal fonte de energia usada para produzir luz artificial. A lâmpada incandescente foi inventada por Thomas Edison, em 1877. Ela funciona pela passagem de uma corrente elétrica por um fio fino em forma de espiral e de alta resistência elétrica, o que torna tudo incandescente. O fio está dentro de uma ampola de vidro que contém um gás inerte ou vácuo (se não fosse assim, a lâmpada pegaria fogo). O aquecimento do fio emite luz: quanto maior a temperatura do fio, maior a quantidade de luz emitida. Por isso, há lâmpadas ’fracas’ e ’fortes’.
À proporção que acendemos e apagamos a lâmpada, o fio metálico vai gastando: ele vai evaporando com o calor até que se rompe e não deixa mais passar a corrente elétrica - e a lâmpada deixa de produzir luz. Muitas lâmpadas incandescentes são usadas no dia-a-dia, cada uma com sua diferença técnica e sua função (luz para geladeira, farol de carro, estúdio de foto e assim por diante).
Já as lâmpadas fluorescentes (direita) são conhecidas como ’luz fria’, pois emitem menos calor para o ambiente que as incandescentes. Elas começaram a ser produzidas a partir de 1945. A lâmpada fluorescente é constituída por um tubo de vidro em forma de cilindro, de ’W’ ou de ’U’. O tubo é preenchido com um gás (argônio) e sua superfície interior é coberta com uma camada de pó fluorescente. Ela contém vapor de mercúrio e um filamento, só que aqui com uma função diferente da que tinha na lâmpada incandescente.
Ao passar pelo filamento, a corrente elétrica provoca uma descarga no gás do interior do tubo, levando os elétrons do gás a colidir com os átomos de mercúrio. Quando voltam a um estado de equilíbrio, esses átomos emitem uma energia na forma de radiação ultravioleta. A luz é produzida pelo encontro dessa radiação com a superfície do tubo de vidro recoberta com pó fluorescente. As lâmpadas fluorescentes, para funcionar, precisam de um equipamento chamado reator, que controla e limita a corrente elétrica que faz a lâmpada funcionar.
Lâmpadas fluorescentes conseguem emitir maior quantidade de luz que as incandescentes e consomem menos eletricidade (às vezes, até cinco vezes menos). Antigamente, as lâmpadas fluorescentes não conseguiam reproduzir com fidelidade as cores dos objetos, que tendiam a se tornar azulados. Hoje, porém, esse problema já foi superado. Assim, se você precisar de uma lâmpada para seu quarto, peça a seus pais para comprarem uma fluorescente. Eles vão chiar por causa do preço. Mas você pode dizer que, além de economizar energia, ela dura muito mais tempo.
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Conheça o tamanduá-robô
Ele não é de carne e osso, mas será capaz de demonstrar emoções
Venham, meninas e meninos, conhecer mais uma novidade da robótica, a ciência responsável por criar e construir robôs. Trata-se de uma invenção inspirada em um animal selvagem das florestas e savanas das Américas Central e do Sul muito comum no Brasil. Uma criação que não tem nada de carne, nem de osso, mas pode ser, no futuro, usada como um bicho de estimação. Estamos falando do tamanduá-robô, um robô interativo que está sendo desenvolvido no Instituto de Artes e no Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília.
“O robô, batizado de Amiko, é uma obra de arte robótica que não tem prazo de conclusão. Ele será aperfeiçoado com o passar do tempo, assim como ocorre com a própria evolução dos seres vivos”, conta Christus da Nóbrega, autor do trabalho de pesquisa que deu origem ao projeto.
Quando estiver pronto, o tamanduá-robô será capaz de reagir com emoções e atitudes diferentes, como raiva, tristeza e alegria, combinando tudo isso com movimento. O invento poderá, por exemplo, seguir alguém com quem estiver brincando, ou se afastar de algo que o incomoda. A inteligência do robô estará na sua capacidade de aprender a se relacionar com as pessoas.
As posturas programadas para expressar os estados emocionais do tamanduá-robô são: neutro, alegria, tristeza, raiva, medo, dormindo. A cor dos olhos também mudará de acordo com o sentimento. (Créditos: Christus da Nóbrega).
“O tamanduá-robô está programado para adotar algumas posturas consideradas universais pelos pesquisadores entre os animais, como abaixar a cabeça quando estiver triste. Se estiver com raiva, por exemplo, ele testará diferentes sons e posturas até encontrar a melhor forma de transmitir seu sentimento para as pessoas”, explica Christus. ( Clique aqui e assista a uma animação que mostra o tamanduá-robô em ação)
Para demonstrar emoções, o tamanduá-robô terá alguns recursos tecnológicos. Os pêlos que apresenta nas costas, por exemplo, lhe permitirão sentir um toque e diferenciar uma carícia de um tapa. Além disso, ele será capaz de emitir e identificar sons específicos e verá o mundo através de uma câmera, de forma a identificar a luminosidade e reconhecer as pessoas. No futuro, a idéia é que ele também possa associar um determinado indivíduo com as informações de um histórico. Portanto, muito cuidado ao puxar o rabo do tamanduá: ele poderá guardar mágoa de você.
Ninguém, porém, precisa se preocupar com um possível ataque do tamanduá-robô. Isso porque ele é dócil e só reagirá com sons e posturas. Além disso, as pessoas que ficam entediadas com coisas previsíveis também não têm razão para achar que logo enjoarão desse animal de estimação robótico. O tamanduá-robô será programado, assim como já é feito em alguns videogames, para, às vezes, agir de forma inesperada, tornando-se mais interessante.
O tamanduá-robô ainda não está nas lojas, e nem há previsão de quando isso vai acontecer. Tudo irá depender de empresas que quiserem investir no conceito. No futuro, sistemas assim poderão ser utilizados em máquinas, eletrodomésticos e até brinquedos inteligentes, desenvolvendo, cada vez mais, o antigo sonho de robôs e pessoas interagirem.
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De olho na Amazônia
Conheça o robô que tem como local de trabalho a maior floresta tropical do mundo!
O robô Chico Mendes em ação na Amazônia.
Ele tem uma tarefa muito importante: cuidar da floresta amazônica. Esse guardião é capaz de andar na água, na lama, na terra e na vegetação – e sem fazer barulho, para não incomodar nem os animais nem os moradores do lugar. Ele também é forte, agüenta até mordida de jacaré! E consegue obter dados importantes sobre a Amazônia, além de coletar amostras do local. Prepare-se para conhecer esse faz-tudo que é o robô ambiental híbrido Chico Mendes – uma tecnologia criada no Brasil.
Apelidado de Chiquinho, o robô foi inventado por Ney Robinson, engenheiro da Petrobras, para um programa da empresa chamado Piatam. Talvez você não saiba, mas, em plena floresta amazônica, a Petrobras encontrou poços de petróleo e depósitos de gás natural, que são importantes fontes de energia. O Piatam existe para ficar de olho nos possíveis danos que a retirada de petróleo e gás da Amazônia possa gerar ao meio ambiente. E o robô Chico Mendes foi criado para ser um dos seus mais atentos vigilantes!
Quem foi Chico Mendes?
Chico Mendes trabalhava extraindo látex, uma substância usada para fazer borracha, de um tipo de árvore chamado seringueira. Um dos grandes defensores da Floresta Amazônica, ele denunciou o desmatamento no norte do país e a violência dos fazendeiros contra os trabalhadores rurais. Depois de percorrer todo o Brasil pregando a paz, porém, acabou sendo morto em 1988.
Para você ter uma idéia de como o Chiquinho funciona, sua versão mais recente apresenta um braço mecânico que, com sensores, é capaz de obter dados importantes sobre a floresta, como a acidez e a quantidade de oxigênio presente na água dos rios. Ele também coleta pedras, terra, água e pequenos animais para pesquisas.
“Queremos saber como está a região hoje, com a mata ainda intocada, para, depois, analisarmos se houve mudanças com a construção de uma tubulação que irá levar gás natural até Manaus”, explica Ney Robinson. Caso os dados colhidos pelo robô indiquem alguma alteração que seja danosa ao meio ambiente, medidas adequadas serão tomadas.
Desafios
O pesquisador Ney Robinson, inventor do robô, apresenta sua criação em laboratório da Petrobras
Para cumprir sua função, no entanto, o Robô Chico Mendes precisa enfrentar muitos desafios. Para começar, seu lugar de trabalho é uma região de difícil acesso, devido às mudanças climáticas que ocorrem com as estações do ano. Além disso, as plantas lá existentes dificultam a passagem. Mas o robô ultrapassa todos esses obstáculos. O segredo do seu sucesso são as rodas que, em posição normal, o fazem funcionar como um carro e, se movidas para baixo, trabalham como bóias. Ele funciona com energia elétrica ou com baterias, que são recarregadas por meio do sol. Pode ser controlado à distância com um joystick ou usado como um veículo comum.

O robô Chico Mendes nasceu como um protótipo que media cerca de 50 centímetros de comprimento, mas sua versão mais recente tem 1,20 metro de largura por 2 metros de comprimento e há planos de se construir um modelo ainda maior, capaz de levar uma pessoa a bordo. Assim como o seu tamanho, a lista de funções do robô também não pára de aumentar, já que outros pesquisadores e as próprias pessoas que vivem na Amazônia estão sugerindo novas atribuições ao Chiquinho, como a coleta de lixo na encosta dos rios. O projeto, assim, continua em aberto. E você, tem alguma nova idéia para o Chico Mendes fazer?
Amazônia brasileira – o jogo!
O robô Chico Mendes virou tema de um jogo de tabuleiro. Chamado Amazônia Brasileira , ele tem sido distribuído entre as comunidades que vivem na floresta Amazônica. Mas você pode levá-lo para casa, mesmo sem viver nessa região. Para tanto, envie uma mensagem para chc@cienciahoje.org.br . Dois leitores serão sorteados e poderão saber mais sobre o robô e a Amazônia brincando. Participe!
Atualização: Já saíram os nomes dos leitores premiados! Os vencedores são José Hélio Zen Jr., de Campinas (SP) e Danilo Barreto Zeferino, de Senhor do Bonfim (BA).
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O trabalhão da animação
Descubra como são feitos os desenhos animados e assista a trechos de curtas sobre folclore
Antes que se iniciem as animações de um desenho, vários estudos são feitos para definir os personagens. O Curupira, por exemplo, teve três versões até chegar à forma final. O desenho no canto inferior esquerdo é o definitivo, que ganhou movimento. A animação faz parte de uma série sobre o folclore brasileiro produzida pela Multirio (Imagens cedidas pela Multirio).
Mergulhar até o fundo do mar com o Bob Esponja. Lutar contra o mal com o charme das Meninas Super-Poderosas. Aprontar com o Pica-Pau. No mundo dos desenhos animados, sempre há uma aventura à nossa espera. Mas como são feitos esses programas que tanto prendem a nossa atenção?
Para produzir desenhos animados, é usada a técnica chamada “flipagem”, do verbo to flip, em inglês, que significa mover rapidamente. Com ela, é possível visualizar o movimento de desenhos. Para entender, faça o teste: na ponta de cada folha de um caderno, desenhe algo em diferentes posições, mas seqüencialmente. Por exemplo, um boneco fazendo polichinelo, com os braços e pernas abrindo e fechando. Depois, folheie depressa as pontas do caderno: como mágica, o boneco começa a se mexer! Isso acontece porque as folhas passam em um tempo tão curto que nossos olhos não percebem o intervalo entre elas, mas só aquilo que se modifica no desenho (no caso, a posição dos membros do boneco). Vendo as modificações de forma contínua, temos a sensação de movimento.
Se você achou essa experiência cansativa, por ter de fazer vários desenhos, imagine uma cena em que um personagem corre de um monstro em uma floresta, com cara de medo e olhando para os lados! “Quanto mais detalhados forem os movimentos da animação, mais desenhos precisam ser feitos”, conta Patrícia Dias, produtora de desenhos animados da Empresa Municipal de Multimeios do Rio de Janeiro (Multirio). Para ter um segundo de desenho animado, são necessários, em média, 12 desenhos. Ou seja, em uma animação de 10 minutos, são cerca de 7.200 desenhos!
Tantas ilustrações exigem uma equipe de desenhistas trabalhando a todo vapor. Mas o trabalho começa bem antes de esses desenhos ficarem prontos. Primeiro, deve ser feito um roteiro, que descreve cada cena na ordem dos acontecimentos: qual é a ação e a fala dos personagens, em que cenário eles estão, qual efeito sonoro aparece...
Uma espécie de história em quadrinhos com os principais acontecimentos da animação é feita para orientar a produção. Essa seqüência é chamada de storyboard. Acima, um trecho do storyboard do desenho animado sobre a Iara, a sereia de nosso folclore.
Então é criada uma espécie de história em quadrinhos, chamada de storyboard. Sempre que há uma modificação na cena, mesmo que pequena, desenha-se um novo quadro. Ao mesmo tempo, cada personagem vai sendo definido com riqueza de detalhes. São feitos muitos estudos até que se chegue ao resultado final. “Os desenhos animados são como filmes, a diferença é que não basta filmar a realidade com uma câmera, nós temos que observá-la e depois criá-la”, conta Patrícia.
Assim, além do esforço dos desenhistas, a equipe conta com profissionais que criam a trilha sonora adequada ao ritmo das imagens: músicas, falas, ruídos... Ainda há as pessoas que pensam apenas nos cenários, nas luzes e sombras, e outras que decidem de que cor será cada elemento. Em muitas etapas, o computador ajuda bastante, sobretudo na hora de colorir e de simular o movimento dos desenhos estáticos.
Ao longo desse processo, tudo é discutido em reuniões da equipe de profissionais, liderada pelo diretor do desenho animado. Trabalho de adulto? Que nada! Nas animações realizadas na Multirio sobre lendas brasileiras, crianças de 4 a 10 anos – alunas da rede pública municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro – colaboraram na criação e em todas as fases de produção e realização dos desenhos. Nas reuniões, eram elas que davam palpites sobre como deveriam ser os personagens, cenários e músicas, e qualquer mudança só acontecia com sua aprovação. Quer ver o resultado? Confira abaixo!
O Curupira (6,4 MB)
Iara (8,6 MB)
O Boto (10,2 MB)
Clique em cada imagem para assistir a trechos da série Juro que vi (os vídeos podem demorar muito a baixar caso você não tenha uma conexão rápida). Produzidos pela Multirio, empresa ligada à Prefeitura do Rio de Janeiro, os desenhos animados abordam personagens do folclore brasileiro. Para saber mais sobre os desenhos Juro que vi, ligue para (21) 2528-8203 ou acesse o site da Multirio: www.multirio.rj.gov.br.
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Uma dupla para lá de dinâmica
Conheça um robô que segue pessoas e outro que é capaz de reconhecer vozes
O robô menor é o ApriAlpha v3 e o maior, o ApriAttenda, que pode seguir pessoas na rua.
No desenho animado Os Jetsons, a gente acompanha o dia-a-dia de uma família do futuro, que tem um membro muito especial: Rose, uma empregada robô. Ela está sempre a postos para cuidar da casa, das crianças ou mesmo do cachorro – o Astor! – deixando quem assiste aos episódios com vontade de ter uma ajudante assim por perto. Se você faz parte da turma que adoraria ter um auxiliar desse tipo, precisa conhecer os dois robôs da foto ao lado!
ApriAlpha v3 e ApriAttenda foram criados por uma empresa que está interessada, entre outras coisas, em desenvolver robôs que possam auxiliar ou mesmo cuidar de idosos e crianças, tanto em casa quanto em locais públicos. Cada um tem uma habilidade considerada importante para que, mais do que máquinas a serviço das pessoas, sejam suas parceiras, acompanhando-as aonde elas forem ou interagindo com elas.
ApriAlpha v3, por exemplo, é capaz de distinguir e reconhecer determinadas vozes entre muitas outras, mesmo que venham das mais variadas direções. O robô – também chamado por um apelido que poderia ser traduzido como “Apri Ouvido Afiado” –, tem seis microfones em seu corpo para assegurar a captura das vozes. Se programado para tanto, ele poderia, por exemplo, reconhecer a sua voz em meio a uma multidão de gente falando.
Mas não é só. ApriAlpha v3 também é capaz de identificar de que direção estão vindo vozes e até interagir com pessoas que estejam falando. Na prática, isso quer dizer que ele poderia, por exemplo, retribuir os cumprimentos feitos por alguém e, então, continuar a responder a uma pergunta feita anteriormente por outra pessoa.
Já ApriAttenda, por sua vez, é capaz de seguir pessoas. Mas, para tanto, primeiro, ele identifica o indivíduo no meio de tantos outros usando seu sensor visual e seu sistema de processamento de imagens de alta velocidade, que instantaneamente reconhece a cor e a textura da roupa da pessoa. A partir daí, se o indivíduo anda para frente, ApriAttenda faz o mesmo. Se pára, o robô se move até um ponto próximo e também pára.
A cada momento ApriAttenda calcula a posição e a distância da pessoa que está acompanhando e ajusta a sua velocidade para manter uma certa distância dela. À medida que a pessoa se move, um sensor ultrasônico verifica se há obstáculos no caminho do robô, que acerta sua trajetória enquanto mantém o indivíduo à vista. Se não conseguir ver a pessoa mais, o robô passa a chamá-la e a procurar por ela.
De nove a 19 de junho, ApriAttenda e ApriAlpha v3 vão mostrar todas as suas habilidades em uma exposição que acontece no Japão e exibe mais de 60 outros robôs. Viajar para o outro lado do mundo só para conferir, ao vivo, do que esses dois são capazes não é possível, mas isso não é motivo para desanimar: há quem aposte que não vai demorar muito para termos robôs até mais avançados do que eles em nossas casas.
A empresa que criou tanto ApriAttenda quanto ApriAlpha, por exemplo, acredita que dentro de cinco ou seis anos já vão começar a ser vendidos robôs que possam acompanhar as pessoas ao shopping e carregar suas compras, cuidar de crianças pequenas e idosos, e enviar mensagens aos membros da família para mostrar como andam as coisas em casa enquanto eles estão fora. Então, é esperar para ver!
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